Porto x100

on Oct 1, 2017 in Partida | No Comments

 

A cidade não se explica, sente-se e vive-se. Raramente permite uma relação intimista fugaz. Celebrar o sol do Norte, sorrir no dia em que o frio combina mar, rio e granito, ou rir entre a chuva que demora a partir, não é para todos. O vínculo é sanguíneo, orgulhoso e incompreensível. Invicto, sempre. Isto, e bastante mais – sabores, ideias, recantos, visões, elementos únicos – mostramos na voz de dez mulheres e homens que conhecem muito bem esta terra.

 

10 OBRAS DE ARTE /// por Suzanne Cotter

O Porto é um lugar “de artistas, cuja arte expressa a cidade de forma significativa”. Uma urbe que encanta pelo conjunto de “felizes coincidências” de quem anda pela rua. A diretora artística do Museu de Serralves  traça-nos o roteiro que se impõe.

Escultura sem título /// Ângelo Sousa

Edifício Burgo \\\ Avenida da Boavista, 1837

Ângelo de Sousa, um dos “mais emblemáticos artistas do Porto”, concebeu esta monumental escultura vermelha e verde por encomenda do arquiteto Souto de Moura. A peça “rivaliza com o trabalho dos grandes escultores que podemos ver em espaços públicos e praças em todo o mundo”.

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Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular /// Alves de Sousa

Rotunda da Boavista

A peça está no centro da Rotunda da Boavista. Simboliza o domínio de Portugal e Reino Unido sobre Napoleão. O leão sobre a águia. “Numa cidade tão elegante quanto o Porto, a escultura é impressionante na sua expressão de força bruta”. A vista nunca será tão “dramática como o close up que se tem a partir do terraço do bar da Casa da Música. Inesquecível”.

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Treze a Rir Uns dos Outros /// Juan Muñoz

Jardim da Cordoaria

Uma das características do Porto é a capacidade da cidade de se dar a conhecer aos poucos, numa “espécie de experiência slow food”. “É assim que um caminhante desprevenido pode tropeçar nas enigmáticas esculturas do catalão Juan Muñoz. A total integração desta obra cativante de um dos grandes artistas do final do século XX é, para mim, outro exemplo de como a cidade vive a arte: é inesperado e inspirador”.

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Salão Árabe

Palácio da Bolsa \\\ palaciodabolsa.com

Projetado por Gonçalves de Sousa e construído entre 1862 e 1880, é um “exemplo de cortar a respiração” do neomourisco. Inspirado no Palácio de Alhambra, em Granada, “o esquema decorativo da sala de madeira esculpida pintada e estofada a folha de ouro é o legado da arte e cultura islâmica que parece ter sido absorvida por uma grande parte da estética visual em Portugal”.

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Flores Agrestes /// António Soares dos Reis

Museu Nacional de Soares dos Reis \\\ museusoaresdosreis.gov.pt

O busto de uma jovem “esculpido de forma requintada”, de 1881, está no museu homónimo do escultor, que acolhe “a melhor coleção de arte do século XIX e início do século XX da cidade”. “É impossível ficar indiferente à beleza delicada” que “evoca o Porto romântico, no qual a literatura e as artes floresceram num período de dinamismo e confiança intelectual, espírito que continua a nutrir a vida dos seus habitantes”.

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Fons Vitae

Museu da Misericórdia do Porto \\\ mmipo.pt

A pintura Fons Vitae (1515-17), atribuída ao flamengo Colijn de Coter, retrata o rei de Portugal D. Manuel I ajoelhado na base de Cristo crucificado. “A qualidade e a sofisticação da execução e da iconografia oferecem uma perspetiva da importância da instituição [a Misericórdia] dedicada a atos de caridade e ao cuidado dos mais desprotegidos. Que a história de uma missão tão fundamental possa ser percebida pela arte é inspirador.”

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O Anjo Mensageiro ou Gabriel /// Irene Vilar

Foz do Douro

A escultura de 2001 de Irene Vilar é obrigatória durante os passeios de Suzanne pelo Passeio Alegre. “O Porto é, historicamente, uma cidade de mercadores, mas à medida que nos aproximamos do Atlântico, é também uma cidade de pescadores e das suas comunidades. Ver a imagem bonita de um anjo parado, olhando o mar, evoca em mim sentimentos de antecipação e ansiedade que imagino sejam parte da existência de qualquer pessoa ligada a esta vida.”

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Wall Drawing #113 /// Sol LeWitt

Museu de Serralves \\\ serralves.pt

O desenho Wall Drawing #113 (Arcs from Four Corners) do americano LeWitt foi realizado em 2016 numa das paredes do museu. “De uma premissa extremamente simples de traçar uma sequência de linhas em arco que emanam dos quatro cantos da parede, surge um padrão complexo em que as linhas se cruzam, sobrepõem e irradiam uma vibração ótica que muda consoante a luz e a posição.”

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Museu de Serralves /// Álvaro Siza Vieira

serralves.pt

Suzanne Cotter fala do “privilégio de passar os dias” no Museu Serralves, que diz ser um dos mais bonitos da Europa. “Além do prazer físico e intelectual que se tem por estar e andar no edifício e da relação que Siza estabeleceu entre o espaço interior da ‘cultura’ e a natureza exterior, há uma harmonia única com o mobiliário e equipamentos.”

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Douro, Faina Fluvial /// Manoel de Oliveira

A última escolha de Suzanne Cotter não obriga a uma deslocação ao Porto, é antes uma viagem em si. Douro, Fauna Fluvial (1931), o primeiro filme de Manoel de Oliveira, é um dos “mais emblemáticos trabalhos de arte feito” sobre a cidade. “Ainda que ofereça uma visão distante do Porto, a sua eloquência e poesia, a sua verdade, não podem ser negados.”

 

10 LUGARES MUSICAIS /// por Manuela Azevedo

A vocalista dos Clã diz-nos por onde devemos andar para ouvir a melhor música ao vivo (e não só) na cidade.

Casa da Música

Avenida da Boavista, 604-610 \\\ casadamusica.com

“Neste edifício (de visita obrigatória) há uma cuidada e variada programação musical – da erudita e contemporânea ao jazz, pop-rock, world music – e um precioso laboratório de criação e trabalho sobre a música, que tem como frutos o Remix Ensemble, as orquestras Sinfónica e Barroca, o Coro ou ainda o excelente trabalho do seu Serviço Educativo.”

