Santiago de Compostela – Espanha

on Jul 1, 2010 in Lugares do mundo | No Comments

Em ano jacobeu, todos os caminhos vão dar a Santiago. Siga-nos e descubra o que leva milhares de peregrinos até ao “Campo das Estrelas”.

Um misto de religiosidade e de desafio desportivo com a busca do autêntico e de si mesmo, num percurso em que se cruzam estilos românicos e góticos com histórias de cavaleiros templários e monges beneditinos, atravessando bosques de faias e trigais, montanhas, rios e cidades fazem do Caminho de Santiago uma experiência única. Ainda mais, como é o caso de 2010, em Ano Xacobeo, que acontece sempre que o dia 25 de Julho, dia consagrado a São Tiago, calha a um domingo e, em Compostela (em cuja catedral termina a peregrinação), se abre excepcionalmente a Porta Santa.

Desde o descobrimento do túmulo do apóstolo Tiago, no século IX, que esta se tornou a mais importante rota de peregrinação da Europa medieval, sendo cruzada por fiéis vindos de todo o lado, o que terá contribuído para o desenvolvimento artístico, social e económico dos vários caminhos, nos quais se encontram ainda testemunhos e relíquias, monumentos e lendas sobreviventes ao devir da história.

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Esta viagem no tempo começa no ano de 812, quando um eremita, ao avistar um campo sobre o qual não paravam de cair milagrosas estrelas, descobriu o túmulo do apóstolo. Consta que o primeiro dos peregrinos foi o rei asturiano Afonso II, o Casto. Tomando aquele que é hoje conhecido como o Caminho Primitivo (Oviedo – Santiago), o monarca mandou construir uma igreja e um mosteiro no local, encarregando monges beneditinos de conservar o sepulcro e de assegurar o culto. Em poucas décadas, a crença e a fé, a par dos esforços das autoridades eclesiásticas para divulgarem o lugar sagrado – reforçando assim a reconquista cristã iniciada contra o Califado de Córdoba (muçulmano) – fazem de Compostela um destino de peregrinação tão importante como Roma e Jerusalém.

A partir do século X, as rotas dos caminhos vão-se consolidando com a construção de igrejas, mosteiros, hospitais, hospedarias, pontes e calçadas e os peregrinos multiplicam-se criando aquela que será uma das principais vias de intercâmbio cultural e artístico da Idade Média até ao século XIII. Por essa altura, as pestes e as divisões religiosas fazem decair a peregrinação, que só voltará a ganhar notoriedade nos finais do século XX, quando várias associações jacobeas, as autoridades locais e o Papa João Paulo II se empenham na recuperação do antigo vigor medieval dos caminhos. Reabrem-se antigos e novos albergues, editam-se roteiros e mapas e especializa-se a oferta turística das cidades históricas. Uma estratégia bem sucedida que culminaria com a classificação como Património da Humanidade atribuída pela UNESCO.

Diz um velho ditado que o Caminho de Santiago começa à porta de casa de cada um, verdade indesmentível durante a Idade Média, quando os peregrinos abandonavam as suas terras para ir e voltar a pé a Compostela, ficando muitas das vezes pelo caminho. Hoje, a peregrinação é bastante diferente e as dezenas de milhares de “caminheiros” percorrem rotas oficiais em que encontram todas as comodidades possíveis neste tipo de viagem. De alojamento a apoio médico, passando por merchandising e outros atractivos próprios de uma sociedade de consumo. Apesar disso, o objectivo continua a ser o mesmo: chegar a Santiago seguindo a sinalização e as setas amarelas. Seja a pé, de bicicleta ou a cavalo.

www.caminosantiago.org

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por Patrícia Brito

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