Portugal saudável

on Aug 1, 2017 in Partida | No Comments

O turismo de bem-estar é uma das riquezas maiores do país. A magnífica diversidade natural do território convida a experimentar termas revigorantes, montanhas de ar puríssimo, praias de águas e areias benéficas e uma série de estâncias com tratamentos alternativos. De norte a sul e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, todas as regiões convocam saúde. Este é o nosso roteiro para umas férias sãs, belas e luminosas.

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1 /// TERMAS

Vamos a banhos!

A água era sagrada para os povos da Antiguidade e está desde então ligada à saúde e bem-estar. Os gregos associavam os banhos públicos a Esculápio, o deus da medicina, e a hidroterapia era para eles uma cura física e espiritual, mas foram os romanos que espalharam a “moda” pelo império, fundando inúmeras termas. O termalismo regressou aos hábitos sociais em meados do século XIX e voltou a estar na berra neste princípio de século.

No tempo dos romanos, as termas eram também locais de preparação física, de lazer, de cultura e de convívio social dos mais ricos – como atesta a monumentalidade das termas de Roma (saiba mais na página 120) e, em Portugal, as de Conímbriga (Coimbra), Miróbriga (Santiago do Cacém), Pisões (Beja), Cetóbriga (Setúbal), Aqua Flaviae (Chaves) ou Alafões. Estas últimas ainda estão em funcionamento – São Pedro do Sul. No período que corresponde à Belle Époque, o termalismo voltou a ser muito procurado. No entanto, sendo já encarado no seguimento da revolução científica, viu-se acompanhado do estudo físico-químico das águas minerais e da interpretação das suas propriedades. Este período coincide com uma época de fausto para a aristocracia e para a burguesia, transformando as estâncias termais num rendez-vous social e dando origem à moda de “ir a banhos”. A partir dos anos 30 do século XX as termas europeias entram em declínio, devido às crises económicas e políticas e ao desenvolvimento da indústria farmacêutica. A moda de ir para as termas é substituída pela de ir para a praia.

O ressurgimento em Portugal coincide com a Revolução de Abril de 1974, que levou à criação do Sistema Nacional de Saúde. Este, reconhecendo os benefícios do termalismo, comparticipa-o, o que provoca um aumento do número de “aquistas”. Na sequência, os concessionários dos estabelecimentos termais investem na renovação dos espaços, dotando-os de equipamentos com qualidade tecnológica e científica. Por outro lado, o progresso vertiginoso da medicina e a melhoria das condições de vida fizeram com que a população com mais de 65 anos duplicasse nos últimos 40 anos. Ora, segundo a Organização Mundial de Saúde: “Não basta dar anos à vida. É preciso dar vida aos anos”. E neste capítulo, os benefícios termais são inequívocos.

termasdeportugal.pt

Gerês 

Estas termas ficam no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, considerado uma das maravilhas do país. A imersão na natureza e a ingestão das águas termais – que atuam ao nível da regeneração das células – são os antídotos ideais para restabelecer o equilíbrio, mas também para prevenir e tratar certas patologias, como doenças do fígado e da vesícula, obesidade, diabetes e hipertensão arterial. Além do balneário, com instalações renovadas e requalificadas, as termas dispõem de um moderno spa.

Época termal: 1 de maio – 31 de outubro /// termasdogeres.pt

Pedras Salgadas 

Utilizadas desde sempre pelos locais, as águas de Pedras Salgadas tornaram-se mundialmente famosas depois do prémio conquistado em 1873 na Exposição Internacional de Viena, na Áustria, reconhecendo o seu valor salutar. Após décadas de abandono, o edifício termal foi recuperado para spa em 2009 pelo arquiteto Siza Vieira, que lhe devolveu o carisma. A célebre Água das Pedras tem propriedades terapêuticas reconhecidas pela comunidade científica, sendo indicada para problemas metabólico-endócrinos e digestivos. O spa inclui salas de tratamento, de massagem e relaxamento, piscina, sauna e hammam.

