“Ser diferente é normal” é o lema da Quinta Essência, um mundo excepcional para pessoas com atraso no desenvolvimento intelectual que funda os seus ensinamentos nos afectos.
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Quando Vera chegou à Associação Qe não sabia pegar numa faca. Hoje, é uma mestra na cozinha. Diogo é um ex-aluno que agora trabalha numa empresa de jardinagem e João Pedro, o residente mais antigo, reaprendeu a comunicar e a sorrir. São estes e outros santos da casa que operam os pequenos milagres que fazem parte do dia-a-dia desta instituição privada de solidariedade social.
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A relações públicas do projecto, Maria de Fátima Almeida, encarrega-se das apresentações: “A Qe foi inaugurada em 2006 pela mão de oito promotores que instalaram – num complexo privado de 15 mil metros quadrados, na Abrunheira, em Sintra – um pólo pedagógico e um pólo residencial destinados à reabilitação de pessoas com mais de 16 anos e com deficiência no desenvolvimento intelectual”. E isto porque, se até essa idade existe um modelo de acompanhamento no ensino regular, a partir daí esse modelo já não funciona. “Trabalhamos para potenciar as capacidades, valências e autonomia dos nossos alunos sempre com um olho posto na sua plena integração, tanto na área social como na profissional. Regemo-nos por três valores essenciais: a pessoa com deficiência é vista como um ser humano único; os técnicos são veículos de apoio ao seu desenvolvimento; e os modelos de avaliação, de ensino e de aprendizagem são pautados pela eficiência e objectividade, dando relevância às componentes afectiva e emocional.”
Actualmente frequentam a Qe cerca de 40 jovens e adultos, uns em regime de permanência, outros de frequência de aulas. Todos estão inscritos num eficaz “simulador de vida” que lhes fornece os instrumentos para lidar da melhor forma com o mundo que existe do lado de fora da instituição. Para levar a cabo esta hercúlea tarefa, a equipa multidisciplinar da Qe tem quatro currículos que, por sua vez, estimulam quatro níveis fulcrais da autonomia dos alunos: a pessoal, a social, a pré-profissional e a profissional. Os currículos são complementados por vários ateliês que servem para espicaçar, além da autonomia, a interacção, a criatividade, a motricidade e o sentido de responsabilidade. “Temos aulas de artes plásticas, de fotografia, informática, ginástica, dança e expressão dramática”. E depois há a horta, a cozinha, os expositores e os canis, onde se treinam em modo real potenciais ofícios como os de reposição de stocks, jardinagem, cuidados animais e auxílio de cozinha. Esta experiência de profissão será depois posta em prática em situações fora de portas, junto de instituições parceiras que recebem os alunos para estágios e empregos.
“Aqui nada é estanque, não existem salas de aula ou grupos fixos e as actividades são adaptadas às preferências e competências dos alunos”, explica Maria de Fátima. Mas para que tudo isto funcione é preciso uma força motriz básica, que na Qe se chama Gentle Teaching, ou Pedagogia dos Afectos. “O método Gentle Teaching é uma filosofia que defende que tudo começa na relação e tudo se centra nela.” Segundo esta, em primeiro lugar a pessoa tem de se sentir segura e amada para estar preparada para receber inputs e assim aprender mais e melhor.
Além dos alunos residentes – que vivem em permanência nas duas casas da Qe – e dos externos, que frequentam a escola de segunda a sexta-feira, a instituição recebe também residências temporárias e ocasionais, como os fins-de-semana e as colónias de férias.
Rua Humberto Delgado, 52, Abrunheira
+351 21 915 4740
www.quintaessencia.pt
Grão a grão…
Saiba como pode contribuir para este projecto. O apadrinhamento é uma das possibilidades, o pagamento da mensalidade integral ou parcial de um aluno é preciosa para os menos favorecidos. Depois há o voluntariado, dê uma mãozinha no que puder, quando puder, e fará toda a diferença. Se quiser contribuir com dinheiro pode fazê-lo através do Nib: 0007 0000 00766685964 23 – Banco Espírito Santo. Deve enviar uma notificação à instituição com o seu NIF para que seja emitido um recibo de donativo.
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por Maria Ana Ventura
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