Óbidos — Jóia da coroa

on Jan 1, 2010 in Embarque Imediato | 2 Comments

Com uma piloto de ralis, descobrimos que as ruelas ancestrais de Óbidos são perfeitas para… um peddy-paper. Em terra de castelos e princesas, Joana Lemos foi rainha por dois dias.

Joana Lemos, Óbidos por / by António Gamito

O que é que acontece quando vinte e três mestres da arquitectura contemporânea, um punhado de paisagistas reconhecidos e um famoso arquitecto de campos de golfe se juntam? Criam-se casas de design audacioso, jardins exuberantes e fairways que constituem um desafio para o comum dos golfistas. Em Portugal, ou melhor, na Europa, esta união tem uma morada: Bom Sucesso. Numa das margens da Lagoa de Óbidos, ladeado por hectares de reserva florestal, o novo resort da região Oeste ainda não está concluído, mas já surpreende.

É aqui que nos encontramos num fim-de-semana de Outono, na companhia da piloto e empresária Joana Lemos – a primeira portuguesa a terminar e a única a vencer, na categoria feminina, a prova rainha do deserto, o Paris-Dakar – e os seus filhos, Martim e Tomás. Apesar da comitiva o poder sugerir, esquecemos a alta velocidade e deixamos os dias correr au ralenti.

Sandra Neves, responsável pelas vendas e marketing do Bom Sucesso, conduz-nos pela míriade de villas da autoria de Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura, Nuno Graça Moura, João Luís Carrilho da Graça e Nuno  Brandão da Costa, alguns dos nomes mais sonantes do cartel de ilustres arquitectos nacionais que marcam pontos no resort. À nossa comitiva coube a honra de estrear duas moradias T2 da autoria de Gonçalo Meneses Cardoso com decoração da equipa British House, liderada por Eugénia Moura. Sentimo-nos em casa.

Grandes sucessos

O almoço aguarda-nos noutra esplendorosa villa, esta da autoria de Nuno Graça Moura. Hoje é dia de estreia para um serviço embrionário do Bom Sucesso: o private cooking. Destinado a poupar aos inquilinos a, por vezes enfadonha, tarefa de cozinhar, esta novidade traz até às casas o chefe José Augusto – que também dirige o restaurante do resort – e a sua equipa, que põem literalmente a mão na massa por nós. Um sucesso, a pasta de salmão com gambas precedida de um delicioso rol de amuse bouches. Mas novos êxitos nos esperam com o avançar da tarde.

Private Cooking, Bom Sucesso por / by António Gamito

Filipe Gonçalves, profissional de golfe, recebe-nos com dois sets de tacos e um buggy em formato de limusina: os convidados são de honra! Rumamos ao driving range, o campo de treinos. Depois do devido aquecimento, Filipe explica o movimento do swing aos aprendizes. A tacada de Joana deixa-nos com algumas dúvidas: será esta apenas a sua segunda lição? “É sim!”, explica a mais recente golfedependente de Portugal. É preciso entender que Joana foi talhada para se dar bem na prática desportiva, seja ela motorizada, ou não. Martim herdou o jeito da mãe e, embora tenha no hipismo a  verdadeira paixão, mostra que com alguns treinos é bem capaz de se transformar no Tiger Woods português. Tomás, o primogénito, que ainda não se juntou a nós neste dia solarengo, está em Lisboa a treinar futebol com o seu Sporting. Quem sabe, na senda do futebolista brasileiro Kaká, o seu ídolo?

Golfe, Bom Sucesso por / by António Gamito

O horário de Inverno, que faz a tarde cair rapidamente, não nos permite aventurarmo-nos pelos caminhos pedestres que rodeiam a lagoa de Óbidos, onde o plano era fazer birdwatching. Em alternativa, reservamos para nós o pôr-do-sol na praia do rio Cortiço, concessionada pelo Bom Sucesso. A ira do mar e do vento que fustigam a quilométrica extensão de praias desertas não chegam para estragar a pintura.

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Venham mais quatro

Para o jantar, Joana chama reforços, juntando à comitiva um par de amigos, a mãe e o filho Tomás. O repasto tem lugar na Ilustre Casa de Ramiro,  restaurante de renome de Óbidos, com baptismo inspirado em A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós. Espetadas de cherne e arroz de pato, especialidades da casa, são escolhas unânimes. O fado, que é por norma a banda sonora ofi cial da casa, faz-se ouvir na voz de José Ferreira Rosa, padrinho de Joana, enquanto a conversa derrapa para as aventuras da piloto que, entre falas, trauteia os versos do fado com timbre afinado.

Ilustre Casa de Ramiro por / by António Gamito

Em Na Patagónia, Bruce Chatwin escreveu: “os que andam pelo deserto descobrem neles próprios uma tranquilidade primordial (igualmente experimentada pelo mais primitivo dos selvagens) que talvez muito se assemelhe à paz divina”. Para Joana, que tem no corpo quilómetros e quilómetros solitários ao volante nas areias sem fim, “Chatwin soube resumir na perfeição a essência do deserto. Embora o instinto de sobrevivência esteja sempre alerta, há uma paz imensa e inconfundível que não se alcança noutros lugares do planeta”.