Época termal: todo o ano /// pedrassalgadaspark.com

Vidago 

À propriedade das águas, junta-se um hotel histórico, o Vidago Palace, em tempos frequentado pela burguesia chique e pela realeza que aqui vinha a banhos. A par da recuperação do edifício do hotel, também as termas tradicionais foram reconvertidas em spa, pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira (Prémio Pritzker 1992). Com 20 salas de tratamentos, piscina interior, piscina exterior de vitalidade, banho turco, sauna, fonte de gelo e duches de sensações, o spa utiliza a água mineral de Vidago nos programas termais tradicionais e em terapias inovadoras. Estas águas são indicadas para doenças do sistema nervoso, do aparelho digestivo, do aparelho respiratório, da pele e do sangue.

Época termal: todo o ano /// termasdeportugal.pt/estanciastermais/termas-de-vidago

Luso 

Rodeadas pela bucólica serra do Buçaco, estão abertas ao público desde 1852 por influência do cirurgião Agostinho Dias da Graça, admirador das qualidades terapêuticas da Água dos Banhos de Luso, sobretudo em maleitas relacionadas com a pele. A fama das curas rapidamente se espalhou, trazendo até à vila do Luso várias cabeças coroadas. Requalificado um século mais tarde, o edifício das termas foi projetado para permitir, a par do termalismo clássico, o usufruto do Spa Termal e do Centro Médico vocacionado para as reabilitações física e cardíaca. No que respeita a terapias, as águas do Luso são indicadas para afeções do aparelho reno-urinário, hipertensão arterial, reumatismo e afeções respiratórias e do aparelho circulatório.

Época termal: todo o ano /// termasdeluso.pt

São Pedro do Sul 

Com mais de dois mil anos de histórias de sucesso, têm uma média anual de 20 mil aquistas que, além dos benefícios das águas, procuram a tranquilidade da natureza em redor e o ar puro que chega das serras. A infraestrutura dispõe de dois balneários termais, o Rainha D. Amélia e o D. Afonso Henriques, ambos modernamente equipados, tal como o Real Spa. As águas de São Pedro do Sul são indicadas no tratamento de doenças do aparelho respiratório, reumáticas, músculo-esqueléticas e metabólico-endócrinas. Igualmente reconhecido é o serviço de fisioterapia.

Época termal: todo o ano /// termas-spsul.com

Unhais da Serra 

O Aquadrome é um dos maiores da Europa. Ligado ao H2otel, disponibiliza serviços integrados de spa medicinal e atividades ao ar livre que lhe permitirão aproveitar os bons ares da Serra da Estrela. O Aqua Termas, que utiliza a água mineral de Unhais da Serra no tratamento de problemas respiratórios, reumatismo, distúrbios do aparelho digestivo e circulatório. O Aqua Corpus, com uma área de wellness composta por ginásio, massagens e tratamentos de estética. O Aqua Fisio, centrado em técnicas de fisioterapia e osteopatia para reabilitações mais melindrosas. E o Aqua Ludic, espaço lúdico com banho turco, hammam, sauna, duches de contraste, Laguna Pequena com jacuzzis e hidromassagem e Laguna Grande com piscinas climatizadas exterior e interior.

Época termal: 1 de março – 30 de novembro /// aquavillage.pt

Caldas de São Paulo 

As Caldas de São Paulo nunca tiveram um balneário próprio, mas as suas águas sulfurosas atraiam as populações em redor que a elas recorriam para tratar dermatoses e reumatismo, banhando-se em casa dos moradores da aldeia a troco de pagamento. Atualmente a principal fonte termal faz parte do Aqua Village Health Resort & Spa, que aproveita as benéficas águas e o enquadramento natural nas oníricas margens do rio Alva, proporcionando um verdadeiro banho de natureza. Nas imediações há praias fluviais, trilhos para percorrer e aldeias históricas para visitar nos contrafortes da serra da Estrela.

Época termal: todo o ano /// aguas.ics.ul.pt/coimbra_spaulo.html

Caldas de Monchique 

Há mais de dois mil anos que os romanos descobriram as propriedades das águas que brotavam da serra de Monchique, classificando-as de águas sagradas. A fama era tal que quando adoeceu, no final do século XV, o rei D. João II procurou aqui tratamento para o seu mal (supõe-se que tenha sido envenenado). No século XVII, o bispado de Faro desenvolveu as infraestruturas que permitiam aproveitar os poderes curativos das águas termais a 32° – bicarbonatadas, sódicas e ricas em flúor – que ainda hoje são recomendadas para doenças respiratórias, musculares e reumáticas. Refúgio atrativo, com elegantes casas do século XIX, levou a vila algarvia a ser apelidada de “Sintra do Algarve”.