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Coliseu + Passos Manuel

Rua de Passos Manuel, 137 \\\ coliseu.pt \\\ facebook.com/passosmanuelporto

“O Coliseu é a mítica sala de espetáculos. Por este palco passam os grandes nomes da música nacional e internacional. No edifício existe ainda um espaço mais underground: o club Passos Manuel. Mantém a pequena sala de cinema homónima e acolhe pequenos concertos, oferendo uma programação alternativa.”

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Rivoli

Rua do Bonjardim, 143 \\\ teatromunicipaldoporto.pt

“Este teatro municipal oferece uma programação rica em qualidade e variedade – música, teatro e dança –, privilegiando as propostas mais contemporâneas nestas áreas. O cinema é outra das ofertas, destacando-se o Fantasporto, emblemático festival de cinema fantástico.”

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Hard Club

Praça do Infante D. Henrique \\\ facebook.com/hardclubporto

“No Hard Club privilegia-se o rock mais pesado e o som do heavy metal liga bem com as características arquitetónicas do edifício, o antigo Mercado Ferreira Borges. Para quem queira jantar antes do concerto, pode experimentar o restaurante N’O Mercado, no piso superior.”

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Mercado Porto Belo

Praça Carlos Alberto

“Um dos meus locais favoritos é a área da Praça Carlos Alberto. Aos fins de semana há o Mercado Porto Belo, feiras onde se pode encontrar velhos (e novos) vinis, artigos vintage, pão caseiro, compotas, artesanato urbano… Ao lado fica o Aduela, um dos bares de vinho mais populares da cidade.”

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Plano B

Rua de Cândido dos Reis, 30 \\\ planobporto.com

“A Rua da Galeria de Paris, e tudo em volta, é uma das mais animadas e festivas para se viver a noite. Mesmo ao lado fica o Plano B, um club com programação de festas, noites de DJs e concertos de música alternativa. Para se dançar noite fora…”

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Primavera Sound

Parque da Cidade \\\ nosprimaverasound.com

“É no Parque da Cidade que acontece um dos mais importantes festivais internacionais de música: o Primavera Sound. Se escolherem o final do mês de maio e início de junho para visitar o Porto, espreitem a programação. Vale bem a pena a visita para assistir a excelentes concertos num dos mais bonitos e confortáveis recintos que conheço.”

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Noites Ritual

Jardins do Palácio de Cristal  \\\ facebook.com/festivalnoitesritual

“Muito perto do bairro à volta das ruas Miguel Bombarda, Breiner e Rosário – cheio de galerias, lojas e alguns bons restaurantes – fica o famoso Palácio de Cristal. É, ideal para um passeio ou um momento de relaxamento, mas é também onde se realiza, todos os verões, o festival de música Noites Ritual, com cartaz exclusivamente português.”

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Sonoscopia

Rua da Prelada, 33 \\\ sonoscopia.pt

“É uma associação cultural responsável por um trabalho muito interessante de divulgação e apoio de música e performances mais experimentais e marginais. A Sonoscopia programa também concertos, como o Pôr-do-Sol nas Virtudes, série de espetáculos musicais organizados em parceria com a Cooperativa Árvore, nos seus tranquilos jardins.”

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Serralves em Festa

serralves.pt

“Não poderia deixar de aconselhar uma visita a Serralves – ao excelente museu e maravilhosos jardins. Já assisti a concertos extraordinários em Serralves. Assim, há que consultar com atenção a agenda e participar na iniciativa Serralves em Festa, todos os verões.”

 

10 LUGARES DE VINHO /// por Sandra Tavares da Silva

Uma das mais bem sucedidas jovens produtoras do Douro indica-nos sítios perfeitos para erguer os copos.

Vinum

Rua do Agro, 141 \\\ vinumatgrahams.com

“Localizado nas caves da Graham’s com uma vista magnífica, o Vinum proporciona uma boa experiência e seleção de vinhos do Porto.”

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Páteo das Flores

Rua das Flores, 135 \\\ facebook.com/pateodasfloreswinebar

“Espaço muito bonito, onde nos sentimos bem. É um bar de vinho que serve bons petiscos elaborados pelo chef Pedro Mourão e onde temos uma seleção de mais de 100 vinhos, na maioria da região do Douro.”

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Antiquum

Rua de Entre-Quintas, 220 \\\ antiqvvm.pt

“Situado no antigo Solar do Vinho do Porto, na cave do bonito edifício da Quinta da Maceirinha, é um local mágico com uma vista sublime sobre o rio Douro. Podemos apreciar uma grande seleção de vinhos do escanção António Lopes e os pratos elaborados pelo chef Vítor Matos [com uma estrela Michelin].”

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Casa de Chá Boa Nova

Avenida da Liberdade, 1681, Leça da Palmeira \\\ casadechadaboanova.pt

“Grande seleção de vinhos sob a orientação do escanção Carlos Monteiro, e a enorme criatividade do chef Rui Paula [uma estrela Michelin].”

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Garage Wines

Avenida Menéres, 681, Matosinhos \\\ garagewines.pt

“Garrafeira de Ivone Ribeiro, muito conhecedora e entusiasta, que irá proporcionar fantásticas escolhas e bem surpreendentes.” Fica na bela cidade de Matosinhos.

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O Paparico

Rua de Costa Cabral, 2343 \\\ opaparico.com

“Um clássico da cidade do Porto onde a atmosfera acolhedora se alia a uma gastronomia tradicional e ótima seleção de vinhos.” Um dos lugares preferidos na cidade da equipa da revista Wine Spectator.

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Tio Pepe

Rua Engenheiro Ferreira Dias, 51 \\\ garrafeiratiopepe.pt

“Garrafeira familiar com 25 anos de existência, com a experiência da família Cândido da Silva, é um excelente local onde pode encontrar uma enorme seleção de vinhos do Porto e de mesa, na maioria nacionais, com excelente atendimento.”

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Augusto da Foz

Rua do Passeio Alegre, 924 \\\ augustofoz.com

“Uma das garrafeiras mais tradicionais do Porto, fundada por Alberto Augusto Leite e a funcionar na área da Foz desde 1954, onde podemos encontrar uma excelente seleção, aliada a uma grande competência e dedicação de toda a equipa.”

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Wine Quay Bar

Muro dos Bacalhoeiros, 111-112 \\\ winequaybar.com

“Pertence ao simpático casal Filipa e Moisés, encontra-se no lindíssimo Muro dos Bacalhoeiros, na zona emblemática da Ribeira, e merece mesmo uma visita pela grande seleção de vinhos e pela atmosfera e vista sobre o rio Douro.”