A piloto debutou aos 19 anos nos ralis, uma estreia um tanto atribulada. Despistei-me. Já estava no helicóptero quando recuperei os sentidos e pedi para eles baixarem. Sabia que se fosse ao hospital teria de abandonar a prova e não queria por nada que isso acontecesse porque era a minha primeira competição. Fugi! Agarrei na mota e segui caminho. Tinha um pulso partido e um traumatismo craniano, mas só o soube depois de cruzar a meta. A adrenalina fez-me esquecer as dores, o meu objectivo era terminar”.Na agenda estão planos para voltar à mítica prova do Dakar, “mas só quando voltar a África e, de preferência, ao formato original, quando eram seis os países cruzados pela rota do rali”.

A noite não fica por aqui. O bar Cave do Vale Velho, vizinho do restaurante, dá-nos guarida noite dentro e é lá que provamos a afamada ginjinha de Óbidos, bem como outras surpresas líquidas.

Os toupeiros

“A melhor altura do dia para provar vinho é esta, pois o palato ainda está limpo”, diz Ana Reis pelas 11 horas de um domingo que amanheceu chuvoso. Na Quinta do Sanguinhal, no Bombarral, somos instruídos no “bê-à-bá” dos vinhos. Os melhores rosés, brancos e tintos da safra da quinta secular desfilam em copos em forma de tulipa, “os ideiais para provas, pois guardam melhor o aroma do vinho”, explica a escanção que nos requisita todo o apuro dos sentidos. Primeiro é preciso olhar a cor, depois sentir-lhe o aroma e finalmente chamar o palato à prova. Damos nota máxima. Melhor que nós, o sucesso das vendas e as notas de prova de enólogos consagrados certificam a qualidade dos néctares.

Joana Lemos e Ana Reis, Quinta do Sanguinhal por / by António Gamito

Hora de voltar a Óbidos, onde José Ferreira, proprietário e chefe do restaurante Muralhas, nos presenteia com um magnífico repasto enquanto nos alimenta o saber com nacos da história da vila: “Na época medieval, Óbidos era muito cobiçada pela sua localização e riqueza, sofrendo, por isso, várias tentativas de conquista. A terra suportou cercos durante meses e os habitantes nunca se renderam, o que muito espantava os invasores que esperavam pelo esgotar dos mantimentos. Mas isso nunca aconteceu, havia sempre fartura dentro das muralhas. Até que certo dia se descobriu o verdadeiro motivo de tal Resistência: os obidenses escavaram uma rede de túneis que passava por baixo das muralhas e iam aos campos recolher as colheitas, havendo sempre abundância de cereais na povoação. Foi por isso que os naturais de Óbidos começaram a ser conhecidos por toupeiros”. Como bons toupeiros, aprovisionados que estamos, infiltramo-nos nas ruas estreitas e irregulares de Óbidos.

Sabemos que muito antes dos lusitanos, romanos, visigodos e muçulmanos, já povos pré-históricos tinham ocupado as várzeas férteis que agora envolvem o castelo mourisco feito português por Dom Afonso Henriques, fundador da pátria, no século XII. Martim e Tomás estão a adorar a lição de história. Fingem ser soldados a disparar flechas pelas ameias e perguntam sobre as tácticas de conquista do castelo.

Joana, Tómas e Martim, Óbidos por / by António Gamito

Das muralhas, a vista alcança toda a cidadela. O cair da noite acende as lamparinas e o casario branco ganha o tom amarelado das candeias. Assim se ditam as despedidas. Não será longa a ausência, já que o encanto da vila, uma das sete maravilhas de Portugal, obriga a visitas assíduas.

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Por Maria Ana Ventura

Arquivos

A princesa do deserto

— Joana Lemos por / by António Gamito As corridas começaram aos 19 anos. Correu a Taça do Mundo TT, o mundial de ralis e uma variedade de bajas e enduros internacionais e nacionais, aos comandos de motas, automóveis e jipes. O nascimento dos filhos levou-a aos bastidores das corridas e às televisões e rádios, onde apresentou programas ligados à velocidade. Com a Lagos Sport, da qual foi administradora, envolveu-se na organização de alguns dos eventos desportivos mais importantes de Portugal, como o Estoril Open e o Lisboa-Dakar. Actualmente é a líder da Join Us, empresa de organização de eventos, que já deu conta de acontecimentos como o Race of Champions 09. Na agenda para Janeiro está o rali Dakar, que, por via de circunstâncias políticas, emigrou do deserto africano para as pampas argentinas. Joana estará de novo na corrida com as rédeas da organização nas mãos. —

Bom Sucesso

— Bom Sucesso por / by António Gamito Resort turístico com uma enorme componente de lazer, diferencia-se pela conjugação da arquitectura contemporânea com a natureza. Classificado como Aldeamento Turístico de 5 Estrelas e reconhecido como Projecto de Interesse Nacional (PIN) e Utilidade Turística, este conceito inovador é já uma referência internacional. À oferta, já de si tentadora, junta-se ainda o campo de golfe de 18 buracos e um conjunto de equipamentos de lazer e de desporto. Todas as moradias do resort são constituídas por uma sala de estar equipada com lareira, bem como por cozinha independente completamente equipada. Em versão T1, T2 T3, T4 e T5, geminadas ou independentes, estão localizadas em torno do campo de golfe do qual se avista a Lagoa de Óbidos. Projectado por Donald Steel, um dos mais prestigiados arquitectos de golfe do mundo, o campo estende-se por mais de 60 hectares. Bom Sucesso Design Resort,Leisure & Golf +351 262 965 300 www.bomsucesso.com.pt €126 – €307 —

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