Lisboa 10×10

on Jun 1, 2013 in Partida | No Comments

Cidade de uma luz que é só sua, namorando o rio que se agiganta para entrar no mar, Lisboa é varina, é marinheira, é marialva, fidalga e fadista, elegante e vadia, tradicional e moderna, cosmopolita de cinco séculos a ver chegar e partir gentes, subindo e descendo as colinas ao ritmo dos novos mundos que deu ao mundo. Nos becos e vielas, nas ruas e praças, a cada passo, uma descoberta: de sensações e de sentimentos, da alma que permanece e da que renasce, dos insondáveis mistérios de uma diva caprichosa. Revisite-a, descubra-a ou encontre-se nela, pela mão de dez das suas vozes mais apaixonadas. Da arquitetura à gastronomia, dos recantos aos jardins, da História às histórias, dos lisboetas às ruas, da música ao comércio.

por Patrícia Brito

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1 – 10 MISTÉRIOS POR MARINA TAVARES DIAS

“Lisboa”, diz a olisipógrafa Marina Tavares Dias, “é uma das cidades geograficamente mais apelativas do mundo e também uma das mais desconhecidas, tanto pelos turistas, como pelos próprios portugueses (e lisboetas)”. Quem é afinal o padroeiro da cidade? Porque é que Santo António de Lisboa é visto como santo casamenteiro? E por obra e graça de quem é que se diz que Martim Moniz ficou entalado nas portas do Castelo de São Jorge? Estes são apenas alguns de dez mistérios insondáveis de Lisboa. Uns têm resposta, outros nem por isso. Tem a palavra a especialista.

I – São Gens

“A tradição mais antiga de que há registo em Lisboa é a de São Gens, que foi bispo de Lisboa antes de a cidade ser cristã. Reza a tradição que quem se senta na cadeira de pedra do século XII onde São Gens pregava tem um bom parto. Não há quem diga o contrário! É uma tradição algo pagã que nunca desapareceu. A cadeira encontra-se na ermida de Nossa Senhora do Monte.”

II – A Varina
“A varina, a figura típica lisboeta, desapareceu aqui há uns 20 anos. Diz a lenda que as varinas de Lisboa são descendentes das fenícias. Mulheres fortes, elegantes e altivas, foram cantadas pela nata intelectual de Lisboa, como os poetas Cesário Verde e António Borges, que lhes louvavam a beleza e postura (e até o cheiro a peixe que emanavam). A explicação mais plausível para o desaparecimento da varina será mesmo o facto de os lisboetas terem memória curta.”

III – Rossio ou Praça Dom Pedro IV?
“O mistério mais engraçado de Lisboa é este: porque é que as coisas têm dois nomes? O Rossio é a Praça Dom Pedro IV, o Terreiro do Paço é a Praça do Comércio, o Campo de Santana é o Campo dos Mártires da Pátria. Há uns anos mudou-se a toponímia de alguns lugares de Lisboa, mas, neste caso, os lisboetas não foram em modas e continuaram a tratar esses lugares pelo seu nome original. Assim se vê, já dizia o meu avô, quem é que é de Lisboa e quem é que vem de fora. Quem vem de fora chama Praça do Comércio ao Terreiro do Paço, o mesmo com o Rossio, com o Campo de Santana e outros.”

IV – Martim Moniz
“Acho engraçado as pessoas irem ver a porta onde o Martim Moniz terá ficado entalado no castelo de São Jorge durante a conquista aos mouros. Isso é ficção absoluta. De acordo com tudo o que li sobre a conquista de Lisboa – e li tudo o que há disponível sobre o assunto – não há nenhum registo desse acontecimento. De onde é que essa história vem? Sabe Deus!”

V – O Traje
“Diz-se que o traje típico de Lisboa será o da fadista do quadro de Malhoa. Essa fadista não é a Severa, é a prostituta Adelaide. Lembraram-se de trajar a mulher lisboeta como essa personagem e fazer dela uma representação do fado. Não só aquilo não representa o fado – porque a Severa não se vestia assim –, como existe um traje típico que foi posto na gaveta. A mulher de Lisboa é a de capote e lenço de tarlatana. As últimas representações que existem desse traje foram executadas em cerâmica pelo mestre Bordalo Pinheiro (no século XIX).”