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O Gaveto

Rua Roberto Ivens, 826, Matosinhos \\\ ogaveto.com

“Excelente marisqueira em Matosinhos onde a grande frescura de sabores do mar está aliada ao fantástico serviço de vinhos e simpatia da equipa. Experimente-se os néctares concebidos para a casa: Gaveto verde (Anselmo Mendes), branco e tinto Douro Niepoort e rosé Douro.

 

10 PRATOS /// por José Augusto Moreira

A gastronomia tradicional faz parte da maneira de estar das gentes do Porto, enriquecida nos últimos anos com novos restaurantes, chefs e tendências. O crítico faz o menu perfeito!

Pombo Royal

Pedro Lemos \\\ Rua Padre Luís Cabral, 974 \\\ pedrolemos.net

“Prato soberbo, que conjuga a genialidade da cozinha com estrela Michelin de Pedro Lemos com uma tradição culinária já quase esquecida. Cozinhado leve, a deixar as carnes suculentas e de textura aveludada, e um jus com trufa perfeito, que é servido com foie, puré de aipo e minivegetais da sua horta.”

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Vitela assada no forno

A Cozinha do Manel \\\ Rua do Heroísmo, 215 \\\ facebook.com/cozinhadomanel

“Já há poucos lugares assim, com dois fornos a lenha e uma cozinha rústica, de estilo quase artesanal. A vitela assada e o respetivo arroz de forno é um daqueles pratos que emocionam, com as carnes macias envolvidas pela própria gordura a desfazerem-se e inundarem a boca de sabor. Da mesma forma que o cabrito, que vem mesmo da montanha e, por isso, terá que ser encomendado com dois dias de antecedência.”

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Bacalhau à Gomes de Sá

Vinhas d’Alho \\\ Muro dos Bacalhoeiros, 139 \\\ vinhasdalho.com

“Sendo um prato do Porto, nada melhor que prová-lo em frente ao Douro e mesmo ao lado da casa onde nasceu o criador da receita. Mesmo servido em contexto moderno e estilizado, respeita a receita original, com as lascas envolvidas em bom azeite, batata, cebola, ovo e azeitonas.”

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Tripas à moda do Porto

O Rápido \\\ Rua da Madeira, 194

“Pois claro! É o prato do Porto por excelência e também um símbolo da identidade e orgulho das suas gentes. Pode até assustar à partida, mas é depois arrebatador. Por regra é servido às quintas-feiras por todo o lado, e mesmo em cafés e casas modestas é possível encontrar umas boas tripas. Umas das mais reconhecidas são as do restaurante Rápido.”

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Linguado Walewska

Portucale \\\ Rua da Alegria, 598 \\\ miradouro-portucale.com

“Uma cozinha que nos faz recuar no tempo. Até o glamour da alta cozinha francesa dos anos 60, num contexto de luxo da época que permanece quase intocado. O Portucale oferece ainda o mesmo estilo e receituário, com muita cozinha de sala e pratos como o linguado Walewska, que é escalfado em champanhe e leva lagosta ou lavagante.”

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Arroz de cabrito com pá assada

DOP Rui Paula \\\ Largo de São Domingos, 18 \\\ ruipaula.pt

“É tudo cozinhado lentamente no forno, com a gordura da pá de borrego a pingar sobre o arroz com as miudezas. A par dos milhos transmontanos, este é um dos pratos que melhor identifica a cozinha com alma do chefe Rui Paula, com receitas que herdou da avó duriense agora interpretadas num contexto moderno e de cuidada apresentação.”

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Bacalhau gratinado com creme de cebola

Cafeína \\\ Rua do Padrão, 100 \\\ cafeina.pt

“É um dos clássicos do Cafeína, que ganhou fama depois da visita-relâmpago da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que furou o protocolo e ‘fugiu’ do aeroporto para degustar este prato. Posta de lombo assada que depois é gratinada com molho aioli, servida com migas de grelos e um creme de cebola assada.”

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Arroz de lavagante

Rua Roberto Ivens, 826, Matosinhos \\\ ogaveto.com

“Uma visita ao Porto nunca fica completa sem uma mariscada em Matosinhos. Além da grande variedade de mariscos frescos, o Gaveto tem também um arroz de lavagante de excelência. Caldoso e envolvente, com a frescura e textura delicada do marisco e envolver-se na calda do arroz e o sabor único da variedade carolino.”

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Jesuítas

Casa Moura \\\ Rua Rodrigues Sampaio, 115 \\\ confeitariamoura.pt

“Quem os prova jamais os esquece. Os pastéis de massa folhada com cobertura de açúcar glacé da conceituada pastelaria de Santo Tirso são agora também feitos na Baixa do Porto. Uma gulodice que tanto pode acompanhar com um bom Porto Tawny como com um aromático chá. Por mim, o ideal será mesmo um vinho verde Loureiro (não muito frio: entre os 10 e os 12 graus). Experimente!”

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Gelado da Neveiros

Gelataria Neveiros \\\ Rua da Alegria, 930 \\\ facebook.com/geladosneveiros

“Foi a primeira gelataria do Porto, fundada nos anos 50, e os gelados continuam a ser feitos de forma artesanal e à base de fruta fresca. Os sabores variam todos os dias (são mais de 60), mas há um de nata com compota de framboesa e bolacha esmagada que sempre me atrai.”

 

10 ÍCONES DA MODA /// por Manuel Serrão

O Norte é o berço da indústria têxtil portuguesa. Abraçando a tradição, novos designers criaram as condições para levar a moda e os têxteis nacionais pelo mundo. Este importante empresário e promotor sublinha o fundamental.


Portugal Fashion

portugalfashion.com

O Portugal Fashion é “o maior, mais abrangente e mais internacional evento de promoção da moda nacional”. Com a afirmação do evento nas fashion weeks de Paris, Nova Iorque, São Paulo, Milão e Londres, foi possível “convencer a exigente imprensa da área a olhar para o Porto como a grande capital da moda nacional”. A próxima edição acontece entre 19 e 21 de outubro, com pré-inauguração a 14 em Lisboa.