Época termal: todo o ano /// monchiquetermas.com

 

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2 /// MONTANHA

Sempre a subir!

De entre os benefícios resultantes de umas férias na montanha comprovados cientificamente, destacam-se a melhor qualidade do ar; a perda de peso, uma vez que há um maior gasto de calorias; e o menor risco de desenvolver doenças cardíacas. Paralelamente, é ponto assente que as férias na montanha aumentam a nossa propensão para a prática de atividades físicas com ganhos para o corpo e para a mente. A maior proximidade do sol leva a um aumento da produção de serotonina, a hormona da felicidade, que ajuda a combater estados de ansiedade, depressão ou stress e o mesmo se diga dos aromas da vegetação que agem como relaxantes, atuando sobre a qualidade do sono.

Ao contrário dos grandes sistemas montanhosos europeus, as montanhas portuguesas têm, em geral, altitude pouco elevada. As que se encontram acima dos 600 metros ocupam cerca de 11% da superfície continental, concentrando-se no norte e centro do país (40%). Acima dos 1100 metros encontra-se menos de 0,5% do território português. Contudo, isto não impede que as áreas de montanha sejam cada vez mais procuradas como alternativa de férias. Os visitantes sentem-se atraídos pelo clima, pelo ar puro, pelas paisagens, pela vida selvagem, pela beleza pitoresca, pela cultura local, pela história e pelo património que resiste à voragem dos tempos, ajudando a manter ativo o modo de vida tradicional, o conhecimento popular, o folclore e o artesanato. Escolhemos algumas das que, no território continental e ilhas, poderão ajudá-lo a recobrar energias, ao mesmo tempo que disfruta da beleza natural e de um riquíssimo património cultural e gastronómico. Vá pelo seu pé, mas siga as regras, respeitando quer a natureza, quer a sua segurança.

icnf.pt/portal/ap/nac/parq-natur

Serra da Estrela 

A maior e mais alta montanha de Portugal Continental (1993 metros) revela toda a sua diversidade e beleza ao virar de cada curva: lagoas, pastagens, carvalhais, florestas, glaciares, nascentes de rios e formações rochosas cuja imponência nos deixa emudecidos no meio do silêncio. Lá do alto, do cimo da Torre, avista-se o mundo. Sugerimos-lhe que percorra alguns dos 375 quilómetros de trilhos que existem no Parque Natural e que têm vários graus de dificuldade. Escolha aquele que se adequa à sua condição física, entre eles as grandes rotas: Rota das 25 Lagoas, Rota dos Rios e Rota dos Glaciaress. Quando chega o inverno e cai neve, a serra é o único sítio do país com infraestruturas adequadas à prática de desportos como esqui ou snowboard. Mas para além da neve, há outras imagens de marca que fazem dela um destino muito procurado. As aldeias e vilas históricas, os cães pastores da raça Serra da Estrela, o melhor queijo do mundo, trutas fresquíssimas, lãs, burel e outro artesanato.

icnf.pt/portal/ap/p-nat/pnse

Pico 

Na ilha do Pico, arquipélago dos Açores, esta é a montanha mais alta do país, com 2351 metros. Tem origem num vulcão, cuja cratera central, o Pico Grande, fica no cimo da montanha. No seu interior eleva-se um cone de lava de 70 metros conhecido por Piquinho. O trilho tem uma extensão de 7,5 quilómetros e um desnível de 1100 metros, iniciando-se na Casa da Montanha (a 1230 metros), onde os caminhantes têm de registar-se. Há vários pontos de interesse geológico, como algares, túneis lávicos, crateras fósseis e depósitos piroclásticos (fragmentos de rochas expelidos por vulcões). Em redor do vulcão sobressaem centenas de pequenos cones de escórias basálticas e uma vintena de lagoas. Outros pontos de interesse da ilha são as vinhas em currais de lava vulcânica (Património da Humanidade), os campos de lava basáltica a que os locais chamam Mistérios, a Gruta das Torres, um enorme tubo lávico, e as fajãs.

