Estação Biológica do Garducho

on Aug 24, 2010 in UP Daily | No Comments

Em pleno Alentejo existe o Centro de Estudos de Avifauna Ibérica, um santuário para espécies ameaçadas.

A história deste projecto remonta ao ano de 1997. Um antigo posto de controlo fronteiriço foi adquirido pelo Centro de Estudos de Avifauna Ibérica (CEAI) com a perspectiva de vir a ser transformado numa estrutura de promoção de acções de conservação da natureza, exactamente por estar estrategicamente localizado num lugar em que existem diversos valores ecológicos reconhecidos a nível europeu. Carla Janeiro, presidente da direcção do CEAI e coordenadora do projecto sediado no concelho de Mourão, no Alentejo, dá-nos razões de sobra para que o espaço nasça na região: “É um lugar de abrigo e de reprodução de várias espécies emblemáticas ameaçadas, como a águia-imperial-Ibérica, o grou-comum, a águia de Bonelli, a abetarda, o sisão e o cortiçol-de-barriga-preta. Foi também neste lugar que se encontrou o último indício de lince ibérico, há cerca de cinco anos”.

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Orçada em mais de um milhão de euros e co-financiada pelo Programa Operacional Regional do Alentejo, esta casa virada para a natureza – que abre as portas em 2008 – conta com um projecto arquitectónico que concilia a traça contemporânea com a beleza da paisagem. Durante a construção do edifício “optaram-se por soluções amigas do ambiente”: a água da chuva, por exemplo, é recolhida para uma cisterna para aproveitamento total; também o abastecimento de energia eléctrica é feito através de energia solar. Nos acabamentos foram usados materiais económicos, salientando-se o isolamento térmico com aglomerado de cortiça sobre as superfícies, sem necessidade da existência de paredes duplas. O espaço conta ainda com a intervenção da artista plástica Fernanda Fragateiro, que vai inserir um pouco por todo o espaço fragmentos de textos do escritor Gonçalo M. Tavares da obra Breves Notas Sobre Ciência.

A estação vai albergar uma exposição permanente interactiva “que pretende potenciar os cinco sentidos, estimulando a curiosidade de crianças e adultos”. Tendo como mote “Tornar visível o que não se vê”, a mostra irá desvendar pormenores e particularidades de cada espécie para que se compreenda a sua importância no ecossistema, do qual também depende o ser humano. A coordenadora do projecto defende que “há aspectos que devem ser experimentados para serem melhor compreendidos, tais como a textura do pêlo de um mamífero ou a suavidade de uma seara ao vento”. A exposição apela a que de seguida se conheçam as espécies no terreno através de percursos pedestres organizados no local, em que o visitante contacta de perto com a fauna e flora circundantes e respectivos habitats. Serão promovidos ainda seminários, workshops, cursos de formação e projectos de investigação e conservação dirigidos principalmente às espécies ameaçadas.

Quando estiver a funcionar em pleno, o CEAI vai criar novos postos de trabalho, contribuindo desta maneira para a dinamização da região da margem esquerda do Guadiana. Sendo um foco de atracção para escolas e turismo nacional e estrangeiro, irá ajudar à revitalização da região nos sectores da restauração e hotelaria.

CEAI – Centro de Estudos da Avifauna Ibérica
Rua Raimundo, 119
+351 266 746 102
www.ceai.pt/ebg

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por Maria João Veloso

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