Melânia Gomes e Mário Redondo – Algarve ao natural

on Sep 1, 2015 in Embarque Imediato | No Comments

A natureza foi a musa inspiradora. Na companhia da atriz Melânia Gomes e do cantor Mário Redondo, partimos à descoberta de um Algarve mais puro nas rotas, nos sabores e nas paisagens.

Mário Redondo & Melânia Gomes por/by Marisa Cardoso

A região mais a sul de Portugal é famosa pelo clima quente, praias ensolaradas e disputados campos de golfe que atraem turistas do mundo inteiro. Mas, depois desta reportagem, ficámos convencidos de que essa imagem é um clichê. Existe um outro Algarve à espera de visitantes dispostos a fugir dos programas convencionais. Como Melânia e Mário, um casal com espírito aventureiro, que aceitou o nosso convite para participar na Algarve Nature Week.

Esta é uma iniciativa através da qual a Região de Turismo do Algarve (RTA) visa dinamizá-lo fora da época alta. “O turismo de natureza é um dos produtos estratégicos em que a RTA aposta para alargar a sua oferta turística”, afirma o presidente, Desidério Silva. “O Algarve tem cerca de quarenta por cento da sua área protegida por diretivas comunitárias, nacionais e locais. Há no território algarvio sapais, lagoas, rias, um mar imenso e inúmeras espécies de fauna e flora raras e autóctones. Pretendemos dar a conhecer esse património rico, bem como o tipo de propostas que os turistas têm ao dispor para um contacto puro com a nossa natureza: passeios de barco, de balão, todo-o-terreno, a pé, a cavalo ou de burro, observação de aves, de cetáceos, surf, mergulho… Fazemos também questão de mostrar os sabores regionais, a tradição e a hospitalidade algarvia, pois é a conjugação de toda essa oferta que o torna um local único”, explica-nos.

Barra de Faro por/by Marisa Cardoso

Começamos por saborear esse Algarve no restaurante Jardim das Oliveiras, em plena Serra de Monchique. Somos recebidos pelo proprietário, Geraldino José, que nos mostra a casa e nos oferece uma degustação de pratos da cozinha regional. O reconfortante cheiro do forno a lenha espalha-se pelo ambiente. Melânia é atraída ao jardim pelos baloiços, vai ver a horta e colhe limões biológicos no pomar. Seguimos então viagem rumo ao extremo sul do país.

Entramos no município de Vila do Bispo, premiado este ano pelo projeto de um festival de atividades ligadas à natureza (que vai repetir-se de 1 a 4 de outubro). A região tornou-se ainda mais conhecida ao ser incluída na Rota Europeia dos Descobrimentos, que promove a cultura, história e património das expedições marítimas que partiram do Algarve e Andaluzia nos séculos XV a XVII.

Visitamos o farol de São Vicente, de onde se avista a Fortaleza de Sagres e boa parte das arribas da Costa Vicentina. Hélder, guia da Marinha, conta que ali funcionava um antigo convento e que os monges tinham a obrigação de fazer uma fogueira diariamente para assinalar o local. Em 1557, a construção do farol poupou-os a esse trabalho mas, em 1587, um ataque do corsário britânico Francis Drake deixou-o destruído. A recuperação deu-se em 1846, seguindo-se melhoramentos até 1982, quando foi feita a sua automatização. O atual farol, cujo alcance de luz é de 31 milhas (cerca de 56 quilómetros), está aberto ao público. A torre cilíndrica de alvenaria com 28 metros, lanterna e varandim vermelhos contrasta com o azul do mar e serve de cenário a belas fotos.

Despertar os sentidos

Segue-se uma caminhada pela charneca que rodeia o farol, guiada por Carla Cabrita, da Walkin’ Sagres. A proposta é despertar os sentidos explorando a riqueza natural da costa, que ainda se encontra praticamente intacta e que possui espécies florais endémicas do local, como o tojo de Sagres. Passa-se por matagais, falésias, baías e pinhais, sempre com o Atlântico no horizonte. Estamos no coração da Reserva Bioenergética de Sagres, uma das maiores reservas litorais da Europa.