VI – O Chiado
“É quase categórico que não foi o poeta satírico Ribeiro Chiado que deu o nome ao Chiado. Quando inauguraram a estátua ao poeta, nos anos 20 do século XX, o olisipógrafo Gustavo Matos Sequeira descobriu que havia um taberneiro na esquina da Rua Garrett (que antigamente se chamava Rua das Portas de Santa Catarina) com a Rua do Carmo que tinha a alcunha de Chiado. E é certo que qualquer pessoa que faça essa curva com frequência sabe que ali até os sapatos chiam na calçada íngreme, como chiavam também as rodas de metal das carroças. O mais provável é que a alcunha do senhor e também a toponímia Chiado venham desse ‘chiar’.”

VII – O Aqueduto
“O arco de São Bento, parte do aqueduto das Águas Livres, foi desmontado para facilitar a passagem do carro elétrico e assim esteve desmontado durante décadas. Foi reerguido na Praça de Espanha e dedicado aos resistentes ao fascismo. Não bate a bota com a perdigota. É um mistério insondável.”

VIII – Três Santos Padroeiros
“Santo António é visto por muitos como o padroeiro de Lisboa, mas na verdade não é. O padroeiro é São Vicente, que não está sozinho nesta missão. Não podemos esquecer São Jorge, a quem está consagrado o castelo da cidade. Durante a reconquista, os cristãos portugueses, para se distinguirem dos espanhóis, começaram a gritar por São Jorge (os espanhóis por Santiago). Na verdade há três padroeiros de Lisboa: São Jorge, São Vicente e Santo António, que é o que mais fala ao coração dos alfacinhas.”

XIX – Marquês de Pombal
“O Marquês de Pombal é homenageado numa área de Lisboa onde se devia homenagear a implantação da República (em 1910) porque foi ali que estiveram estacionadas as barricadas da República. No tempo do marquês aquilo nem era Lisboa, eram terrenos baldios. A homenagem ao marquês deveria estar na Baixa, que ele reconstruiu depois do terramoto de 1755.”

X – Santo António
“Santo António era um homem dedicado aos estudos, um Doutor da Igreja extremamente ascético. Nunca se lhe conheceram paixões (São João Batista, por exemplo, teve uma apaixonada, Salomé) e não consta que tivesse feito o milagre de juntar nenhum casal de apaixonados, mas lá que é visto como o santo casamenteiro, é. Tanto que (pelo menos desde o século XVIII) muitos rumam à Igreja de Santo António para pedir um par. Vá-se lá saber porquê.”

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2 – RUAS COM HISTÓRIA POR JOSÉ SARMENTO DE MATOS

Esqueleto da cidade, as ruas têm memórias próprias e evoluem como protagonistas de um romance que se desenrola ao longo dos séculos. O olisipógrafo José Sarmento de Matos guia-nos pela sua história e geografia.

I – As vias romanas de Lisboa
“As mais importantes reminiscências da cidade do período romano são alguns eixos viários que ainda perduram em plena funcionalidade. Pelo facto de até mesmo muitos lisboetas ignorarem a antiguidade dessas ruas, é bom lembrar o esquema viário romano que marcou para sempre a estrutura da cidade. São três os eixos fundamentais, dos quais em seguida se citam alguns trechos: a via Ocidental, a via Norte e o conjunto de ruas no Núcleo Central da cidade antiga.

II – Calçada do Combro
“Este era o primeiro troço da estrada que conduzia para os arrabaldes ocidentais. A sua designação provém da sua acentuada curvatura, que se dizia Congro, evoluindo depois para o termo atual. A sua proximidade do núcleo central da cidade levou, em especial após o século XVI, a transformar-se num dos eixos de crescimento urbano, quer pelo aparecimento em seu redor de novos bairros, como o Bairro Alto, quer por permitir a construção de palácios aristocráticos, quer, ainda, de casas religiosas, como o convento dos Paulistas (hoje Santa Catarina) ou o de Jesus (hoje Mercês).”

III – Rua do Poço dos Negros
“Sendo a continuação da Calçada do Combro, a designação atual desta via de características mais populares, provém da existência, no seu topo ocidental, de um terreno do vizinho Mosteiro de São Bento, cujos recolhidos eram chamados os padres negros, dada a cor da capa do hábito. Nesse terreno existia um poço que os beneditinos abriam à fruição das populações vizinhas, colmatando a falta de água que sempre se sentiu na parte ocidental da cidade. Daí, ser conhecido por Poço dos Negros. A escassez de água só foi resolvida no século XVIII com a construção do Aqueduto das Águas Livres.”