Pico Ruivo 

Na Madeira, sugerimos-lhe uma subida à terceira montanha mais alta de Portugal. Com 1862 metros, está muito bem acompanhado por outros dois Picos, o das Torres e o do Areeiro, de onde se alcançam vistas de cortar a respiração quando a visibilidade o permite, já que muitas vezes os cumes pairam acima das nuvens. Existem vários trilhos para chegar ao topo. Entre estes há a denominada Vereda da Ilha, de 8,2 quilómetros, com a vantagem de ser quase sempre a descer, cruzando dois importantes ecossistemas, o maciço montanhoso central e a floresta laurissilva, com riquíssima fauna e flora.

ifcn.madeira.gov.pt

Peneda-Gerês 

Fica em terras do Minho e de Trás-os-Montes e nos mais de 70 mil hectares do Parque Nacional da Peneda-Gerês encontramos quatro serras com cotas acima dos 1500 metros: Gerês, Penedo, Soajo e Amarela. Neste idílico mundo natural há inúmeros percursos para descobrir alguns dos lugares mais remotos do país. Desde as áreas selvagens onde existem lobos, texugos, lontras, veados e póneis selvagens até às aldeias de granito que pouco mudaram desde que Portugal foi fundado, no século XII, passando por lagos, cascatas e riachos. De entre os muitos lugares imperdíveis, selecionámos alguns que poderão ajudá-lo a escolher o seu itinerário. Começamos por Castro Laboreiro, vila famosa pelos cães da raça com o mesmo nome e pela herança histórica e arqueológica. Também merece visita o Soajo, pelo conjunto de 24 espigueiros e pelas lagoas junto ao rio Adrão, ideais para um mergulho. Perto da fronteira com Espanha, Lindoso é conhecida pelo Castelo do século XIII e pelos mais de 50 espigueiros. Igualmente famosa, a aldeia medieval de Pitões das Júnias tem para ver as ruínas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, do século XII. Considere ainda visitar os Santuários de Nossa Senhora da Peneda e de São Bento da Porta Aberta, em Terras de Bouro. Ou então percorra a pé os 30 quilómetros transitáveis da velha Geira Romana que ligava Braga a Astroga, em Espanha. O troço mais bem conservado fica na Mata da Albergaria, um carvalhal em estado selvagem. Para terminar em beleza, nada como um banho na Cascata do Arado.

icnf.pt/portal/ap/pnpg

Serra do Alvão 

Tal como Gerês, o Alvão fica na fronteira entre o Minho e Trás-os-Montes e ocupa uma área com formações graníticas e xistosas de grande interesse paisagístico e geológico. A fauna é diversificada e a flora inclui vegetação abundante e bosques de grande valor botânico pela sua biodiversidade. Na zona mais alta do parque natural fica a serra, que atinge os 1339 metros, e o planalto de Lamas de Ôlo. A principal curiosidade são as Cascatas de Fisgas do Ermelo, mas existem vários trilhos que o ajudarão a percorrer, consoante o grau de dificuldade, o vasto património natural e cultural das redondezas. Aldeias rurais, barragens, rios, campos de cultivo, lameiros, carvalhais, pinhais e pequenos bosques de bétulas, a paisagem não se esgota, renovando-se a cada estação do ano.

dourovalley.eu

Serra do Caramulo 

Situada na transição entre a Beira Alta e a Beira Litoral, combina florestas e zonas de vegetação rasteira com riachos de água cristalina e pequenas cascatas, e com as aldeias de granito que se implantaram nos recortes da paisagem. No início do século XX, os ares saudáveis da serra levaram à fundação do sanatório e a vila do Caramulo rapidamente se tornou numa estância de saúde, bem-estar e lazer. Vá pelo seu pé por uma das várias rotas demarcadas da região. A do Caramulinho, com cerca de oito quilómetros, é a mais popular, mas há ainda as rotas dos Laranjais, do Linho, das Cruzes e dos Caleiros, e o trilho Terras de Granito. Os amantes da natureza têm ainda para visitar a Reserva Botânica do Cambarinho.

cm-tondela.pt

 

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3 /// PRAiA

 Bendito mar, benditas areias

Parece ter sido na China que a relação entre a saúde e o mar teve origem. Há quatro mil anos o imperador Fu-Shi defendia que beber água do mar e comer algas e sais recuperava e conservava a saúde. Muito depois, vários médicos e investigadores compararam a água do mar com o plasma do sangue e descobriram componentes similares. Já no final do século XIX e início do século XX, os benefícios nos tratamentos da cólera, tiroidismo, desnutrição, artrites e artroses, problemas de pele e ainda estados de ansiedade vieram confirmar as vantagens do seu uso.

