Tyler Brûlé

on Mar 1, 2010 in Viajante profissional | No Comments

Numa altura em que se pensaria que já não existem barões dos media, Tyler Brûlé continua a construir o seu império. O icónico publisher transformou a sua experiência na Wallpaper numa inovadora marca de media global, a Monocle. Siga connosco os passos de um guru das viagens.

Sempre foi tratado como Tyler, mas na verdade o seu primeiro nome é Jayson. Nascido em 1968, em Winnipeg, no Canadá, de pais franco-canadianos e estonianos – mãe artista e pai jogador de futebol –, Tyler Brûlé tornou-se famoso com o lançamento, em 1996, da revista Wallpaper, para a qual trabalhou como editor até meados de 2002. Esse cargo rapidamente o transformou num guru dos media da nova era. Com pontos de venda em mais de 50 países, a Wallpaper tornou-se referência no que respeita a tendências, tendo sido distinguida com numerosos prémios pelo design e relevância internacional. Em 2001, Tyler Brûlé foi galardoado com o British Society of Magazine Editors Lifetime Achievement Award, sendo o mais jovem editor de sempre a arrecadar a distinção.

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Reviver o passado
Por um breve período, Tyler estudou em Ryerson, Toronto − jornalismo e ciências políticas. Optou depois pela carreira de jornalista na BBC, mudando-se para Manchester, em 1989. Mais tarde, trabalhou para a ABC News, para o Channel Nine Australia e para a Sky News. Também escreveu para várias publicações e revistas, como o The Guardian, a Stern, o The Sunday Times e a Vanity Fair.

Desde 1998, ano em que fundou a Winkreative, que Tyler de dedica a gerir agências de branding e design, com escritórios em Londres, Nova Iorque, Zurique e Tóquio. Quando vendeu a sua participação na Wallpaper, focou-se no desenvolvimento da Winkreative, subsidiária da empresa-mãe suíça Winkorp AG, fundada por Brûlé em 2002. Entre o anterior e actual leque de clientes desta empresa, já galardoada, encontram-se a Swiss International Airlines, Stella MacCartney, TOTO, Tag Heuer, American Express, Porter Airlines, B&B Italia, Sky News e British Airways.

Em 2005, Brûlé regressou às raízes profissionais com a Winkontent, o ramo editorial e de produção televisiva da Winkorp, onde criou e organizou duas séries de televisão para a BBC4, The Desk e Counter Culture. E, em Fevereiro de 2007, fez nascer a Monocle.

Criada especificamente para um público que os media ignoram, a Monocle é uma marca internacional que combina serviços de impressão, web, venda e emissão. Publicada dez vezes por ano, a partir de escritórios em Londres, Nova Iorque, Zurique, Tóquio e, brevemente, Hong-Kong, a revista constitui um olhar, uma síntese global sobre política e actualidade, negócios, cultura e design. Daí que, actualmente, o guru acumule as funções de presidente e director criativo da Winkreative e de presidente e editor-chefe da Monocle, assinando ainda uma coluna semanal no Financial Times, que em Portugal pode ser lida todos os fins-de-semana no Diário Económico.

Um estilo de vida
Tyler Brûlé passa 250 dias por ano a viajar – isto é, quando não está a relaxar na sua ilha privada na Suécia, durante o Verão, ou quando ruma à sua casa na montanha, em Saint Moritz, na Suíça, durante o Inverno. Há 16 anos que tem residência fixa no Reino Unido.

“Não gosto de improviso, gosto de pôr tudo no papel quando traço o meu itinerário. As minhas viagens dividem-se entre o Reino Unido, a Suíça e a Suécia. Vou a Tóquio uma vez por mês e fico cerca de uma semana no Japão. Em Londres, passo uma média de duas semanas a preparar a Monocle. Depois, o resto do meu tempo é dividido entre Nova Iorque, Toronto e Los Angeles. Na Europa, viajo para Paris, Milão, Munique, Frankfurt e Madrid… essencialmente.” Apesar de ser viajante frequente, sempre que pode Tyler gosta de se deslocar a pé: “Para mim é um luxo não ter que depender de transportes”. O seu apartamento londrino fica a uns 5 minutos de distância (a pé) dos escritórios e da loja da Monocle.

“Tenho tendência para viajar mais para o Oriente, o Japão é um destino essencial para mim. Sou bastante obsessivo com as minhas viagens e os meus hábitos. Por isso quando estou num voo de longa duração prefiro sentar-me num lugar perto da janela, de preferência na parte de trás do avião, seja na classe executiva ou em primeira classe.” E qual a melhor maneira para combater o jet lag? Uma vez a bordo, recomenda Tyler, “não coma muito ou, de preferência, não coma nada. Em geral, bebo dois ou três copos de vinho branco. Procure dormir o mais que puder; eu cá tenho sorte, porque consigo dormir em qualquer lado. Quando aterrar, faça uma corrida ou um pouco de natação”. O nosso viajante também é bastante obsessivo com o tipo de avião que apanha e até com os aeroportos de destino. Sempre que pode, escolhe “a companhia certa”, mesmo que tenha que fazer um voo com escala em vez de um voo directo.

Segredos de aeroporto
Sempre em trânsito entre continentes e países, Tyler Brûlé é considerado perito em matéria de aeroportos: “Um lounge é um local onde deveríamos ter acesso livre à internet por wifi. Para lermos os nossos emails com privacidade, para ver em directo o que está a acontecer no mundo. Neste capítulo, destaco o aeroporto de Munique, onde o Hon Circle Super-Premium Lounge, da Lufthansa, desenvolveu alguns esforços em termos de design com uma área destinada à imigração e bagagem”.

Como passageiro frequente que é, aprecia também “a disciplina do povo japonês, a atenção que dedicam aos detalhes. Enquanto os anglo-saxões estão interessados em cortar pessoal, o que se traduz em menor eficácia, os japoneses apostam nos recursos humanos para fazer avançar as coisas.” Por exemplo, o aeroporto Haneda de Tóquio: “Nunca ganharia prémio nenhum de arquitectura, mas funciona. É o quarto aeroporto do mundo em tráfego, mas é essencialmente doméstico e a área de duty-free não é muito extensa. Em vez disso, tem uma mercearia espantosa, que até permite encomendar os produtos e ir buscá-los depois de aterrar!” Mas há outros tipos de aeroporto que Tyler Brûlé gosta de frequentar: “Se confrontarmos Haneda com o exemplar superior da arquitectura escandinava que é o aeroporto de Copenhaga, apercebemo-nos de que este último é tão singularmente nórdico e maravilhoso que não há como confundir: estamos em Copenhaga. O aeroporto Changi, em Singapura, continua a ser um maravilhoso ponto de ligação com outros destinos.”

Quanto ao futuro da aviação mundial, o guru também tem várias palavras a dizer: “Penso que haverá grandes mudanças na tecnologia do combustível. O futuro da aviação é seguro, mas não creio que toda a gente comece a voar por um euro. De certa forma, nos próximos 5 a 10 anos, viajar tornar-se-á uma actividade mais preservada e elitista. As pessoas utilizarão cada vez mais os serviços de transporte ferroviário para destinos de curta distância e entre algumas cidades. Isso pode vir a tornar-se um problema para os easy jetters e afins. Se olharmos para as viagens aéreas na América do Norte, apercebemo-nos de que não há nada de interessante. A Ásia, pelo contrário, entrou numa competição extraordinária e continua a desenvolver produtos.”

www.monocle.com

www.winkreative.com

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Por Mário de Castro

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