O Douro subiu ao Alentejo

on Oct 1, 2019 in Piloto Automático | No Comments

O novo projeto de Luísa Amorim nasce na Serra do Mendro e chama-se Herdade Aldeia de Cima, com a primeira vinha plantada em patamares.

Depois de um projeto vencedor no Douro (Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo) e o recente investimento no Dão (Quinta da Taboadella), ambos em nome do Grupo Amorim, Luísa Amorim tem agora no Alentejo, com o marido, Francisco Teixeira Rêgo, um desafio pessoal, familiar, emocional. Querem deixar um legado aos descendentes: a Herdade Aldeia de Cima.

O Alentejo não é estranho a Luísa. Era ali que se situava uma das propriedades do pai de que mais gostava, junto a Santana, em Portel, Serra do Mendro, local carregado de memórias – e com potencial enorme para produzir vinho. O projeto iniciou-se com a recuperação da propriedade, e os investimentos nas atividades agrícolas não foram menores. Nos 2400 hectares já foram plantados 14 de vinha, sendo a produção de qualidade uma prioridade. Inserem-se numa região de grande tipicidade, e é a única que reúne quase todos os tipos de solo em Portugal. Assim nasceu a Vinha dos Alfaiates, a mais entusiasmante, em patamares tradicionais e onde se evidenciam as terras de xisto, com declives entre 30 a 40%, dividida em 18 micro-terroirs e cultivada de forma a não agredir o ambiente, com espaçamento de 80 centímetros (ficando mais abrigada dos ventos da serra). Uma vinha única no Alentejo, a lembrar as do Douro. E já icónica: atrai grupos que ali se deslocam só para a ver.

Também plantadas de raiz, outras três vinhas (da Família, de Sant’Anna e da Aldeya), em 20 hectares, processo que ficará concluído até 2020. Nas castas, a aposta é nas brancas Antão Vaz, Arinto, Roupeiro, Perrum; nas tintas, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Alfrocheiro, Baga, plantadas em modo integrado, mais tarde a reconverter para biológico.

Na adega, com capacidade para produzir cem mil garrafas, existem tinajas de terracota, ânforas moldadas em pó cerâmico com estrutura e fibras naturais, cubas de cimento e balseiros de carvalho francês que, aliados às barricas de 500 litros, evidenciam e reafirmam a personalidade de cada vinho. Para já há duas marcas produzidas com uvas compradas a produtores vizinhos, que deixam adivinhar o perfil da região. O Alyantiju (branco e tinto) e o Herdade Aldeia de Cima (reserva branco e reserva tinto), todos marcados por uma frescura vibrante e desenhados pelos enólogos Jorge Alves e António Cavalheiro, com o apoio de Joaquim Faia na viticultura.

aldeiadecima.com

 

por Maria João de Almeida

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