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Katty Xiomara

Rua da Boavista, 795 \\\ kattyxiomara.com

“Sem nunca abdicar da autoria, Katty Xiomara foi das primeiras a perceber que a moda é um negócio”, elogia Serrão. O ateliê fica numa casa burguesa do século XIX, que só por si já merece visita. Lá dentro encontra as peças da designer luso-venezuelana que já chegam aos quatro cantos do mundo, do Japão e da China aos EUA, México e Europa.

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Luís Buchinho

Rua José Falcão, 122 \\\ luisbuchinho.pt

Depois de trocar Setúbal pelo Porto para estudar, Buchinho permaneceu aqui para estabelecer a carreira. ”Há 25 anos que constrói um percurso sólido, onde combina sempre com acerto a sua criatividade com as exigências comerciais das marcas para quem também trabalha.” É presença constante nas passerelles de Paris, Lisboa e Porto.

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Daily Day

Avenida dos Aliados, 263 \\\ facebook.com/dailydayporto

“Empresa de confeção que apresenta as coleções na Magic Las Vegas, em Nova Iorque e na Who’s Next de Paris. E é uma das lojas emblemáticas da nova movida da baixa portuense.” A Daily Day apresenta três marcas próprias, mas também criações de outras marcas, sobretudo portuguesas. Aos sábados abre às artes com exposições, concertos e poesia.

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Marques Soares

Rua das Carmelitas, 80-104 \\\ marquessoares.pt

Com quase 60 anos de existência, a Marques Soares “está para a moda como a sua vizinha livraria Lello para os livros”. A marca “soube combinar os pergaminhos das tradições com as novas tendências de moda”. A tal ponto que atualmente “é uma das estrelas mais brilhantes da Porto Fashion Week’s Night Out”.

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Best Models

bestmodelsagency.com

A única agência nacional de manequins com sede no Porto, fundada e dirigida por Alexandra Macedo. “Quando arrancou tinha nomes como Sofia Aparício, Evelina Pereira, Vera Deus, Rute Marques, Luísa Beirão ou João Pedro. A Best tem muitos top models internacionais em regime de stand by.” Agencia, entre outras, Carla Sofia, que já foi rosto das capas da UP.

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Francisca Perez

bestmodelsagency.com

Aos 22 anos, a manequim Francisca leva oito de currículo no mundo da moda. O seu portefólio mostra trabalho em Portugal e nas semanas de moda de Paris e Milão. “2017 está a ser o ano de confirmação do modelo revelação de 2016. Uma das portuenses mais bonitas de sempre é já um dos ícones da moda nacional.”

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Parfois

parfois.com

“A moda também vive dos acessórios e a Parfois compra em todo o mundo e vende para todo o mundo a partir da capital do Norte. Manuela Medeiros é uma das maiores empresárias do Porto.” A marca foi fundada em 1994 e é hoje comercializada em 50 países.

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Farfetch

farfetch.com

Combinando moda e tecnologia, é o único unicórnio (expressão que no mundo tecnológico designa empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares) português. “Com um pé no Porto e o resto do corpo espalhado pelo mundo, o fundador José Neves inventou a partir de Londres e para o mercado do luxo uma das mais globalizadas empresas portuguesas do setor têxtil.”

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Modatex + ESAD

modatex.pt \\\ esad.pt

Designers como Luís Buchinho, Katty Xiomara, Nuno Gama, Nuno Baltazar, Anabela Baldaque ou Maria Gambina estudaram na Modatex (antigo Citex) que é, da ESAD, uma das referências no ensino de moda e design no Porto. “Duas escolas, dois estilos, duas instituições incontornáveis na formação dos criadores nacionais. Quase todos os nomes mais sonantes do estilismo nacional passaram por lá.”

 

10 ÍCONES DA ARQUITECTURA /// por Marta Vilarinho de Freitas

“Falar de arquitetura no Porto é falar de séculos de história”, diz a ilustradora, que olha com detalhe para a cidade – como se vê no seu desenho nestas páginas. O Porto “é um encontro sublime entre o rio e o casario, entre a luz e a sombra, os cheios e os vazios”.

Ponte D. Luís

“É um dos mais importantes e conhecidos ícones do Porto. Construída em estrutura metálica – num arco magistralmente desenhado –, une as duas margens do rio Douro, onde outrora existiu a Ponte Pênsil. A sua beleza singular e a sua comunhão com todo o casario eleva-a a um dos mais bonitos símbolos do Porto!”

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Cubo da Ribeira

Praça da Ribeira

“Esta escultura em bronze, da autoria de José Rodrigues, é uma referência quando se fala da cidade, e ponto de encontro obrigatório. O Cubo, assente num dos vértices, localiza-se no centro da histórica Praça da Ribeira.”

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Sé do Porto

Terreiro da Sé \\\ diocese-porto.pt

“Construída na parte alta da cidade e elemento determinante na organização da malha urbana, é um dos principais e mais antigos monumentos, com construção iniciada no século XII. A fachada, com as duas torres e a bela rosácea, sobressai com proeminência no rendilhado de casario. São visíveis elementos românicos, gótico e barrocos.”

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Casa dos 24

Terreiro da Sé

“Ao lado da Sé, a Casa dos 24 remonta ao século XV, onde funcionava a vereação municipal. O edifício foi reconstruído segundo a interpretação contemporânea do arquiteto Fernando Távora, recuperando o conceito espacial e volumetria primitiva e afirmando-se hoje, frontalmente, sobre a cidade.”

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Torre dos Clérigos

Rua de São Filipe de Nery

“Monumento único, ex-líbris, visita obrigatória, a torre assume destaque na malha urbana, dominando todo o perfil urbano do Porto. De inspiração barroca e construção granítica, foi projectada pelo italiano Nicolau Nasoni na segunda metade do século XVIII. A vista panorâmica é deslumbrante!”

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Mercado do Bolhão

Rua Formosa, 214

“Imóvel de Interesse Público, é o mercado mais tradicional e representativo do Porto. De planta retangular alongada e pensado à escala da cidade, caracteriza-se pela monumentalidade e distribui-se por dois pisos, onde fervilha a vida, numa profusão de cores, sons e sentidos.”

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Livraria Lello

Rua das Carmelitas 144 \\\ livrarialello.pt

“Considerada uma das mais bonitas livrarias do mundo, é um edifício de referência. A fachada, de estilo neogótico e apontamentos art noveau, é das mais emblemáticas da cidade, pelo ímpar valor histórico e artístico. No interior sobressai a impressionante escadaria vermelha, os tectos trabalhados e o magnífico vitral.”