IV – Rua das Janelas Verdes
“O nome deste troço da via ocidental é devido à construção de um palácio com janelas pintadas de verde, que logo virou moda, ainda hoje sensível. Dado o afastamento da zona central, aqui se instalaram palácios e casas conventuais, gozando de espaço e boas vistas. Entre estes destaca-se o edifício do Museu Nacional de Arte Antiga, que conjuga esses duas tipologias, pois resulta da junção do Palácio dos Condes de Alvor e do Convento de Santo Alberto, cuja igreja ainda subsiste, integrada na estrutura do museu.”

V – Rua de São José
“Já fora das antigas Portas da Cerca, o topónimo resulta de se situar nesta rua a Ermida de São José dos Carpinteiros, depois freguesia. Além desse templo, ganharam fama os vários palácios aristocráticos, dando três deles o nome à Rua dos Condes. Para lá desta rua, a Via Norte romana seguia sob várias designações até à antiga Estrada de Benfica.”

VI – Rua das Portas do Sol
“Esta rua terminava na Porta da Cerca Velha, dita do Sol por estar voltada a nascente. Era uma das saídas da cidade, aqui se encontrando alguns edifícios importantes, resguardados pela muralha. Hoje o Jardim de Santa Luzia, junto da ermida do mesmo nome, é um dos mais belos miradouros da cidade antiga e do Tejo. Em frente situa-se o Museu de Artes Decorativas, da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva.”

VII – Rua das Portas de Santo Antão
“Saindo do Rossio, esta rua ganhou o seu nome pelo facto de ser atravessada pela Cerca Nova, aí se abrindo a principal porta de acesso aos arrabaldes a Norte, depois chamada Porta de Santo Antão. Como eixo estruturante, esta rua foi sempre muito movimentada, pois através dela entravam na cidade os frescos provenientes das hortas. Nela se ergueram alguns palácios aristocráticos, como o Palácio Almada, assim como o Coliseu e a Sociedade de Geografia.”

VIII – Largo de Santo António
“Nesta zona situava-se o antigo forum romano. Daqui nasciam algumas vias que levavam às diversas partes componentes do todo urbano. Ao fundo estava o templo principal dedicado ao Sol (Augusto), no local onde hoje se encontra a Sé de Lisboa, construída já no século XII. Na outra face situava-se o templo de Cibele, do qual restam inúmeras placas votivas. Mais tarde foi erguida, em frente da Sé, a Igreja de Santo António de Lisboa, nascido aqui perto em finais do século XII.”

XIX – Rua da Costa do Castelo
“A Costa do Castelo deve o seu nome ao facto de ser uma via circular em torno das muralhas do primitivo oppidum romano. Permitia ligar os diversos acessos à fortaleza, quer provenientes de norte, quer de sul. Este ano foi ligada à Baixa através de um sistema de dois elevadores, que permitem compensar o acentuado desnível de cota, criando uma nova ligação funcional entre os núcleos da cidade. Nesta rua se encontram alguns belos edifícios, muito procurados pela vista sobre a cidade e o rio.”

X – Rua de São João da Praça
“Na sequência das Cruzes da Sé, a atual Rua de São João da Praça, cuja designação se deve a nela se encontrar a igreja da freguesia de São João, constituía no esquema romano o eixo principal de saída para a zona oriental da cidade. No seu termo se acede ao bairro de Alfama, construído no período muçulmano, e, em seguida a via prolongava-se para Xabregas, Chelas, Marvila e Sacavém. Na parte sul desta rua encontram-se várias pequenas travessas que ligam aos arcos que correspondem às antigas portas e postigos da muralha ribeirinha de Lisboa.”

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3 – 10 ESPAÇOS VERDES POR GONÇALO RIBEIRO TELLES

“Cidade ímpar que goza de dois fatores únicos para o crescimento dos seus espaços verdes: as colinas (como a do Castelo, a de São Pedro de Alcântara, a do Alto do Parque e a do Torel) e o rio Tejo. E isto, somado aos hortos e às áreas rurais limítrofes da cidade, dotam-na de uma série de espaços verdes sensacionais”, palavras do arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles. Para o professor, “a paisagem define a cultura e a sociedade” e Lisboa soube, à medida que foi crescendo para o interior, criar novos espaços verdes. Eis alguns dos seus prediletos.

I – Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian
“Um projeto que se procurou integrar no espírito da cidade. Na Gulbenkian criou-se um plano de água e, em seu redor, um espaço de bosque, um espaço de sombra, um de luz e vários percursos. Vive por si dentro da cidade, mas não vive sem ela. Um jardim para se passear.”
www.gulbenkian.pt

II – Jardim Botânico da Escola Politécnica
“Recria a mata tradicional das antigas quintas de recreio e além disso alberga uma série de espécies para reconhecimento cultural e científico das pessoas.”
www.mnhnc.ul.pt

III – Avenida da Liberdade
“Do século XIX e inspirados nos boulevards parisienses, os jardins da Avenida da Liberdade (antigo Passeio Público) primam pelos canteiros ajardinados e árvores de sombra de porte (com especial destaque para os plátanos, ulmeiros e palmeiras das Canárias). O toque especial é-lhe dado pela nossa tão típica calçada portuguesa, feita à mão, seguindo os intrincados desenhos dos ladrilhos industriais.”

IV – Parque Florestal de Monsanto
“É a mata de Lisboa que me lembra o lado pastoril, silvestre e bucólico da cidade. É também conhecido como o pulmão da cidade e tem inúmeras infraestruturas de lazer. Estende-se por cerca de mil hectares e está ligado ao coração de Lisboa – a Baixa – por um corredor verde pelo qual me bati durante vários anos.”

V – Jardim Amália Rodrigues
“Vem coroar os magníficos pontos de vista do alto do Parque Eduardo VII. Tem como pano de fundo, de um lado a Avenida da Liberdade, o Tejo e a margem sul, do outro, Monsanto. É um jardim para se contemplar a cidade.”

VI – Jardim do Museu Nacional de Arte Antiga
“À beira-Tejo há jardins importantíssimos do século XIX, como os jardins do Museu Nacional de Arte Antiga, que, por se construírem numa encosta e em socalcos, se harmonizam brilhantemente com o rio. Como este há vários outros, entre o Cais do Sodré e Alcântara.”

VII – Tapada da Ajuda
“Antiga tapada real onde os nobres se divertiam em caçadas. Tem uma estética muito rara e particular, pois mistura território de recreio, arboretos, viveiros e espaços agrícolas. Ocupa cerca de 100 hectares em plena malha urbana e tem um acervo de flora que ultrapassa as duas centenas de espécies.”
www.isa.utl.pt/tapada

VIII – Jardim da Estrela
“A princípio a tónica estava nos canteiros de flores, mas, com o passar dos anos, as árvores ganharam protagonismo neste jardim do século XIX. Um dos seus recantos mais apreciados pelos lisboetas é o magnifico coreto em ferro trabalhado que é palco de eventos pontuais, como concertos.”

XIX – Praça da Alegria
“Jardim romântico de finais do século XIX construído em canteiros. Tem um pequeno lago com repuxo ao centro e exibe altas palmeiras e lódãos. O seu nome original é Jardim Alfredo Keil, pintor e compositor responsável pelo hino nacional, que está representado no jardim num busto da autoria de Teixeira Lopes.”

X – Jardins do Torel e de São Pedro de Alcântara
“O Torel precipita-se sobre o vale da Avenida da Liberdade e é um jardim em plataforma que combina com o jardim de São Pedro de Alcântara, na colina oposta. Um não vive sem o outro. São ambos mais bonitos ao entardecer por causa das espécies de árvores que lá estão plantadas (entre elas o lódão-bastardo e a palmeira das Canárias). A luz do sol poente combinada com as folhagens proporciona um espetáculo notável.”

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4 – Arquiteturas por Barbas Lopes Arquitetos

Na arquitetura, Lisboa é um autêntico melting pot. O antigo e o moderno, o decadente e o divinal, cabe lá tudo. Abraçamos as lições deste mosaico urbano num alegre passeio com início à beira-rio e avançando em direção ao interior. O que se segue são alguns pontos de paragem favoritos. O nosso contributo para este bric-à-brac situa-se na linha de chegada. Divirta-se!

