Sylvia Rijmer, holandesa

on Nov 1, 2013 in Embarque Imediato | No Comments

Foi a dança que trouxe Sylvia Rijmer até Lisboa. E foi a dançar que esperou que o filho nascesse. Dá aulas, coreografa e dança com Olga Roriz e outras companhias. Passaram dez anos desde a hora em que pisou pela primeira vez o solo português e já conhece bem os cantos à casa. Afinal nunca viveu tanto tempo noutro lugar.   

Sylvia Rijmer por /by Kai Perini

O encontro deu-se na Padaria Portuguesa da rua Pascoal de Melo. Não foi difícil reconhecer Sylvia Rijmer, metade holandesa, metade japonesa. Os olhos rasgados e sorridentes fizeram as apresentações necessárias. Depois do café com leite e dos croissants franceses, a conversa prosseguiu no Jardim Constantino. Filha de um holandês que quis fazer a sua vida fora da Holanda e de uma japonesa “de quem herdou o lado artístico”, Sylvia nasceu na Nigéria em plena década de 70, onde passou metade da infância. Aos seis anos a família mudou-se para Jacarta, na Indonésia, onde começou a dançar, atividade que a trouxe até Portugal um quarto de século mais tarde. A mãe “de uma generosidade infinita” empurrou-a para a dança e deixou-a voar. Aos 14 anos partiu sozinha para Amesterdão para estudar no Het Nationale Ballet Akademie. Seguiu-se a Elmhurst Ballet School em Inglaterra e, aos 18 anos, caía de pára-quedas em Nova Iorque para frequentar a Juilliard School. “A escola era uma coisa muito séria, nos tempos livres ia ver outras companhias, fazer audições, ao Soho, a museus e à noite a clubes de jazz.” Apesar do fascínio que a cidade lhe proporcionava, a metade europeia de si reclamava o regresso a casa.

Como bailarina começou a trabalhar na Alemanha, no Stadtt Theater de Giessen. Seguiu depois para a Suíça, primeiro Zurique e depois Berna, onde começou também a desenvolver trabalhos como coreógrafa no Bern Ballet.  Para Portugal veio por causa do famoso (e extinto) Ballet Gulbenkian: “Era uma companhia muito boa”. Fez a audição em 2001, com a brasileira Iracy Cardoso, de quem ficaria amiga para a vida, e estreou-se na companhia já com Paulo Ribeiro nos comandos, em 2003. “Era uma companhia com uma energia muito forte. As mulheres, então, eram incríveis”.

Foram estes homens e mulheres de várias nacionalidades que lhe deram a mão quando chegou a Lisboa sem vínculos culturais ou linguísticos. Hoje, dez anos passados, já tem uma ideia da cultura portuguesa. “Já consigo ler perfeitamente um jornal, ver os canais nacionais, ter uma conversa decente e até fazer piadas na língua do país que me acolheu. Sinto-me em casa. Tal como os holandeses, os portugueses adoram o sol e têm entranhado um enorme espírito de cultura social. Quando estava grávida fui tratada com um zelo desmedido. Senti-me privilegiada por estar a criar uma nova vida num mundo de ternura, neste país que ama tanto as suas crianças.”

Neste momento, o filho, Morgan Akira –  que quer dizer luz do mar –, tem oito meses e Sylvia pode regressar aos seus projetos. Além de ensinar dança contemporânea no Formação Olga Roriz Dance Theatre e de dar workshops no Japão, Sylvia está a preparar a sua próxima coreografia inspirada na obra de Michio Kaku’s Mundos Paralelos. E quer muito retomar o projeto Feedback Kolectiv, uma plataforma artística que criou com Miguel Mendes e Paulo Reis e que já teve direito a duas edições. Nela, novos e escondidos talentos encontraram um palco para serem vistos e ouvidos. “Neste momento ando à procura de patrocínios. Qualquer ajuda será bem-vinda.”

Fazemos as contas, para chegamos à conclusão de que Portugal é o país onde se tornou sedentária. Nunca na vida ficou tanto tempo no mesmo lugar. São dez anos a sugar energia à luz de Lisboa. Mas mesmo assim continua a ter ímpetos de turista. “Fotografo a cidade como se fosse a primeira vez que a vejo. Lisboa tem uma personalidade arquitetónica única.“

http://sylviarijmer.com

por Maria João Veloso

Arquivos

Bons passeios

A manhã de domingo ideal inclui um brunch no Pois Café e uma visita ao Museu de Arte Antiga ou ao Museu dos Azulejos. Alguns percursos são especialmente do agrado de Sylvia. Ir do Cais do Sodré até Alfama, passar pela Casa dos Bicos ou ir ao castelo apreciar as vistas. Ou então fazer o caminho oposto e seguir até ao Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, caminhando junto ao rio. Se a manhã entrar pela tarde dentro visite o Oceanário de Lisboa, na zona da Expo. É definitivamente dos melhores do mundo.

Pois Café
www.poiscafe.com

Museu Nacional de Arte Antiga
www.museudearteantiga.pt

Museu do Azulejo
www.museudoazulejo.pt

Oceanário de Lisboa
www.oceanario.pt

Sabores mistos

Segundo Sylvia, uma refeição na Cervejaria Ramiro será uma experiência e tanto para qualquer estrangeiro. “O marisco ali é muito bom.” Quando tem saudades da comida da mãe vai até ao salão de chá luso-japonês Castella de Paulo. Não é bem a mesma coisa, mas ela gosta de ir lá almoçar porque a comida é caseira e feita como nas casas do Japão.

Ramiro
www.cervejariaramiro.pt

Sala de Chá Castella
www.castella.pt

Bela adormecida

O hotel NS Liberdade tem a piscina com melhor vista sobre Lisboa. Sempre que o calor aperta, Sylvia vai lá dar umas braçadas. Continuando o périplo pelos hotéis da capital escolhe o terraço do Bairro Alto Hotel para relaxar ao fim da tarde de gin tónico na mão. O que fazer? Nada. Basta olhar a paisagem em redor.

Hotel NS Liberdade
www.nh-hoteles.pt

Bairro Alto Hotel
www.bairroaltohotel.com

Às voltas no bairro

Sylvia convida-nos ainda para jogar uma partida de bilhar acompanhada de um chazinho no Pavilhão Chinês. Depois dá um salto à Pharmacia de Cultura para ouvir Carlos Mendes, que canta por lá às quartas-feiras.

Pavilhão Chinês
http://barpavilhaochines.blogspot.pt

Pharmacia de Cultura
www.facebook.com/pages/Buédalouco-Pharmácia-de-Cultura

Martim Moniz

“É o lugar de Lisboa onde variadíssimas culturas não só se misturam como convivem em paz. Integrados naturalmente. Parece um oásis na Europa.”

Praça do Martim Moniz

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