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Museu de Serralves

Rua D. João de Castro, 210 \\\ serralves.pt

“Projeto de Siza Vieira e espaço cultural de referência nacional e internacional, é uma das mais marcantes obras de arquitetura contemporânea, numa perfeita harmonia entre exterior e interior. O seu perfil longitudinal, branco e luminoso, contempla no interior várias salas de exposição, articulando escalas, proporções e luz.”

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Coliseu do Porto

Rua de Passos Manuel, 137 \\\ coliseu.pt

“A sala de espectáculos mais carismática. Símbolo do modernismo, inaugurada em 1941, a qualidade traduz-se na dinâmica espacial do interior – em forma de ferradura – e na fachada assimétrica. Projecto trabalhado a várias mãos, com especial destaque para o arquiteto Cassiano Branco.”

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Casa da Música

Avenida da Boavista, 604-610 \\\ casadamusica.com

“Projetada pelo holandês Rem Koolhaas e inaugurada em 2005, é uma das principais obras de arquitetura contemporânea da cidade. A sua imagem imponente e sólida, em betão aparente, de ângulos recortados e fluídos e de protagonismo surpreendente, surge como um importante espaço cultural e artístico, onde vive a música.”

 

10 ESPAÇOS VERDES /// por Teresa Andresen

Por detrás de cada parque e jardim do Porto há memórias e, principalmente, pessoas. Uma arquiteta paisagista mostra-nos os mais emblemáticos, recorrendo aos nomes dos portuenses que percorreram cada uma das alamedas.

Jardim Botânico do Porto

Rua do Campo Alegre, 1191 \\\ jardimbotanico.up.pt

“Uma quinta de recreio histórica num lugar privilegiado. A literatura e a botânica lado a lado. Morada das camélias.” O espaço lembra os escritores Sophia de Mello Breyner Andresen e Ruben A. A casa da quinta, onde eles brincaram na infância, é personagem de muitas das histórias que escreveram.

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Parque de Serralves

Rua D. João de Castro, 210 \\\ serralves.pt

Foi “a última quinta de recreio do Porto”. A alameda dos liquidâmbares “evoca a nave do mosteiro de Alcobaça”. Carlos Alberto Cabral encomendou a obra, incluindo a mansão art déco, e o arquiteto José Marques da Silva foi responsável por executar o projeto original do francês Charles Siclis. De Jacques Gréber, arquiteto e urbanista, encontram-se traços no jardim.

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Parque da Cidade

Estrada Interior da Circunvalação, 15443

O maior parque urbano de Portugal (80 hectares) situa-se no “leito da ribeira de Aldoar, terminando num sapal”. Entre a Avenida da Boavista e a marginal “evocam-se os lavradores de Nevogilde e Aldoar: Vinte Libras, Alexandre…”. Relembra-se também o professor urbanista Antão de Almeida Garrett (1896-1978), “talvez o primeiro que sonhou para aqui um parque: o Parque Ocidental…”.

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Passeio Alegre

Rua do Passeio Alegre

O jardim fica “na Foz, onde o rio Douro e o Atlântico se encontram”. Tem 41 mil metros quadrados e é essencialmente romântico, mostrando um conjunto de elementos arquitetónicos – como os dois obeliscos de Nasoni, provenientes da Quinta da Prelada – com exuberante arvoredo. Destaque para a Alameda de Palmeiras das Canárias, classificadas de interesse público.

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Fundação Engenheiro António de Almeida

Rua Tenente Valadim, 231-325 \\\ feaa.pt

É um raro exemplar do início do século XX. Projetado por Jacinto de Matos, um dos mais proeminentes jardineiros paisagistas portugueses de então, é um “jardim moderno onde se evoca Olga Andresen de Almeida”, esposa de António de Almeida e uma referência na vida do Porto.

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Quinta de Vilar d’Allen

Rua do Freixo, 194 \\\ villardallenwines.com

É um dos mais preservados exemplares das quintas de recreio do Porto nos séculos XVIII-XIX. “Foi habitada ao longo de gerações e ainda hoje é vivida por descendentes” dos britânicos John e Alfred Allen. Tem um jardim à francesa, o parterre gardenesque, desenhado por John, e os jardins românticos de Alfred.

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Palácio de Cristal

Rua de D. Manuel II

Projetados no século XIX pelo alemão Emil David, os jardins do Palácio de Cristal eram “o Central Park do Porto”. O espaço é prova da “ousadia dos portuenses”. Do projeto original conservam-se o Jardim Emil David, com rododendros, camélias, araucárias, ginkgos e faias; as Avenidas das Tílias e dos Plátanos; o bosque e as varandas que se debruçam sobre o rio Douro.

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Quinta da Macieirinha

Rua de Entre-Quintas, 220

Teresa Andresen sublinha “a amenidade e a intimidade do lugar”. Os jardins, bosques e antigos terrenos agrícolas de bucólico ambiente envolvem o Museu Romântico, edifício do século XVIII que reconstitui uma casa da alta burguesia de oitocentos. Ali se exilou Carlos Alberto, rei da Sardenha e príncipe do Piemonte.

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Jardim da Cordoaria

Aos pés da Torre dos Clérigos, foi alvo de profundas alterações em 2001 e, apesar destas, “o lugar e as suas árvores impõem-se”. É “uma verdadeira praça cívica”, agregando ao redor o tribunal, a cadeia, o hospital, a universidade. O jardim abre-se para a cidade, dispondo de um lago e um coreto. Atente nas diversas esculturas que enfeitam o jardim.

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Quinta das Virtudes

Passeio das Virtudes

Com deslumbrante vista sobre o edifício da Alfândega, o rio Douro e, na outra margem, Gaia, a Quinta das Virtudes desenvolve-se encosta abaixo em socalcos. Foi a partir daqui que, no século XIX, José Marques Loureiro fez crescer a Real Companhia Hortícola-Agrícola Portuense, que chegou a ser considerada o maior horto da Península Ibérica.

 

10 ÍCONES /// por Pedro Abrunhosa

Um dos grandes cantores e compositores do Porto convoca palavras, sons e imagens fundamentais.

Uma fotografia /// Jorge Henriques

jorge-henriques.com

Grande fotógrafo do Porto entre os anos 40 e 70, várias peças de Jorge Henriques foram inspiração para Abrunhosa, reproduzidas no álbum Momento (2002). Nele o músico escreveu: “Ao escolher as fotografias de Jorge Henriques para celebrarem em conjunto este rigor entre a imagem e o acaso, estou também a lançar as pontes entre o Porto que ele tão bem retratou, e o Porto que canto nos meus silêncios.”

