Surpresas no copo

on Mar 1, 2016 in Piloto Automático | No Comments

No bar Lisbon Winery explora-se uma Lisboa de há 500 anos e vinhos pouco conhecidos.

Alexandre Carreira

Quem entra no novo Lisbon Winery, não imagina o que vai encontrar. A decoração é bonita e intimista. Sobressai a grande parede de cortiça, as tampas de caixas de madeira a forrar as mesas e garrafas expostas um pouco por todo o lado. Mas, ao fundo da sala, há uma surpresa: uma antiga e enorme cisterna do século XVI que durante séculos ficou soterrada e só foi descoberta há pouco tempo pelo proprietário do prédio. Uma relíquia histórica que acaba por ser, juntamente com os vinhos e a comida ali servidos, um bom chamariz. Fica no número 13 da Rua Barroca, ao Bairro Alto, no centro de Lisboa.

O bar pertence a Adriana Afonso e Cláudia Portas, duas ex-jornalistas. Há muito que queriam abandonar a profissão e ter um projecto próprio que lhes permitisse dedicar-se inteiramente a estas áreas. Foi assim que em 2011 formaram uma empresa de animação turística, onde o principal produto era uma prova de vinhos numa casa tipicamente portuguesa. A coisa correu bem e daí a diversificar a oferta foi um passo. Estas lides levaram-nas ao encontro de Alexandre Carreira, hoje o responsável pelo bar e carta de vinhos do Lisbon Winery.

Alexandre, que já trabalhou em vários bares e restaurantes (de onde se destacam o Eleven – estrela Michelin – e o Grape & Bites), começou por fazer as provas organizadas por Adriana e Cláudia. A carta de vinhos foi feita tendo em conta os que são menos divulgados em cada região: “Não temos um conceito comercial. Deixámos de parte os vinhos mais conhecidos porque queremos surpreender os clientes”, diz Alexandre, que incluiu na carta mais de 200 referências de todas as regiões nacionais, sendo que todas podem ser pedidas a copo (excepto os vintages, vendidos à garrafa).

Nos petiscos destacam-se as conservas portuguesas (sardinha, filetes de cavala, polvo e atum), queijos (Azeitão, Serra da Estrela, Beira Baixa, Terrincho, ilha de São Jorge) e enchidos (salsichão, diversos tipos de paio, chouriços e presuntos). “Escolhemos os que mais gostávamos, queremos que as pessoas conheçam estes produtos tão portugueses”, explica Cláudia.

Já a dita cisterna faz parte do património arqueológico de Lisboa e pensa-se que terá pertencido a uma família rica que tinha uma propriedade fora das muralhas da cidade (que há cerca de 500 anos iam apenas até à área do Chiado). Um local de visita obrigatória.

lisbonwinery.com

por Maria João de Almeida

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