I – À Margem
De frente para o estuário do Tejo, este elegante bar com vistas espetaculares para o rio é o sítio perfeito para iniciar uma viagem por Lisboa. Projetado por João Pedro Falcão de Campos e José Ricardo Vaz, recorda as linhas puras dos pavilhões de Mies van der Rohe. Pratos leves e bebidas a um preço razoável. Perto dali fica o complexo do Centro Cultural de Belém.

II – Novo Museu dos Coches
Paulo Mendes da Rocha é o autor deste projeto que integrará a área monumental de Belém. Neste primeiro trabalho além-mar, o mestre brasileiro projetou os largos vãos e generosos espaços públicos que são uma das suas marcas. Infelizmente, o novo Museu dos Coches ainda não se encontra aberto ao público. Ao lado desta nova estrutura de perfil aerodinâmico encontra-se o Picadeiro onde as carruagens estiveram expostas durante o último século.

III – Ponte 25 de Abril
Concluída em 1966, esta ponte suspensa foi a primeira a estabelecer ligação entre a cidade e a margem sul do rio. Irmã da Golden Gate Bridge, em São Francisco, é um autêntico feito de engenharia. Por baixo dela, na margem norte, fica a LX Factory que resulta da reconversão de armazéns industriais em restaurantes, lojas e outros locais para hipsters globais.

IV – Tercenas do Marquês
De entre os inúmeros tesouros escondidos na cidade destacamos este degradado estaleiro naval do século XVI, disfarçado atrás de um inclassificável edifício de escritórios. Originalmente, ficava de frente para as margens do rio, mas, hoje, assemelha-se mais ao cenário de um conto de Edgar Allan Poe. Atravessando as suas arcadas em ruínas, deparamo-nos com o majestoso e surpreendente Museu Nacional de Arte Antiga.

V – Terreiro do Paço
Uma das mais belas praças da Europa e porta principal de entrada na cidade, foi devastada pelo Terramoto de 1755. Reconstruída como um espaço urbano integrado, a praça e os palácios circundantes fundem-se como um todo. Atualmente, as suas arcadas albergam restaurantes e cafés, mas nenhum pode competir com o Martinho da Arcada. Fernando Pessoa era cliente assíduo.

VI – Gambrinus
Este elegante restaurante situa-se numa das ruas mais antigas da cidade, entre bares e outros refúgios populares. Renovado na década de 60 pelo arquiteto Maurício de Vasconcelos, conserva os antiquados retoques de madeira e metal ao estilo de Frank Lloyd Wright e Carlo Scarpa. Os preços podem disparar, mas a cerveja de pressão tomada no balcão é deliciosa e acessívela a qualquer um.

VII – Bairro das Estacas
Este bairro residencial foi batizado a partir dos pilares que sustentam a maioria dos seus blocos habitacionais. Planeado por Ruy Athoguia e Formosinho Sanchez, foi concluído em meados da década de 1950. A cidade expandira-se para estes lados, levando a cultura popular, como o rock e o cinema de vanguarda. Atualmente tem um ar antiquado, mas ainda mantém um cheiro de “nouvelle vague”.

VIII – Palácio da Justiça
Januário Godinho e João Andresen projetaram este tribunal durante a década de 60 do século passado. Num planalto sobranceiro ao Parque Eduardo VII e integrado numa série de edifícios construídos naquela área com elevados padrões de qualidade, como o Hotel Ritz, esta construção anuncia a cidade moderna. O revestimento em pedra e os robustos pilares evocam Le Corbusier e Oscar Niemeyer. Nas proximidades, amplas zonas verdes conduzem-nos à exótica Estufa Fria de Lisboa.

XIX – Fundação Calouste Gulbenkian
Outro belo exemplar da arquitetura moderna na cidade. Foi inaugurado em 1969, de acordo com os planos de Ruy Athoguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, por encomenda de Calouste Sarkis Gulbenkian. Este magnata do petróleo oriundo da Arménia, optou por guardar aqui a sua infindável coleção de arte. Do Antigo Egito aos Impressionistas, esta Arca de Noé de arquitetura brutalista possui ainda um maravilhoso jardim. Um must absoluto.