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Um tesouro /// Livraria Chaminé da Mota

Rua das Flores, 28

“Uma das mais antigas e bem dotadas livrarias tradicionais, e alfarrabista, do Porto. Imprescindível perdermo-nos nos labirintos de obras-primas, em edições novas e antigas, estendidas entre cave e rés-do-chão. Três gerações de Pedro(s) Chaminé da Mota a fazer jus à forma como o Porto se ancora, e espraia, no conhecimento.”

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Um poema /// “Porto de Abrigo” /// Jorge Sousa Braga

“É esta a cidade que o destino te reservou. Uma cidade de gente dura cuja maior extravagância é um vaso de sardinheiras na janela de um ou outro edifício. Tinhas sonhado com uma cidade branca mais a sul. Esta cidade não é uma cidade é um vício.”

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Um livro /// Porto Revisitado /// Germano Silva

Conjunto de crónicas do jornalista e memorialista da cidade Germano Silva, selecionadas por seis figuras do Porto: Jorge Gabriel, Jorge Nuno Pinto da Costa, Judite de Sousa, Manuel Sobrinho Simões, Sónia Araújo e Pedro Abrunhosa (Porto Editora, 2016).

Uma canção /// “Porto Sentido” /// Rui Veloso

ruiveloso.com.pt

A mais icónica e famosa canção sobre a cidade – “Quem vem e atravessa o rio”, diz o famoso primeiro verso –, cantada pelo muito portuense Veloso, com letra de Carlos T.

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Um artista /// Pedro Burmester

oncproducoes.com/musicos/burmester

“Pianista ímpar, intérprete maior, músico que epitomiza a rebeldia e a tenacidade do Porto, foi alma e motor da Casa da Música desde a sua pré-história. Hoje o Porto, dos skaters cá fora aos vestidos de noite lá dentro, faz da Casa da Música o novo centro da urbe. A não perder os recitais e espetáculos na deslumbrante Sala Suggia.”

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Um templo do som /// Boom Studios

Via Piaget, 84, Canelas, Gaia \\\ boomstudios.pt

“Este é um espaço de convergência dos melhores músicos e, consequentemente, da melhor música que se grava no país. Eleito por Ryuchi Sakamoto para aqui gravar um álbum com transmissão global online 24 sobre 24 horas, os BoomStudios são uma catedral de silêncio onde os pianos se aproveitam da mais fina tecnologia. E, em harmonia, acasalam. Em tempos quis abrir um restaurante, um hotel. Disparates. Um músico abre escolas de música e estúdios. Vai daí, fundei este.”

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Um caminho /// Flor do Gás

douromarina.com

“Neste barco atravessam do Porto para a encantada Vila da Afurada as memórias cruzadas de muitas gerações. As minhas por ali navegam, umas naufragadas, outras à tona memoriando. Sobre este barco, flutuante chão da cidade, escrevi em 1999 a canção ‘Barco para a Afurada’. A viagem é tão curta como extensa a emoção que gera.”

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Uma festa /// São Pedro da Afurada

A festa de São João (de 23 para 24 de Junho) é a grande celebração portuense, mas do outro lado do rio, na freguesia gaiense da Afurada, festeja-se, de 28 para 29 de junho, o São Pedro. Uma festa bela, muito associada aos pescadores, cujos barcos desfilam nessa data pelo rio em grande alarido.

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Um conceito /// Cidade do pensamento

Este é, para Pedro Abrunhosa, o epíteto mais importante com que se deve definir o Porto. Cosmopolita e livre, na cidade habitam desde sempre as ideias livres, grandes artistas, e um palpitante mundo universitário e científico.

 

10 SEGREDOS /// por Helder Pacheco

O maior conhecedor da cidade partilha lugares de paixão e mistérios à vista desarmada.

Rua das Flores

“É a minha rua favorita e a mais bela do Porto. Um paradigma: com muito caráter e identidade, desde o cunho quintentista ao oitocentista, revelando a sólida burguesia que sempre a ocupou, com muitas lojas e misteres. Hoje, um extraordinário exemplo de recuperação urbana.”

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Bairro Herculano

Rua de Alexandre Herculano

“Um bairro retintamente operário, uma pequena aldeia, milagrosamente conservado no coração da cidade. Mantém um forte sentido comunitário, ressonando a identidade trabalhadora.”

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Foz Velha

“O bairro cosmopolita por excelência, literário e romântico, da Cantareira até à Senhora da Luz, do Alto de Vila ao Passeio Alegre, com muito do espírito do século XIX conservado em estado puro.”

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Alfredo Portista

Rua do Cativo, 14

“A mais típica taberna da cidade, verdadeiro repositório do imaginário do Futebol Clube do Porto, que tudo decora, com o azul e branco dominante. Aqui respira-se o verdadeiro ambiente das tabernas populares.”

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Clube Fenianos

Rua Clube Fenianos, 29

“Na cidade há três clubes sociais que representam as ‘três burguesias’: o Clube Portuense, da ‘alta’; o Ateneu Comercial do Porto, da ‘média-alta’; e os Fenianos, ligado ao mundo dos pequenos comerciantes e funcionários. Destaco este último, noutros tempos célebre pelo popular cortejo de carnaval que organizava, e com reputado estatuto no desporto do bilhar e no xadrez.”

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Cemitério Britânico da Igreja de Saint James

Largo da Maternidade Júlio Dinis, 23

“Um lugar pleno de intimidade, encantamento e misticismo. Foi o primeiro construído em Portugal fora das igrejas, no século XVIII, por especial autorização. Chamo também a atenção para o Cemitério da Lapa, no Largo da Lapa, o mais romântico da cidade, onde descansa muita da burguesia.”

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Passeio das Virtudes

“Este espaço, que constitui uma grande obra de engenharia, oferece uma das melhores vistas da cidade: o crepúsculo caindo sobre o rio Douro.”

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Palácio da Bolsa

Rua de Ferreira Borges

“Local por excelência da burguesia liberal do Porto. Uma afirmação de personalidade em movimento civil e cultural, construído como afrontamento às obras das Igreja, como quem diz: ‘Isto somos nós!’. Foi uma bofetada!” Inaugurado em meados do século XIX.

