Margarida Jerónimo, Copenhaga

on Sep 3, 2019 in Partida | No Comments

Esta arquiteta de Lisboa trocou Londres pela capital da Dinamarca. A mudança transformou- -se em paixão pela cidade. A tradição de design e arquitetura ajudaram.

A decisão foi a dois. Margarida Jerónimo conheceu o namorado, também arquiteto, em Londres e ambos ponderaram mudar de cidade. Apesar de Morten ser dinamarquês, nunca tinha vivido em Copenhaga, o que os punha em pé de igualdade. Depois de terem feito uma lista de países e cidades, optaram pela capital da Dinamarca por gostarem “da sua escala e ritmo, mais pequena e calma que Londres mas ainda com o estilo de vida urbano de uma capital europeia”. Entre os incentivos mais importantes esteve o facto de haver “vários ateliês de arquitetura muito bons, alguns dos quais muito internacionais”. O que também suavizou a barreira da língua. Para Margarida, o não falar dinamarquês “não foi um problema para arranjar um bom trabalho”.

Com apenas 32 anos, Margarida deixou a capital portuguesa há oito, depois de terminar o curso na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. Para ela, que sempre teve “curiosidade de viver fora, por achar que o mundo é demasiado grande para viver a vida toda na mesma cidade”, o facto de em 2011 não haver muitos empregos em Portugal foi “um bom impulso para decidir sair logo depois da faculdade”. Ter um horário de trabalho de 37 horas semanais, horas extra pagas, seis semanas de férias e um “salário ótimo” foi fundamental, além de a Dinamarca manter uma tradição de design e arquitetura “muito atrativa”.

Em Copenhaga trabalha no ateliê Vilhelm Lauritzen Arkitekter (fundado por um dos mais importantes arquitetos dinamarqueses do século XX) e tem neste momento em mãos um projeto de reabilitação de um edifício de escritórios na cidade, originalmente dos anos 60. Margarida é diretora de projeto, o que implica, além do desenho e do design das peças, “organizar o trabalho do resto da equipa e fazer a coordenação da informação com os engenheiros, empreiteiro e equipa de decoração de interiores”. Por isso, passa muito tempo em reuniões a “lidar com as pessoas e as suas expectativas”.

A arquiteta reconhece que adora o ritmo e estilo de vida de Copenhaga. Entre várias possibilidades, refere os “muitos eventos diferentes a acontecer, a facilidade de viajar dentro da Dinamarca e, claro, as ligações para o mundo inteiro a partir do aeroporto”. Quase tudo seria perfeito se “os dinamarqueses não fossem tão fechados, o inverno não se prolongasse por tanto tempo e houvesse mais sol, e os impostos não fossem tão altos”. Mas, resume, “o balanço é mais que positivo”. Outras vantagens passam por se sentir sempre segura, “mesmo que sejam três da manhã e esteja sozinha”, a atitude descontraída de uma cidade “onde, no máximo, em 20 minutos de bicicleta se chega a todo o lado”, ir a restaurantes de topo “de jeans e ténis e ser normal” e usufruir “das noites longas de verão, em que o porto e os canais estão cheios de gente até de madrugada”. Margarida elogia ainda as políticas que tornam claro que “as questões ambientais têm que ser centrais nas iniciativas governamentais a partir de agora”.

Quanto à amizade, reconhece que “não é muito fácil passar de conhecido a amigo dos dinamarqueses” e, por isso, fez mais amigos entre os estrangeiros. Entre as afinidades, realça que é fácil habituar-se ao dia a dia de Copenhaga, o que a fez sentir-se rapidamente em casa, “talvez porque a escala da cidade é parecida com Lisboa, principalmente por comparação a Londres”.

O futuro poderá passar por Portugal, até porque não esconde que gostava muito de voltar e “o namorado também acha boa ideia”, por isso talvez venha a acontecer nos próximos anos. Para já divide os seus hobbies entre o estudo do dinamarquês e, no Verão, nada no mar e nos canais.

vla.dk

 

por Augusto Freitas de Sousa /// foto Enric Vives-Rubio

Arquivos

Lego e arte

Mariana recomenda visitas à bela cidade de Aarhus e à LEGO House em Billund. Em Copenhaga leva sempre a família e amigos ao Louisiana Museum, de arte moderna, e ao antigo depósito de água, Cisternerne, convertido em galeria de arte.

aarhus.dk \\\ legohouse.com \\\ louisiana.dk \\\ cisternerne.dk

Noma ou Sidecar?

Há muitos restaurantes muito bons em Copenhaga. Para quem tem possibilidades económicas, há o Relæ, o Manfreds, o Pluto, ou, claro, o Noma. Os mercados de comida e os restaurantes do grupo Mikkeller ou Cofoco são uma boa opção low cost, e o Sidecar é bom para brunch ou jantar. Para beber um copo, vá ao Meatpacking District.

restaurant-relae.dk \\\ manfreds.dk \\\ restaurantpluto.dk \\\ noma.dk \\\ mikkeller.dk \\\ cofoco.dk \\\ sidecarnoerrebro.dk

 

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