O passeio abre o apetite de Melânia e Mário para jantar no Eira do Mel, templo gastronómico de Vila do Bispo. O chefe José Pinheiro dá-nos a provar as suas especialidades. Conversa sobre o projeto do restaurante, a participação em vários concursos, e sobre o seu queijo de figo, que exporta para vários países. É uma espécie de cartão-postal da casa, mas de conteúdo comestível. Na embalagem, descrevem-se os produtos da composição: figo, amêndoa e medronho, entre outros. Comercializado em lojas gourmet, faz sucesso entre os estrangeiros. “É uma ideia sensacional!”, aprova Mário, elogiando a criatividade do chefe: “Adorámos a forma sofisticada e inventiva como lida com produtos e tradições regionais. Não esqueceremos a sobremesa de gelado com pipeta de medronho”.

Chegamos cansados e satisfeitos ao nosso alojamento no Burro Ville, nos arredores de Portimão. O casal aprecia a bonita casa que lhes foi reservada nesta unidade hoteleira inaugurada há pouco mais de um ano: “Costumamos fazer umas escapadelas românticas e somos fãs de turismo rural. Este novo espaço vai garantidamente entrar para a nossa lista de refúgios”.

Na manhã seguinte, visitamos a mostra “Algarve Nature Week”, no Parque Ribeirinho, em Faro. Duarte Padinha, da RTA, indica os diversos aspetos desta iniciativa, que conta com a parceria de empresas algarvias. “É uma excelente oportunidade de conhecer num único local as várias propostas dentro da área do Turismo de Natureza. Também apreciámos o recurso a artesãos locais para decoração do espaço, com algumas peças de grande porte muito interessantes”, comentam os nossos convidados.

Partimos num barco semirrígido da Animaris, navegando pelos canais da lindíssima Ria Formosa. O skyper Avelino fala-nos sobre os rituais da pesca e sobre as aves que ali se encontram. Identificamos cegonhas, fuselos e os populares ostraceiros, com os seus longos bicos que lhes permitem melhor apanhar peixes e bivalves. Vemos de longe a faina dos mariscadores e cumprimentamos os pescadores com quem nos cruzamos. Melânia diverte-se pegando no leme: “É a minha estreia como condutora de barcos, mesmo sem carta marítima…Que passeio fantástico!”.

Canais da Ria Formosa/The canals of Ria Formosa por/by Marisa Cardoso

Já se avista a ilha da Culatra, em cuja extremidade se ergue o farol de Santa Maria, e logo depois desembarcamos no nosso destino, a ilha Deserta, onde para além de uns armazéns de apoio à vida piscatória, existe apenas uma construção: o Estaminé, onde almoçaremos depois de explorar a ilha. “Fico sempre mais calma e feliz junto do mar”, confessa Melânia, já com os pés dentro de água. Mário olha ao redor: “Este é mesmo um outro Algarve, com outra vibração e outra paisagem. Espetacular!”

Isabel Vicente recebe-nos no seu restaurante, famoso internacionalmente não apenas pela localização privilegiada como também pela qualidade do peixe, sempre fresquíssimo. Fama totalmente justificada diante do robalo grelhado com mais de quatro quilos que nos serve, suscitando exclamações de surpresa e aprovação. Saboreá-lo sem pressas, em boa companhia, ouvindo os sons do mar… ora aqui está uma experiência a repetir, pois, como diz Mário, “o ambiente pode ser o melhor tempero!”.

Antes do regresso a terra, conversamos com o Sr. Alves, único habitante da Deserta, sempre pronto a contar histórias locais. Pescador veterano, mora aqui há 29 anos e já apareceu em reportagens e documentários sobre a Ria Formosa. “É quase tão popular quanto eu!”, brinca Melânia, constantemente requisitada para dar autógrafos e fazer fotos com os fãs.

À tarde, no Burro Ville, a conversa é com o octogenário Sr. Zé Roque. Ansioso por mostrar a sua burricada “à menina da televisão”, garante que “os animais gostam da nossa companhia”. Melânia monta a burra Fábula para dar uma volta pela herdade, que está na família dos atuais proprietários há cinco gerações. Quando a atividade agrícola e pecuária cessou, decidiram investir no turismo rural, recorrendo aos burros para animação. A atriz fica encantada: “Eu nunca tinha mexido num burro. O pelo é completamente diferente do dos cavalos. E estes olhos doces transmitem imensa tranquilidade”. Já familiarizada, vai conhecer os burrinhos recém-nascidos, que lhe cheiram as mãos, confiantes. Momento que, mais tarde, elegeria como o ponto alto deste fim de semana.