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Igreja da Vitória

Rua de São Bento da Vitória

“Durante o Cerco do Porto [1832-1833], em que o exército liberal de D. Pedro IV combateu e defendeu a cidade do absolutista D. Miguel, a igreja da Vitória foi muito atacada. Na parede sul é ainda possível ver o buraco de uma bala de canhão disparada da outra margem do rio.”

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Bataria da Vitória

Rua de São Bento da Vitória

“Bataria significa, em ‘portuense’, bateria – no sentido militar. Neste local – hoje magnífico miradouro – estavam portanto instaladas as peças de artilharia que combatiam D. Miguel. Nas pedras veem-se também bem as marcas deixadas pelo inimigo.”

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Estaleiro do Ouro

Rua do Ouro

“Aqui foram armadas a maioria das embarcações usadas nos primórdios da expansão portuguesa marítima, fossem as incursões em Ceuta, Tânger ou Alcácer Quivir. O Estaleiro do Ouro funcionou até finais do século XX e pode-se ainda observar como vestígio as travessas de madeira onde assentavam os barcos. Um dístico de metal colocado num banco assinala com dignidade a memória deste local.”

 

por Augusto Freitas de Sousa, Hermínia Saraiva, João Macdonald, Manuel Simões

 

Arquivos

10 coisas chave sobre o pessoal do porto

Um escritor, grande amante da cidade – que é protagonista em muitos dos seus livros –, revela-nos as características fundamentais dos portuenses.

Como todas as cidades que vale a pena visitar – e onde vale a pena viver –, o Porto tem as suas “singularidades”, o seu sotaque, os seus hábitos, a sua maneira de conduzir o automóvel, as suas figuras emblemáticas, os seus aromas ou os seus interditos (que são sempre importantes). Mesmo para um português não é fácil definir nem a cidade, nem os portuenses.

A tradição manda dizer que eles são alegres, espontâneos, bairristas, acolhedores, afáveis e descontraídos. Que prezam muito uma boa anedota, especialmente se for sobre Lisboa (aquela cidade mais abaixo no mapa). Que gostam de festa e que raramente a traduzem por party. Que gostam de comer e de partilhar a comida. Que enfrentam as dificuldades com energia.

Bom. A tradição também manda dizer – embora apenas entre portuenses, e em voz baixa, como se fosse uma confidência entre gente da mesma família – que podem ser o contrário de tudo isso.

 

1

A primeira coisa: os portuenses são mesmo bons. Ou seja, que são os melhores. Em quase tudo. A melhor obra de Eiffel, por exemplo, está no Porto (há aquela torre em Paris, sim, uma tentativa bem conseguida). Os portuenses são tão bons e tão “os melhores” que apreciam muitas coisas que vêm de fora – e de que logo se apropriam – porque houve uma distração as fez nascer noutro lado qualquer.

2

Falam alto. Esta ideia é verdadeira de vez em quando, mas não traduz nenhuma indelicadeza ou falta de urbanidade. Pelo contrário: os portuenses não só acham que os visitantes têm dificuldades de audição, como também gostam de lembrar que não têm receio de dizerem o que pensam em voz alta. Alguns exageram – puro excesso de simpatia e cordialidade. Há quem diga que há um sotaque do Porto (no fundo, trata-se de uma forma extremamente musical de falar o português), o que também inclui uma grande variedade de palavrões de grande utilidade. Não tente imitar. Seja cuidadoso.

3

Têm orgulho na sua cidade. Com certeza. Portugal nasceu aqui. São João (Baptista) nasceu aqui (não sabia?) e todos os anos a cidade o celebra durante um dia e uma noite explosivas (de 23 para 24 de junho) naquela que é a melhor e a maior festa urbana do país – todas as outras festas que decorrem na mesma data em todo o mundo para assinalar o solstício de verão são inspiradas no São João do Porto. Quem diz São João diz quase todos os outros santos. Também é preciso dizer que os santos, no Porto, não são apenas santos – também são ligeiramente malandros. Como o pessoal do Porto.

4

São alegres. É uma ideia tão nobre quanto verdadeira. O portuense inventa piadas e justificações para tudo. Se tudo fizer rir um pouco, tanto melhor. Os portuenses não apreciam gente enfatuada e convencida (claro que há portuenses enfatuados e convencidos, mas não são de cá). Ser alegre não é ser pateta-alegre. Até porque não há tristeza tão genuína como a do Porto; se a tristeza é verdadeira, então, é mesmo a mais triste (mas nada de exibicionismo: não fazem cantiguinhas sobre isso, nem lhe chamam fado). Ninguém leva a melhor aos portuenses, como se sabe.

5

Um cêntimo é um cêntimo. Os portuenses têm fama de serem poupados – e não sovinas. Cada tostão é um tostão, mesmo que o tostão já não se use há décadas. O portuense vive do seu trabalho, preza a poupança e, por vezes (nas anedotas, por exemplo), até a ostentação. “Contas à moda do Porto” diz quase tudo: cada um paga a sua parte.

6

Há outros lugares onde se come bem. As tripas. As francesinhas. A costela mendinha. O arroz – o arroz de todas as maneiras (branco, malandrinho de feijão, malandrinho de tomate, de grão, de grelos, de vitela, de polvo, de sardinhas, de frango, de cenoura, de couve – e de arroz). O cabritinho. A broa de Avintes. Os bolinhos de bacalhau. As iscas de bacalhau (o mesmo que pataniscas – uma ideia estranha). As sanduíches de pernil da Casa Guedes. A vitelinha no forno. Os rissóis de peixe. As sardinhas fritas. O bacalhau à Gomes de Sá. A punheta de bacalhau. Os filetes de polvo e de pescada. A aletria e o arroz doce. Claro que há outros lugares – em Portugal e até fora do país, estranhamente – onde se come bem; mas digam lá um lugar, um que seja, vá. Imbatíveis, os portuenses.

7

São gente de confiança. Por isso desconfiam. Os portuenses conhecem como ninguém o género humano (basicamente, o género humano nasceu aqui), portanto confiam nele – mas não exageram. Sabem que um certo grau de ceticismo tem o seu charme.

8

São espontâneos. Este é um mito posto a circular por gente que não entende que os portuenses gostam de fazer crer que são espontâneos. O que eles são é naturais, diretos, francos, e sem tempo para perder com demasiadas cerimónias. “Gostas?” “Gosto.” “Então.”

