Sociedade Central de Cervejas – Um brinde à portugalidade

on Aug 1, 2016 in Embarque Imediato | No Comments

A bordo da TAP bebe-se cerveja Sagres e Água do Luso. São os grandes produtos da Sociedade Central de Cervejas, uma empresa de alcance mundial, recheada de história e de histórias.

Sociedade Central de Cervejas

À esquerda de quem entra, ao correr da parede que acompanha as escadas que levam ao primeiro piso da fábrica, há sete retratos pintados a óleo. Rostos apresentados com tal nobreza que nos levam a crer estarmos perante um memorial aos presidentes da Sociedade Central de Cervejas (SCC), criada há 82 anos. É preciso subir dois degraus para encarar de frente o rosto de Alcino Filipe de Carvalho. O texto que acompanha o quadro desfaz o equívoco inicial. Alcino não foi presidente, mas um antigo encarregado do enchimento e movimento de barris que foi distinguido em 1986 como a primeira Pessoa Símbolo da empresa. Alcino começou a trabalhar na cervejeira Portugália em 1930, quatro anos antes de nascer a SCC; tinha 12 anos e ganhava 12 escudos. Passou a vida entre cevada, milho, lúpulo, mas sobretudo sob o intenso cheiro a malte que nos envolve mais a cada metro que nos aproximamos da cervejeira.

Alcino, assim como outros trabalhadores ali representados, faz parte da história da SCC. Uma história feita de pessoas e que se encontra a cada passo, em cada recanto da fábrica. Por todo o lado há vitrines com antigas balanças, tubos de ensaio, instrumentos de medição, relógios de ponto, antigas garrafas, gigantes cubas de fermentação. Num corredor encontramos o original de um artigo de duas páginas publicado no Herald Tribune de 22 de junho de 1968, dia da inauguração de um dos “maiores e mais desenvolvidos complexos cervejeiros a nível mundial”.

Passando pela malteria, a sala de levedura e os laboratórios, chegamos ao chão da fábrica, onde milhares de garrafas rodam a um ritmo frenético. São lavadas, enchidas, rotuladas, seladas e novamente lavadas, no meio de um barulho ensurdecedor. Só no ano passado foram produzidos 252 milhões de litros de cerveja, que dali partem para os milhares de postos de venda espalhados por todo o país – a Sagres é desde 2008 a cerveja mais vendida em Portugal.

“Há marcas que são emblemáticas, iconográficas da portugalidade, que muitas vezes não sabemos muito bem definir, e por isso falamos de marcas, valores, símbolos, que é aquilo que percebemos que nos identifica. São elas que nos fazem as memórias, nos lembram uma forma de viver, e têm um fator muito emocional”, explica Nuno Pinto Magalhães, diretor de comunicação da SCC. Uma relação emocional que faz com que a Sagres esteja presente naquilo a que se chama mercado da saudade, países com grande número de portugueses que, tendo emigrado com a crise de 2008 ou durante as décadas de 1960-70, não dispensam a Sagres. Mas o lado afetivo não se restringe aos emigrantes. A Sagres sabe isso e começou recentemente a vender cerveja de pressão nos pubs ingleses. É um produto premium, a pensar no turismo. “Vieram de férias ao Algarve, tiveram experiências fantásticas e, em Inglaterra, ao beber Sagres voltam a saborear as férias.” É graças ao turismo que “a penetração da Sagres em Inglaterra tem crescido significativamente”.

No ano passado a SCC exportou 13% da produção de cervejas. “Temos vindo a crescer noutros mercados. A China, por exemplo, tem crescido significativamente.” É uma questão de mercado: carência local de cerveja, a par do crescimento rápido da classe média. “Os chineses gostam da nossa cerveja, da forma como se apresenta.” E na maior parte dos países africanos de língua oficial portuguesa (Cabo Verde, Guiné, Moçambique, São Tomé e Príncipe – Angola não, que apertou as quotas de importação) “a marca continua a ter uma grande notoriedade, muito ligada ao futebol, porque nesses países a ligação aos clubes portugueses é muito grande”, explica Pinto Magalhães. Há estudos que confirmam que esta é uma aposta ganha: a cerveja consumida em momentos ligados ao futebol representa 23% do total das receitas da indústria. “O futebol é emoção, inclusão, celebração. E a cerveja é tudo isso.” E usa-se o patrocínio da Seleção Nacional de Futebol para mostrar a irrelevância da nacionalidade do acionista quando a marca é portuguesa. Pinto Magalhães lembra quando em 1993 a SCC era detida a 100% pelo Grupo Empresarial Bavaria, controlado pela família colombiana Santodomingo (depois dos colombianos vieram os escoceses da Scottish & Newcastle e agora os holandeses da Heineken): “Fomos o primeiro, e durante muito tempo o único, patrocinador da Seleção. E isso mostra como a questão dos acionistas é irrelevante para as marcas”.

