Maya Gabeira, brasileira

on Jan 1, 2019 in Embarque Imediato | No Comments

A surfista carioca encontrou na Praia do Norte na Nazaré um escritório à medida do seu ofício: XXL. E é recordista Guinness.

Nasceu à beira-mar e à beira-mar cresceu. Maya Gabeira começou a surfar na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro, e a sua história podia ser igual à de milhares de outras surfistas, não fosse ela ter apetite por um certo tipo de ondas em particular: as maiores de todas. Foram essas ondas que a trouxeram para Portugal em 2013. Enfeitiçada pela promessa de surfar as maiores vagas do mundo, Maya chegou à Nazaré com ganas de ultrapassar os seus limites. Spoiler alert: assim o fez. Apesar de numa das suas primeiras sessões na Praia do Norte ter sofrido uma aparatosa queda que, graças ao salvamento in extremis pelo seu amigo Carlos Burle, não teve consequências muito mais graves do que um tornozelo partido, a confiança de Maya não esmoreceu e em janeiro de 2018, bem em frente do Forte de São Miguel Arcanjo, desceu uma montanha de água de proporções tais que entrou para o Guinness World Records como a maior onda alguma vez surfada por uma mulher – a dita media uns respeitosos 20,72 metros.

Mas esta não foi a única proeza de Maya, que nestes últimos cinco anos conseguiu ficar com mais costelas portuguesas do que aquelas com que nasceu (a surfista tem ascendência portuguesa). “De 2013 para agora as temporadas em Portugal começaram a ser cada vez maiores e neste momento tenho casa em Portugal o ano inteiro e divido-me entre a Nazaré, o Brasil e o resto do mundo.” Entre setembro e março só um swell (ondulação) promissor noutra latitude ou compromissos com patrocinadores a arrancam daquela vila piscatória. Estes são os meses das maiores ondulações no Atlântico Norte e aqueles em que todas as atenções se viram para o que os temerários surfistas andam a fazer na Nazaré. Nesses meses a rotina de Maya é tão simples quanto exigente: treino, treino e mais treino, ou seja, preparação física, surf e prática de resgate. Se houver tempo para uma pausa, o mais provável é Maya enfiar-se no carro e ir até à Ericeira ou Lisboa, mas em ambos os casos as pranchas vão também!

 

Na linha da frente

Maya foi desde cedo uma cidadã do mundo. Aos 15 anos passou uma grande temporada na Austrália a aperfeiçoar o seu inglês e o seu surf e aos 17 anos foi morar para o Havai. Foram as ondas de Waimea Bay, na ilha de O’ahu, onde desceu pela primeira vez uma onda com mais de 10 metros, que lhe abriram o apetite por paredes de água. De lá para cá a carioca picou o ponto nos principais palcos de ondas grandes do globo e venceu cinco Billabong XXL Awards (2007-2010 e 2012). De tudo o que viu e surfou, dois palcos foram especialmente marcantes: “Teahupo’o [Taiti] e a Nazaré”. A primeira não só pelo tamanho mas porque é muito rasa e rola sobre um fundo de recife, a segunda porque é sem sombra de dúvida a “maior onda do planeta”. “Mas mais do que o tamanho, o que a Praia do Norte tem de fascinante é a consistência da onda. É raro haver um dia flat e mesmo quando o mar está pequeno a onda continua a ter muita força.”

A prestação de Maya nos últimos anos da Nazaré tem inspirado mais mulheres a testar os seus limites neste break (o ponto onde uma onda rebenta). A portuguesa Joana Andrade e a francesa Justine Dupont são presenças habituais em algumas das sessões mais pesadas de cada temporada. “É ótimo partilhar este pico com mais mulheres. Acredito que este trabalho no feminino possa vir a resultar numa etapa do Big Wave Tour para senhoras aqui na Nazaré.” (Atualmente só há uma etapa deste tipo e é em Jaws, Peahi, na ilha de Maui, no Havai.)

A temporada de ondas grandes no hemisfério norte vai agora a meio e Maya está pela Nazaré a superar os limites do razoável a cada dia que passa. Ela e uma trupe de audazes, como Sebastian Steudtner, Eric Ribiere e Sérgio Cosme, entre outros a quem ela chama a sua poliglota família portuguesa.

 

por Maria Ana Ventura /// foto Vítor Estrelinha

Arquivos

Nazaré, meu amor

O roteiro favorito de Maya pela Nazaré tem, entre outras paragens obrigatórias, o Sítio, onde ela recomenda a visita “ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e a vista da Praia do Sul a partir deste miradouro”. Outros lugares fundamentais são a marina da vila e o Forte de São Miguel Arcanjo. A história da fortaleza e a do Canhão da Nazaré estão expostas nas paredes do monumento que também é o lugar certo para sentir a energia da onda que em dias de mar grande se agiganta ali à frente. Para petiscar, a Taverna do 8 ó 80 e a da Adélia.

Taverna do 8 ó 80\\\ Avenida Manuel Remígio, Edifício Atlântico, loja 8

Tabernada Adélia \\\Rua das Traineiras, 12 \\\ facebook.com/tabernadadelia

XXL

Alguns dos mais temerários surfistas portugueses exploraram nas últimas décadas as ondas da Praia do Norte, mas foi o havaiano Garrett McNamara quem pôs definitivamente a Nazaré nas bocas do mundo quando, em 2011, surfou um monstro de 24 metros – a maior de sempre àquela data. De lá para cá, surfistas das sete partidas do mundo testam os seus limites nas ondas que o canyon submarino, o famoso Canhão da Nazaré, potencia. Nos últimos três anos, a Nazaré recebe também uma das etapas do Big Wave Tour, o circuito mundial de ondas grandes da World Surf League.

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