9

E Lisboa? Todas as cidades se distinguem por detestar outras cidades. Grandes rivalidades, claro que existem: Madrid e Barcelona, Rio e São Paulo, Atenas e Esparta, a lista é imensa. Criou-se o mito de que os portuenses não gostam de Lisboa, de que gostam de contar piadas sobre Lisboa e os lisboetas, de que o melhor lugar de Lisboa é aquele onde fica a placa que diz “Porto: 299 km”, ou de que – finalmente – há uma rivalidade entre o Porto e Lisboa. Mentira. Absolutamente mentira. Em primeiro lugar, porque o Porto não tem rival. E outra coisa: existe uma Praça de Lisboa em pleno coração do Porto; toda a gente sabe que Lisboa se chama Lisboa graças a essa praça portuense – de contrário teria outro nome qualquer, muito menos agradável.

10

São antigos. Prezam o antigo, valorizam o contemporâneo (mas brincam com ele). Portugal nasceu aqui. O mais belo rio do mundo, o Douro, encontra o mar aqui. O melhor vinho do mundo guarda-se aqui – como uma preciosidade. Não há razões de queixa.

 



Francisco José Viegas

Nasceu em 1962, no Pocinho, Vila Nova de Foz Côa. É editor (Quetzal Editores) e escritor: poesia, literatura de viagens e dez romances – entre eles O Colecionador de Erva e Longe de Manaus, dois dos oito policiais em torno do personagem Jaime Ramos, um detective que trabalha no Porto. Teve vários programas de televisão – incluindo Um Café no Majestic, gravado num dos mais belos estabelecimentos portuenses – e de rádio. Viajar é o seu vício.

 

10 obras de arte /// Suzanne Cotter



Nasceu em Melbourne, Austrália. Antes de assumir a direção do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, em 2013, morou em Paris, Londres, Nova Iorque. Foi curadora da Fundação Solomon R. Guggenheim para o projeto Guggenheim de Abu Dabi; curadora sénior e diretora-adjunta do Modern Art Oxford, e de exposições na Hayward Gallery, Whitechapel Gallery e Serpentine Gallery, todas em Londres. Editou e contribuiu para inúmeras publicações e relevantes jornais das artes.

 

10 lugares musicais /// Manuela Azevedo



Com os Clã – os músicos Fernando Gonçalves, Hélder Gonçalves, Miguel Ferreira, Pedro Biscaia e Pedro Rito –, Manuela é uma das mais distintas e reconhecíveis vozes da pop-rock portuguesa. Os Clã nasceram no Porto em 1992 e contam com sete álbuns de originais. A carreira de Manuela é também notória pela participação no projeto Humanos, que homenageia o cantor e compositor António Variações, e tem uma forte ligação ao teatro.

cla.pt

 

10 lugares de vinho /// Sandra Tavares da Silva



Os 98 pontos da revista Wine Spectator atribuídos ao Pintas 2011 servem de cartão de visita em todo o mundo. Produzido por Sandra Tavares da Silva e pelo marido, Jorge Serôdio Borges – sob a égide da Wine & Soul, casa que fundaram em 2001 no Pinhão, Douro –, é apenas um dos seus casos de sucesso. Sandra começou pelas passerelles de Milão, Paris, Londres e Nova Iorque, mas a licenciatura de agronomia e o mestrado em enologia determinaram o futuro.

wineandsoul.com

 

10 pratos /// José Augusto Moreira



É no Entre Douro e Minho que tem as suas raízes e de onde nunca fugiu. Nasceu e continua a viver em Vila Nova de Famalicão. Em 1989 integrou a equipa fundadora do jornal Público, em que continua a assinar crónicas e críticas nas áreas da gastronomia e dos vinhos, no suplemento Fugas. É um dos mais reputados gastrónomos portugueses.

 

10 ícones da moda /// Manuel Serrão



Fervoroso adepto do Futebol Clube do Porto, assume-se como o “mais antigo feirante da moda portuguesa”. Desde o final da década de 1980 que organiza feiras para promover a moda e os têxteis nacionais e leva empresas portuguesas aos maiores palcos da moda mundial. Tem a sua assinatura no Portugal Fashion, desde sempre o maior e mais abrangente evento de divulgação no país. Nasceu no Porto em 1959 e licenciou-se em direito em Lisboa, mas foi no jornalismo, primeiro, e na gestão, depois, que fez toda a carreira. Diz que “ser do Porto é uma urgência”.

 

10 ícones da arquitectura /// Marta Vilarinho de Freitas



Foi a sua paixão pelo desenho de arquitetura (em que é formada) que a motivou a desenvolver o projeto As Cidades e a Memória – a Arquitetura e a Cidade, um conjunto de intrincadas ilustrações. O tema está diretamente relacionado com tecidos urbanos marcantes e surpreendentes, onde se cruzam histórias e se celebra a vida. O Porto sempre mereceu destaque especial nos seus desenhos. O método que utiliza – caneta sobre papel – com um traço muito fino, permite captar e representar os mais pequenos pormenores.

facebook.com/martavilarinhodefreitas

 

10 espaços verdes /// Teresa Andresen



Arquiteta paisagista e engenharia agrónoma, dirigiu o Jardim Botânico do Porto e teve funções de direção no Parque da Fundação Serralves. Membro do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, é representante de Portugal na Comissão Permanente do Património Mundial da UNESCO. Foi dela a candidatura da Região Demarcada do Douro a Património Mundial, num projeto da Universidade de Trás-os-Montes. Entre 1996 e 1998 foi presidente do Instituto da Conservação da Natureza.

 

10 ícones /// Pedro Abrunhosa



Desde Viagens, de 1994, disco revolucionário da pop portuguesa, até Contramão, de 2013, são sete álbuns (e mais virão, certamente) concebidos por este compositor e cantor cuja arte se impôs na música nacional sem hesitação. Depurado letrista, muito genuíno bardo dos ambientes do Porto, Abrunhosa tem ainda um papel ativo na defesa dos valores cívicos da cidade, e do país.

abrunhosa.com

 

10 segredos /// Helder Pacheco



Historiador e memorialista por excelência. A sua vasta obra cobre praticamente todos os detalhes da cidade ao longo dos séculos. Homem de rigor e minúcia, pilar da memória e identidade portuense. Não menos importante: o seu precioso envolvimento no plano de recuperação urbanística do centro histórico. O livro mais recente: Porto – Adegas, Tabernas e Casas de Pasto – Os bons velhos lugares do convívio do povo (Edições Afrontamento, 2016).

helderpacheco.wordpress.com

 

 

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