Sabedoria dos portugueses

on May 1, 2020 in Embarque Imediato | No Comments

O “pai” do turismo português” regista o seu amor ao país.

Tinha seis anos quando entrei pela primeira vez em Portugal. Vinha pelas mãos dos meus pais, com uma irmã de colo e uma prima da minha idade. Fugíamos da Polónia, onde lavravam as primeiras chamas da devastadora II Guerra Mundial. Deslumbrou-me a luz de Lisboa, aquele mar desconhecido que se me revelou na sua versão mais plácida. Mas, mais do que tudo, encantou-me a bonomia dos portugueses, e a algaraviada de uma língua completamente estranha, que estava longe de saber que viria a ocupar, em poucos anos, no meu dia a dia e no meu coração, o lugar da língua materna. Ainda falo polaco, o inglês tornou-se a minha língua franca de trabalho nas andanças pelo mundo, mas é em português que vivi e vivo a maior parte do tempo.

Tantos anos passados, mudou esse mundo mais do que qualquer um poderia imaginar. E aqui está Portugal, ainda mais mudado do que qualquer outra geografia. Mas preservaram os portugueses o melhor de si mesmos e da sua terra. A modernidade, com o seu extraordinário cortejo de infraestruturas, não roubou a Portugal a tranquilidade pública nem o encanto dos seus ambientes e paisagens naturais. A globalização, que tanto igualizou as sociedades, de certa forma começou com este povo e a com a sua aventura marítima, este ano celebrada na fantástica viagem de Magalhães. O mundo encolheu e agora todos vivemos com todos. Tiveram os portugueses a sabedoria de guardar, para dar ao mundo, uma hospitalidade como não conheço outra.

Criado no Brasil e nos EUA, aqui encontrei, faz agora meio século, oportunidades, amigos, aqui vejo hoje crescer os meus netos, com muitas mais oportunidades e recursos, mas a mesma paz e segurança. Podemos vir para estudar, trabalhar e ficar, ou apenas para passar um par de dias e saborear a boa comida. Portugal e os portugueses têm a arte de nos seduzir, revelando-nos um estilo de viver surpreendentemente original.

Considerado pioneiro no turismo de qualidade, também fui pioneiro na presença de brasileiros em Lisboa. A TAP é responsável, em grande parte, nos tempos modernos, por que cada um dos dois povos se descobrissem um ao outro, levando, através do Atlântico dos aviadores Sacadura Cabral e Gago Coutinho, milhões de pessoas que foram conhecer o país do outro e se apaixonaram.

 

por André Jordan

Arquivos

André Jordan



(Polónia, 1933) Viveu no Brasil, EUA, Buenos Aires, Nova Iorque, Paris, Londres, Espanha. Em 1970 veio para Portugal criando empreendimentos emblemáticos de turismo e habitação no Algarve e região de Lisboa (Quinta do Lago, Vilamoura XXI, Belas Clube de Campo).

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