Jantamos no centro histórico de Lagos. No restaurante típico D. Sebastião, António Gomes apresenta uma refeição tradicionalmente algarvia à base de marisco. No final, convida-nos para ir à cave conhecer a renomada garrafeira, com bebidas e rótulos dignos de um antiquário. Brindamos com Patrícia e Margarida, que nos acompanham em representação da Região de Turismo do Algarve.

O mesmo grupo servirá de plateia ao espetáculo improvisado com que Melânia e Mário nos surpreendem ao serão. O barítono abala a calmaria do Burro Ville soltando a voz potente na ária “Votre toast”, da ópera Carmen, de Bizet. Dá tempo à atriz para encarnar Silvina Godinho, personagem-título do seu monólogo teatral. Melânia aparece vestida como uma velha senhora, cheia de tiques e sem papas na língua, que interage com o público, arrancando gargalhadas. A noite termina bastante animada!

A derradeira aventura da programação leva-nos pela manhã à Lagoa dos Salgados. Susana Nunes, da Portugal4U, guia-nos numa sessão de observação de aves. Melânia pega nos binóculos para observar as espécies, tentando identificar as singularidades de cada uma. Fixa um galeirão e um grupo de garças. Mário aproveita para fazer um phototour, registando a biodiversidade.

Lagoa dos Salgados por/by Marisa Cardoso

Hora do almoço em Armação de Pêra. Cristina Mourinho é a anfitriã do restaurante Rocha da Palha. Esta refeição é regada a Barranco Longo, vinho algarvio premiado, e encerra em grande estilo um fim de semana perfeito para o casal MM. “Foi gratificante conhecer um Algarve mais sereno, mais calmo, e até mais atencioso com o visitante. Muitas vezes associamos o Algarve a uma certa azáfama de férias, quase tão stressante quanto a nossa vida profissional, quando o que se procura é exatamente o contrário… Aqui conhecemos esse Algarve que não é só praia, nem verão, e que é capaz de nos proporcionar um verdadeiro escape à vida agitada que levamos na cidade, através de um contacto mais profundo com a natureza e com outros ritmos de vida. Foi uma descoberta muito agradável”, remata Melânia.

texto Moema Silva fotos Marisa Cardoso

Arquivos

Bios

Melânia Gomes

Desde criança vocacionada para as artes, Melânia Gomes, nascida há 34 anos em Viana do Castelo, já na escola escrevia e encenava peças, declamava poesias e organizava eventos. Aos 18 anos chegou a Lisboa com o sonho de ser atriz. Começou por fazer teatro amador e, em 2003, estreou-se como profissional no Teatro Maria Vitória. Entrou em várias revistas do Parque Mayer e, paralelamente, colaborou com a Companhia de Teatro de Almada. Em 2012 fez o seu primeiro monólogo no Teatro Mário Viegas com um projeto pessoal intitulado "Silvina Godinho". Em 2014, iniciou a carreira de grande sucesso da comédia Boeing Boeing, apresentada em várias cidades. Na televisão, estreou-se em programas humorísticos, ganhando rápida popularidade ao passar para as telenovelas. Entrou em telefilmes, curtas-metragens, minisséries, videoclips e campanhas publicitárias. Nos últimos anos fez também dobragens e locuções. No cinema, destacou-se em 7 Pecados Rurais, realizado por Nicolau Breyner, e Virados do Avesso, de Edgar Pêra.

::

Mário Redondo

Mário Redondo, 44 anos, estudou em Lisboa: teatro na Escola Superior de Teatro e Cinema e canto na Escola de Música do Conservatório Nacional. Desde 1992 trabalha em teatro, cinema, televisão, dobragem, locução, concertos, óperas e musicais. Destacou-se na Ópera de Três Vinténs (2005) e em Sweeney Todd (2008), espetáculos encenados por João Lourenço que lhe deram prestígio como ator-cantor. Nos últimos anos, participou em várias óperas no Teatro São Carlos, com obras de Verdi e Puccini, entre outros clássicos. No campo do audiovisual, entrou em filmes de êxito, como Capitães de Abril (1999), de Maria de Medeiros, e Amália (2008), de Carlos Coelho da Silva, e várias séries, novelas e programas de televisão. Mário vem também dando voz às versões nacionais de produções estrangeiras, filmes infantis, jogos e anúncios publicitários.