Descobriu-se que a água do mar contém micronutrientes como o iodo ou o zinco, e químicos como o cloro, sódio, sulfato, magnésio, cálcio e potássio. O iodo, um dos principais componentes, estimula a tiroide e tem um efeito positivo no sistema circulatório. Mas há várias formas de usufruir das praias: nadar ou simplesmente estar no mar relaxa os músculos, recupera lesões e reabilita pós-operatórios. Respirar a brisa do mar é indicado em problemas respiratórios. O magnésio da água ajuda a eliminar a ansiedade, tal como simplesmente passear junto ao mar. O sal e a textura da areia servem de esfoliante natural e favorecem o rejuvenescimento das células, além do vai e vem das ondas, que tonifica os músculos.

Por outro lado, as argilas, muito utilizadas em tratamentos estéticos, servem de esfoliante, absorvem toxinas, eliminam bactérias, desintoxicam e promovem a reconstituição dos tecidos. As algas são ricas em proteínas, vitaminas e minerais indispensáveis à pele, mas também ajudam, ingeridas, na redução do colesterol e a prevenir a hipertensão.

As funções terapêuticas dos banhos de mar chegaram a Portugal pelo menos no final do século XVIII. As descrições dos banhos do rei D. João VI no Brasil, que mandou construir um barril de madeira porque tinha medo de ser mordido por caranguejos, marcam o início da era de “ir a banhos”. A moda reforçou-se no século XIX com todos os areais perto de Lisboa a surgirem como zona de veraneio das elites, fazendo do Estoril e de Cascais a “Riviera portuguesa”. Uma das nossas praias mais saudáveis fica nessas imediações, na Parede. Siga-se um roteiro que se estende a norte  e a sul, e na ilha da Madeira.

Moledo, Viana do Castelo 

A extensa área de areias finas junto do pinhal mandado plantar pelo rei D. Dinis (séculos XIII-XIV) proporciona aos visitantes paisagens de uma incrível beleza natural, com uma presença de iodo acima do normal. Esta praia do Norte de Portugal é muito procurada pelas suas propriedades terapêuticas e pelas infraestruturas de apoio. Em frente à praia surge o inesperado Forte da Ínsua, numa pequena ilha rochosa com acesso por barco.

Consolação, Peniche 

O Forte da Praia da Consolação divide a praia a meio. A sul, é conhecida pelo iodo acumulado junto a uma zona de rochas, com uma exposição ao sol e condições naturais que favorecem, entre outras terapêuticas, os tratamentos à coluna e doenças de ossos. Do lado norte, o areal com vários quilómetros é mais apropriado para os amantes do surf e windsurf.

Magoito, Sintra 

No areal destaca-se um passadiço de madeira em rampa, que facilita o acesso a pessoas com mobilidade reduzida. Rica em iodo, com uma extensão substancial de areia dourada e um mar azul, a praia do Magoito, de onde se pode ver o Cabo da Roca, está junto de uma duna fóssil consolidada, formada pela acumulação de areia em resultado das forças do vento e do mar. O Forte de Santa Maria, construído no início do século XVIII, integra uma série de outras fortificações que constituíam o sistema defensivo da costa.

Vau, Portimão 

As arribas são suaves no Vau, no Algarve. Ficou famosa em Portugal por ser a praia preferida do antigo presidente da República Mário Soares. É conhecida pelo iodo e pela argila que se desprende das suas falésias e que produz efeitos benéficos para a pele. O enquadramento cénico privilegiado, com inúmeros recantos e pequenas enseadas, convida a passeios de lazer entre arcos e grutas que se projetam para o mar.

Avencas, Parede 

Procurada sobretudo por quem tem problemas de ossos ou articulações, a praia, na proximidade de Lisboa, possui arribas rochosas classificadas, pelo interesse ecológico, como Zona de Interesse Biofísico. Um espaço caracterizado pela abundância de flora e fauna. A planta que dá nome à praia tem tradição no uso medicinal como calmante para a tosse ou para tratar problemas no couro cabeludo. E tem a fama de afastar o mau olhado.

