Torel Avantgarde, Porto

on Dec 1, 2017 in Embarque Imediato | No Comments

Uma homenagem aos artistas mais revolucionários, aos artesãos e designers e ao bom gosto da capital do Norte.

Ingrid Koeck cresceu no bed & breakfast da avó, na Áustria. Estudou ciência política, foi jornalista, trabalhou nas Nações Unidas em África e, um dia, quis voltar à casa de partida, “à hospitality”. E escolheu Portugal. Aqui conheceu a austríaca Barbara Ott e o português João Tavares, do Torel Palace, e juntou-se a eles. Agora é o rosto do novo Torel no Porto e está visivelmente apaixonada: “É interessante contribuir, honrar o espírito desta cidade supervibrante”. Quando viram o edifício, recorda, não sabiam por onde começar: um prédio do Estado Novo, anos 40, “poderia ser qualquer coisa”. “E nós não queríamos fazer apenas outro hotel.” E não fizeram.

O novo Torel é de uma elegância irrepreensível, invoca os anos 30 e 40 avant garde, da arte e do design. Isabel Sá Nogueira pensou as zonas comuns e a sala de estar, uma parede forradas a flores em frente a uma generosa janela que dá para os belos jardins da Casa do Vinho Verde. “É um sucesso!”, exclama Ingrid. No restaurante Digby (nome do criador das modernas garrafas de vinho), a assinatura é da Casa da Comida. Adorámos a sopa de marisco e as vieiras do outro mundo, o serviço e a carta de vinhos. Imperdível? O brunch.

O spa inspira-se na natureza, a começar numa parede em musgo, e todo o hotel comunica com o exterior, o jardim com a piscina debruçada sobre o rio, uma luz que se avista de cada recanto e de quase todos os quartos, apesar do contraste da decoração em tons escuros. Estes foram pensados pelo NANO design, do Porto, são 47, todos diferentes, cada um dedicado a um artista que ousou quebrar as barreiras estabelecidas. São verdadeiros ninhos de conforto, jogos de luz e sombra, cores ricas e profundas, o tom cobre um pouco por todo o lado, das torneiras aos puxadores à antiga. “É tão cool e elegante, não é? E sólido.” Ficámos no quarto Van Gogh, mas poderíamos ter ficado no Apollinaire, no Aurélia de Sousa, no Charles e Ray Eames, no grande Leonardo Da Vinci – ou no nosso preferido, o Coco Chanel, um dos três que têm jacuzzi sobre o Douro.

Há um cuidado particular em tudo ser português, por isso encontramos os graffiters Frederico Draw e Daniel Eime, o escultor Paulo Neves e Jorge Curval, em obras espalhadas pelo hotel; e as marcas Branca Lisboa, do designer Marco Sousa Santos, a Mood, de Raul Santos, Around The Tree, de Alexandre Caldas, os tapetes Ferreira de Sá, os móveis Munna e os objetos d’A Latoaria, entre outros. “Somos orgulhosos do país e das suas crafts, das coisas como costumavam ser bem feitas. Perguntam-me: o chão também é feito à mão? As portas em pele? Sim, é admirável, muito trabalho.” Pausa. “Queremos dar algo de excecional, os espaços, o serviço, as pessoas. Aqui ninguém usa gravata, queremos que as pessoas se sintam em casa.”

Rua da Restauração, 336, Porto \\\ torelavantgarde.com \\\  A partir de €110

 

por Patrícia Barnabé

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