Steve Bootland, canadiano

on Jan 1, 2012 in Um Olhar Estrangeiro | No Comments

Com 46 anos de vida, parte deles passados na estrada, o agente musical Steve Bootland escolheu Portugal para viver depois de ter desvendado os segredos de um país “recheado de tesouros”.

 

 

Desde que trocou Londres por Lisboa passaram cinco anos. Para trás, nos anais da biografia, ficaram: uma breve passagem pelo Algarve e o dia em que a mulher e as duas filhas regressaram de umas férias em Portugal com a sensação de que se deveriam mudar rapidamente para este canto da Europa. Vá se lá saber porquê, Steve concordou e, meses mais tarde, quando visitou o país já trazia um plano bem elaborado do qual fazia parte “ler todos os livros que podia sobre Portugal e ter aulas de português”. Para quem, atualmente, dá a conhecer algumas das melhores bandas de música portuguesas além-fronteiras, a melhor forma de explicar a curiosidade que o país lhe despertou – para além da amabilidade das pessoas, do tempo e da comida –, é mesmo a alegria que os seus amigos ingleses lhe transmitiam quando regressavam de férias em Portugal. “Parecia-me que ninguém queria partilhar os tesouros descobertos. Tinha de vir cá desvendar esses segredos”.

 

Música portuguesa… com certeza!

 

Nasceu e cresceu em Ottawa, no Canadá, mas, nos 23 anos que viveu em Inglaterra, descobriu o seu tesouro pessoal: a música. Em Londres, encetou uma aventura como roadie de várias bandas, tendo colaborado depois como técnico de instrumentos, stage manager e tour manager em várias digressões, além de ter formado uma pequena editora discográfica. Todo este know-how é hoje canalizado para a paixão que sente pela música portuguesa dos mais variados géneros a partir de dois projetos, a plataforma Portugal Music Scene e a AWAL (Artists Without a Label) Portugal. Na primeira, o objetivo passa pela promoção dos artistas e por tornar cada projeto mais apelativo aos olhos (e ouvidos) dos vários mercados mundiais. Quanto à AWAL, é uma companhia que distribui música nacional, de pequenas editoras e bandas independentes, em lojas digitais.

 

A Costa Azul

 

Com malas, bagagens e arraiais assentes em Setúbal, Steve recorda o espanto que sentiu na primeira visita que fez ao mercado de peixe da cidade: “Não queria acreditar na cor e na textura do peixe”. Estar à beira-mar, rodeado pela imensidão do céu azul, é apenas um dos fatores que o levou a optar pela cidade do poeta Bocage para viver. Mas há outros, como a paz que sente quando avista bandos de golfinhos a brincarem no rio Sado. Ou a incrível e magna beleza da serra da Arrábida “com o mar muito azul pela frente, a perder de vista”. “É raro encontrarmos zonas tão calmas e cheias de beleza perto de grandes centros urbanos.”

No que respeita ao resto do país, este turista permanente, ou residente acidental, relembra uma jornada entre Coimbra e Viseu – “maravilhosa paisagem de lagos, colinas e vinhas” – e uma viagem de comboio a Abrantes que lhe suscitou o desejo de visitar os castelos da região. Digno de destaque é ainda o seu entendimento da portuguesíssima palavra “saudade”: “Pelo ambiente que tenho à minha volta é difícil passar uma semana sem que experiencie esse sentimento. Há sempre alguma coisa muito bela para contemplar e que me faz sentir assim. Com saudades nem sei do quê.”

 

www.portugalmusicscene.com

www.facebook.com/awalportugal

 

por Manuel Simões

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