Restaurantes

Estaminé, ilha Deserta, Ria Formosa

Localizado na paradisíaca Deserta, o Estaminé é um dos mais concorridos restaurantes da Ria Formosa. Está aberto todo o ano e dispõe de barcos para transportar os clientes a partir de Faro. Vale a pena pelo passeio e pela comida. Nós provámos as entradas de shot de gaspacho com muxama de atum, salada de polvo, cavalinhas alimadas e camarão da praia. O prato principal, robalo grelhado com arroz de amêijoas da ria, batata nova e salada montanheira, fica na memória. Para sobremesa: figos. Bebemos vinho algarvio Marquês dos Valles e, numa palavra, adorámos.

+351 91 781 1856 \\\ www.animaris.pt

::

Jardim das Oliveiras, Sítio do Porco Escuro, Monchique

Com lareira acesa nos meses mais frios e um pátio refrescante na altura do calor, o Jardim das Oliveiras é sempre convidativo. Fiel à culinária local e às tradições serranas, tem uma ementa à base de pratos regionais. Começámos com entradas típicas da serra, como as papinhas de torresmo, a farinheira frita no azeite e a sopinha de legumes com agrião da ribeira. Seguiram-se as especialidades: assado de cabrito com ameixas, assadinho de porco com batatas novas, javali da casa, panelinha de couve à moda de Monchique. Depois da mousse de castanha à sobremesa, ainda provámos o tradicional bolo do tacho com melosa de medronho.

+351 96 624 9070

::

Eira do Mel, Vila do Bispo

É de visita obrigatória. Construído numa antiga casa agrícola, conserva a traça rústica que lhe dá um aspeto acolhedor. Mas o que faz a sua merecida fama é o talento do chefe José Pinheiro, especialista em recriar a gastronomia regional. Comemos polvo da costa salteado, cataplana de camarão com porco preto e chouriço e um gelado de doce de figo com pipeta de medronho, limão e gengibre, acompanhando com o excelente vinho rosé Monte da Casteleja.

+351 91 755 5669

::

D. Sebastião, Lagos

Aberto desde 1979 no centro histórico de Lagos, fideliza clientes nacionais e estrangeiros com saborosos menus. O nosso incluiu espargos com molho holandês, seguidos de arroz de marisco e bochecha de porco com batata doce. A encerrar, peras em vinho tinto com sorbet de limão. A refeição foi acompanhada por sangria da casa e, com o café, serviram-nos típicos frutos secos.

+351 282 780 480 \\\ www.restaurantedonsebastiao.com

::

Rocha da Palha, Armação de Pêra

Neste acolhedor espaço sobre a praia, conhecido há mais de 30 anos pela sua culinária, provámos deliciosos rissóis de berbigão, camarão com mel e amêijoas à Bulhão Pato, antes de prosseguirmos com arroz de lingueirão e linguadinhos fritos. Finalizámos com um mix de doces regionais. O restaurante funciona também como bar noturno onde apetece ficar a desfrutar da esplanada, mesmo junto ao mar.

+351 96 716 4244 \\\ www.restauranterochadapalha.pt

Alojamento

Burro Ville, Sítio do Descampadinho, Portimão

Turismo rural situado entre Portimão e Lagos. Fica entre o mar e a serra, onde as colinas suaves se abrem sobre extensas paisagens permitindo desfrutar de grande beleza e sossego. Composto por sete casas independentes, mantém a arquitetura rural com traços e conforto contemporâneos de acordo com princípios de sustentabilidade, ergonomia e funcionalidade. As casas estão dispostas em L, confluindo os seus terraços privados para uma piscina comum. Não é por acaso que o símbolo deste alojamento é um simpático burrinho. Os habitantes de destaque na quinta são os burros mirandeses para cuja preservação os proprietários vêm contribuindo.

www.burroville.com

web design & development 262media.com

A UP Magazine colocou cookies no seu computador para ajudar a melhorar este site. Pode alterar as suas definições de cookies a qualquer altura. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização.