Tammy Weis, canadiana-britânica

on Jan 1, 2020 in Embarque Imediato | No Comments

Apaixonada por Lisboa, a cantora e compositora colocou a poesia de Fernando Pessoa em música.

Há seis anos Tammy Weis estava a fazer uma sesta mas resolveu sair da cama. Uma excelente decisão. Acabara de chegar a Lisboa, morava em Alfama, e uma voz interior mandou-a explorar o bairro. Tropeçou numa galeria de arte que anunciava “Pinturas com vinho tinto e café”. Pensou: “O meu género de lugar”. Havia um francês e um pintor mongol-russo. Meteu conversa, o francês puxou de uma guitarra, ela cantou standards de jazz, pessoas juntaram-se, e o mongol-russo dirigiu-se em russo ao francês: “Diz-lhe que ela tem de pegar em poemas de Fernando Pessoa, aí é que a sua carreira arrancará”. “Quem é Fernando Pessoa?” Responderam-lhe: “Olha à tua volta”. Ou seja: estás em Lisboa e o poeta (1888-1935) está em todo o lado. “E foi assim que tudo começou”.

O que começou foi, é como Tammy lhe chama, uma série de “milagres Pessoa”. Comprou as traduções, começou a compor. Semanas mais tarde, num salão de beleza em Campo de Ourique, em conversa com a proprietária, mencionou o projeto. Ela repetiu-o em português para as clientes. Uma mulher prestes a sair exclamou: “Fernando Pessoa? Eu trabalho com o sobrinho dele”. E meses depois Tammy conheceu Luís Miguel Rosa Dias, filho da irmã do escritor, que lhe ofereceu os English Poems e disse-lhe: “Aqui há mais canções para ti”. Tammy estreou o espetáculo em 2017 na Casa Fernando Pessoa (CFP). Milagres seguintes: mudou-se por acaso para o Pátio do Pimenta, para uma casa em frente à onde nasceu Contemporânea, importante revista modernista em que Pessoa participou; numa festa conheceu Rui Veloso, nome maior da música portuguesa, que quis participar e produzir o futuro álbum – “Ela arrisca muito, respeito-a mesmo, tem a minha admiração”, disse-nos.

Soul Whisper (título provável) sai em Abril, com concerto no Auditório Liceu Camões (dia 18). Um dos temas, “Hope”, tem co-composição de Terry Britten (autor de canções para Tina Turner e Michael Jackson). O álbum conta com Randy Bachman (famoso por “American Woman”, dos The Guess Who) e seu filho Tal, e um conjunto impecável de músicos portugueses, para além de Veloso. (É uma notória produção transatlântica, com o apoio do Canada Council for the Arts, da embaixada em Lisboa, CFP e Clara Riso, a família de Pessoa e de Rosa Dias, tristemente desaparecido em 2019).

É claro, tudo sobre Tammy começou bem antes. Lançou dois álbuns, Legacy e Where I Need to Be, e o jazz é o território preferido. Nas palavras do seu amigo Michael Bublé, “Ela é fantástica! Aqui está uma vocalista”.

tammyweis.com

 

por João Macdonald /// foto Duarte Drago

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O histórico clube de jazz de Lisboa, onde já actuou, é lugar amado. Antes de lá voltar, actua em Londres, no Pheasantry (5 de junho). Julian Joseph (BBC Radio 3) diz: “Ela descobriu a alma de Portugal em Pessoa, na mitologia de Lisboa e com músicos maravilhosos, criando uma autêntica tapeçaria sonora, pessoal e mágica”.

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