Porto Santo, Madeira 

Não é incomum ver um banhista enterrado na praia até ao pescoço. A areia do Porto Santo é carbonatada biogénica. A areia fina e que adere ao corpo com facilidade é rica em minerais como magnésio, cálcio, fósforo, enxofre e estrôncio (um anti-inflamatório natural). É usada sobretudo para doenças reumáticas e ortopédicas.

 

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4 /// ALTERNATiVO

Em bom espírito

Estimular o corpo e a mente a partir de terapias não convencionais tem cada vez mais adeptos. Aqui explicamos as mais procuradas. Selecionámos também uma série de unidades hoteleiras e ainda um centro budista que, nos seus spas e retiros, recorrem a muitas destas práticas – conheça-os todos nas páginas 110-113.

Shiatsu, reiki, reflexologia

Do Japão, o shiatsu é uma técnica de massagem que tem por base a aplicação de pressão, principalmente dos polegares, em determinados pontos do corpo, conhecidos por meridianos. A medicina tradicional chinesa e a medicina tradicional japonesa acreditam na existência de fluxos de energia ao longo do corpo. Redescoberto no país do sol nascente, no século XIX, o reiki é outra prática terapêutica. Proporciona paz, bem-estar e equilíbrio através de um toque suave ou a uma curta distância do corpo. Há hospitais que o usam em complemento de cuidados paliativos. Também para relaxar e melhorar a saúde, de forma eficaz e duradoura, a reflexoterapia (a utilização terapêutica da reflexologia) trata áreas específicas como as plantas das mãos e dos pés.

Ioga

A prática de ioga consiste em atingir o bem-estar e o controlo físico e mental através de um conjunto de exercícios físicos e respiratórios. Nesta disciplina espiritual indiana percorre-se em direção a um sentido de vida mais profundo de forma a chegar a um estado de harmonia, paz e serenidade, em que se eleva o autoconhecimento e a integração com o mundo exterior. Concentração, relaxamento e respiração são os seus pilares fundamentais.

Meditação

O termo refere-se a técnicas adotadas por algumas religiões como o cristianismo, o islamismo, o judaísmo, o taoismo ou o xamanismo. As definições de meditação de cada podem ser diferentes mas, em comum, apontam para uma realidade interior e para a sua compreensão. Do relaxamento até à busca pelo nirvana, utilizando uma vela ou a natureza do corpo, os efeitos surgem na autodisciplina, na concentração e na consciência.

Talassoterapia

A combinação da água do mar, do ar marinho e das substâncias do mar num ambiente privilegiado resultam neste método terapêutico com fins curativos e preventivos. A talassoterapia é uma das maiores fontes de riqueza para o corpo e possui benefícios para os mais variados sistemas do organismo, com tratamentos centrados na hidratação e no tratamento da pele.

Acupuntura

Com origem na China, esta terapia milenar compreende a aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo para tratar doenças e promover a saúde. As agulhas filiformes são usadas para tratar doenças físicas e emocionais. Estimulam ainda a boa circulação de energias orgânicas e regulam e restabelecem o equilíbrio energético harmonioso do corpo.

Hammam

Tradição muito antiga da cultura árabe, também conhecida por banho turco, consiste em permanecer num ambiente quente e cheio de vapor. A sua utilização contribui para a eliminação de sais, gorduras e toxinas do corpo, e é benéfica para pessoas com excessiva retenção de líquidos. Promove ainda o relaxamento, reduz o stress e alivia as dores musculares.

Ayurveda

Um sistema milenar hindu de medicina tradicional indiana que restabelece o equilíbrio no corpo através da dieta, estilo de vida, exercícios e limpeza do corpo e do espírito. Este sistema é ainda baseado em teorias de saúde e de doença e em métodos de prevenção e tratamento de problemas de saúde.

 

por Patrícia Brito, Augusto Freitas de Sousa e Manuel Simões

Arquivos

Observatório para a sustentabilidade

A sustentabilidade está no centro do plano de ação para o Turismo de Portugal até 2020 e o seu principal objetivo é afirmar o turismo como hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território. E posicionar o país com um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo. A criação de um observatório de sustentabilidade no Alentejo é uma das medidas a concretizar. Ainda na região, o concelho de Castro Verde tornou-se recentemente na 11ª Reserva da Biosfera da UNESCO (a primeira a sul do rio Tejo).

turismodeportugal.pt

 

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