Um pouco de história

Tal como a generalidade dos consumidores, também Nuno Pinto Magalhães tem uma relação afetiva com a Sagres e com todas as outras marcas que compõem o portefólio daquela que é a mais antiga fábrica de cerveja em Portugal. São quase 42 anos de vida ativa, todos os dias passados na fábrica de Vialonga. Conhece como ninguém os cantos à casa – é responsável pelo museu, que anualmente recebe cerca de dez mil visitantes – e a afinidade pela SCC sente-se no tom entusiasmado como conta cada uma das histórias que fazem a história da empresa.

É um rosário fácil de desfiar. Como a história que envolve o embaixador inglês e António Ferro, o ministro da propaganda do ditador Salazar, quando estava em preparação a Exposição do Mundo Português de 1940. Inglaterra precisava de cerveja para abastecer as tropas britânicas estacionadas em Gibraltar durante a II Guerra Mundial. “Espanha não conseguia suprir a procura, porque estava também destruída, os torpedeiros alemães afundavam os barcos ingleses, e o embaixador propõe a António Ferro que Portugal fabrique uma cerveja para exportação a pensar nas tropas inglesas.” Nascia assim a Sagres. Uma referência “à grande epopeia dos portugueses, os primeiros inovadores do mundo global”, e com esta “uma marca para exportar com a iconografia portuguesa, o escudo e as quinas”.

Durante mais de um ano a Sagres saiu das fábricas portuguesas direta e exclusivamente para o rochedo às portas do Mediterrâneo, mas Humberto Pelágio – o primeiro e mais longo presidente da SCC – rapidamente percebeu que tinha em mãos um caso de sucesso. Pouco a pouco, as marcas que haviam criado a SCC em 1934 – a Jansen, a Portugália, a Estrela – foram desaparecendo e no fim ficou a Sagres.

Há ainda aquela outra história do lançamento da Sagres de 20 cl, que antes de ser Mini, foi Pequena. “Em 1972 lançámos a Mini… era fresca, leve e pequena… o nosso foco era o mercado do Alentejo porque a garrafa de 20 cl cabia facilmente nos cabazes de cortiça que os trabalhadores levavam para a jorna. Mas lançámo-la como Sagres Pequena, os alentejanos é que lhe chamaram Mini.” E foi tal a força dos consumidores que o nome mudou e a Mini passou a ser vendida em todo o país. “Aquilo que era uma coisa rural, tornou-se um ícone, um produto cosmopolita.”

Das termas para a mesa

As cervejas – além da Sagres, a SCC comercializa a Heineken e a Guiness, por exemplo, e ainda sidras – representam 86% das vendas da empresa. O resto do volume de negócios vem da venda de água e refrigerantes. É difícil encontrar outra marca com maior identificação com Portugal. Luso, forma abreviada de lusitano, é sinónimo de português, mas é também o nome de uma das marcas de água mais vendidas em Portugal. De acordo com a consultora Nielsen, em 2015, a Água Luso respondia por 12,6% do mercado.

A marca nasceu em 1894 à sombra da estância termal com o mesmo nome – e que continua a ser propriedade da SCC. Tal como agora, a Luso engarrafada tem origem na água da chuva que se infiltra na Serra do Buçaco, em rochas formadas quase exclusivamente por quartzo. “A água infiltra-se e chega depois à profundidade necessária para, anos depois, ser captada e engarrafada diretamente da natureza”, explica Pinto Magalhães, garantindo que a concessão dada pelo Estado – e que se prolonga até 2065 – proíbe qualquer alteração à água que é captada. São tão importantes as características hidrogeológicas da Serra do Buçaco que a própria SCC, através da Fundação Água do Luso, se tem empenhado em garantir que se mantêm inalteradas. Nos últimos três anos, a empresa contratou ações de reflorestação com a organização ambientalista Quercus com vista a repor as espécies autóctones e combater as espécies invasoras, procurando garantir a conservação e biodiversidade da Serra do Buçaco. Anualmente são extraídos da serra mais de 174 milhões de litros, vendidos para mais de 25 mercados, mas entre os motivos de orgulho para a Luso está o fornecimento do exército norte-americano. Desde 1988 que a Luso abastece a base americana das Lajes, nos Açores, que obriga a uma rigorosa auditoria por parte do Public Health Command District, e que para a empresa funciona como carimbo de qualidade para se apresentar ao mundo.

A inovação faz parte do ADN da Luso, mas também da Sagres. Depois da Sagres sem álcool, em 2006, surgiram as cervejas e águas com sabores. “A inovação é determinante e o consumidor, o foco. Se não formos atrás do consumidor, a dada altura estamos a fazer um discurso que não lhe diz nada”, diz Pinto Magalhães, garantido que assim a empresa assegurará outros 82 anos de história. Pelo menos.

centralcervejas.pt
sagres.pt
sociedadeagualuso.pt

por Hermínia Saraiva

Arquivos

Números

650 trabalhadores na cervejeira

1041 garrafas de Sagres por minuto

252 milhões de litros de cerveja em 2015

43,1% quota de mercado em 2015

Exportação

Espanha, França, Itália, Brasil, EUA, China, África

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