Um resort de esqui nas montanhas Laurentian, a 130 quilómetros de Montreal. Mesmo no inverno, chega-se lá em menos de duas horas por uma autoestrada impecável.
É um dos destinos mais reputados da província do Québec. Além do charme de vilarejo colorido e exclusivamente pedestre, com atrações e boas infraestruturas, há nas redondezas inúmeras opções de lazer ao ar livre que vão além do esqui e do snowboard, disponíveis para todo tipo de público, dos sete aos 77 anos. Ou seja, é uma boa notícia para quem adora a neve – sob temperaturas (muuuuuuuuuuito) abaixo de zero.
Por exemplo, passar algumas horas pilotando uma motoneige (que é como os canadianos chamam o snowmobile) pode ser um programa extremamente divertido. Apesar de exigir um pouco de destreza, pode ser experimentado por qualquer um. Uma opção, principalmente para os menores de 16 anos, é ir de boleia, pois as possantes máquinas são feitas para dois. A saída é precedida por uma breve instrução. O guia orienta até sobre a postura correta do corpo e como interpretar os sinais que ele faz com a mão esquerda durante o percurso: um polegar para cima, tudo bem; mão erguida é para parar; e assim por diante. Quem é fanático por emoções fortes vai certamente deliciar-se com o brinquedinho, que pode atingir 110 km/h – embora a lei não permita ultrapassar os 70. Aliás, com a quantidade de cervos que habitam a floresta e volta e meia atravessam-se à frente, é melhor ser prudente. E, vamos combinar, deslizar na neve a 70 km/h já é uma sensação insólita, a impressão é de estarmos prestes a descolar! São mais de 33 mil quilómetros de trilhas preparadas, cobrindo os terrenos mais diversificados, de trechos sinuosos por dentro das florestas a longas retas (verdadeira tentação de velocidade) a itinerários em volta ou por cima de lagos ou planícies congelados, onde todo cenário é um verdadeiro paraíso. Os programas são organizados por empresas locais e os mais procurados são roteiros de uma a quatro horas, mas, para os mais ousados, existem circuitos com vários dias de duração, durante os quais se pernoita em pequenos hotéis. Também há passeios noturnos em noites de lua cheia.
Tudo isto implica enganar o frio pois, mesmo com sol a pino, a temperatura é invariavelmente abaixo de zero. As empresas fornecem espessos macacões impermeáveis, capacetes, luvas e botas especiais. As máquinas têm um sistema de aquecimento regulável nos punhos, mas é aconselhável colocar dois pares de luvas e levar consigo aqueles saquinhos “aquecedores” de mão, que podem ser comprados em qualquer loja na região. Contando com a parada para um chocolate quente, percorre-se em média 100 quilómetros durante um passeio convencional de três horas. Outra opção é fazer um passeio independente, sem guia, pois as pistas são muito bem sinalizadas. Sai mais em conta, mas é fundamental saber orientar-se pelos mapas. No cenário todo branco e feérico é comum perder a noção da distância e referências. Este programa deve ser apenas para quem já tem uma boa dose de experiência.
Raquetes na neve
Esta atividade não é para qualquer um. Não que precise de experiência prévia. Só que acabou a vida mansa: é uma espécie de aeróbica. Prepare-se para mexer com todos os músculos e alimente o espírito com motivação, pois a nova mania de quem respeita exercícios suados e determinados é o snowshoe, ou raquetismo: a locomoção na neve calçando algo semelhante a uma grande raquete de ténis, presa às botas e com garras, evitando afundamento ou escorregadelas. Ecologicamente correta, a atividade não estraga o ambiente e deixa apenas marcas superficiais. O uso de bastão é opcional, mas ajuda principalmente nas ladeiras mais íngremes e nas descidas, quando a dica é atirar o corpo para trás e pisar primeiro com o calcanhar.
Outra vantagem do raquetismo é não exigir gôndola ou qualquer outro transporte para chegar o começo das trilhas. Só é preciso encontrar um cenário agradável e nunca se fica refém das condições meteorológicas. Se o itinerário for no parque nacional, está-se protegido pelas árvores. Porém, optar pela companhia de um guia é sempre aconselhável. Depois de algumas horas de raquetismo, uma coisa está garantida: os músculos vão sentir uma diferença. A merecida recompensa? Uma sessão de massagem num dos spas de Mont Tremblant, seguido de uma boa raclette savoyarde, ou um jantar gourmet num dos inúmeros restaurantes.
texto e fotos Antonella Kann
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