X – Sport Futebol Palmense
Outra joia escondida, desta vez nos arrabaldes da cidade. Entalado entre estradas e viadutos, este popular clube desportivo é um oásis no meio da expansão suburbana. Além do campo de futebol, tem uma churrascaria bastante barata. Lisboa também é este contraste. Costumávamos almoçar aqui, enquanto supervisionávamos a reconstrução do Teatro Thalia.

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5 – 10 ÂNGULOS POR JOÃO BOTELHO

Um dos elogios mais frequentes que se fazem a Lisboa é à beleza da sua luz. E é ela que, em conjunto com uma série de outras peculiaridades (arquitetónicas e naturais) e subtilezas (feitas pelo homem e oferecidas pela criação), transformam a cidade numa favorita de fotógrafos e cineastas. O realizador João Botelho é um desses apaixonados e é ele quem nos fala sobre ângulos da cidade que passam despercebidos à vista destreinada.

I – Cedro do Buçaco
“No centro do jardim do Príncipe Real existe uma árvore mentirosa. Todos julgam que é um cedro do Buçaco, mas, na verdade, é um arcipreste e veio do México. Tem mais de 100 anos. Gosto muito dela, coloquei lá o ‘meu’ Fernando Pessoa no filme Conversa Acabada. O João César Monteiro, no seu último filme, Vai e Vem, também lá pôs a ‘sua’ musa. É uma árvore surpreendente pela sua dimensão, pela forma como está posta e pelo seu retorcido. É um bom sítio para se ver e para se estar.”

II – Condutas de Água
“Existe um grande labirinto de condutas de água que percorre centenas de metros em Lisboa. O meu troço preferido é o que começa na Patriarcal, no Príncipe Real, e vai desaguar ao postal de Lisboa que é São Pedro de Alcântara. Sair da escuridão profunda para a luz absoluta é um choque fantástico. O percurso também se pode fazer a partir do Museu da Água e existem visitas guiadas, duas a três vezes por semana que custam apenas dois euros.”
www.museudaagua.epal.pt

III – Bairro das Colónias
“Adoro o Bairro das Colónias, onde existe o maior espólio de arquitetura modernista e Art Déco de Lisboa. É riquíssimo e notável. Outro lugar favorito, nesse bairro, são as escadas monumentais, no final da Rua Manchester, rodeadas por umas árvores enormes. É um prazer subi-las.”

IV – Escadinhas do Duque
“Outro lugar de que gosto é das escadinhas do Duque que, além de esplanadas, de música e de vida para dar e vender, oferecem uma descoberta sucessiva de planos de Lisboa: do Castelo à Graça”.

V – No Elétrico
“Subir de elétrico a Calçada de São Francisco (entre a Baixa e o Chiado) que é uma rua magnífica com uns prédios de fachadas redondas absolutamente notáveis. A diversão e a surpresa continuam ao subir a Rua Vítor Cordon, que parece um carrossel.”
www.carris.pt

VI – Igreja de São Domingos
A Igreja de São Domingos, a igreja da Inquisição, foi castigada por um incêndio monumental e é um lugar fantástico. Os tetos cor de rosa fazem um contraponto brilhante com a pedra calcinada, o chão muito liso e os bancos de reza muito baixos. É um devaneio impressionante, parece não ter sentido…mas tem os sentidos todos.”

VII – Martim Moniz
“A praça mais feia de Lisboa, o maior atentado arquitetónico, é também, a meu ver, a praça mais interessante da cidade. Falo do Martim Moniz, que me cativa pelo cosmopolitismo, pelo cruzamento de raças, de cores, de sabores, de cheiros. É muito divertida, muito musical, mas muito feia. Ali não há o outro. O outro somos todos nós.”

VIII – Mouraria
“Gosto mais da Mouraria do que de Alfama. Gosto de entrar na Rua do Capelão, uma rua muito estreita, passar a Praça da Severa e mais adiante, entre o Beco da Guia e o Beco dos Três Engenhos, no Largo da Guia (onde fica a Tasca da Parreirinha, que é um bom sítio para petiscar) há uma praceta que tem umas escadas que não dão para lado nenhum. Acho aquilo fantástico por ser tão inesperado.”

XIX – Cais das Colunas
“O Cais das Colunas (apesar dos nomes obscenos inscritos nas colunas: Carmona e Salazar, figuras do Estado Novo e da ditadura que vigorou em Portugal entre 1933 e 1974) é uma praça maçónica à beira-Tejo onde gosto de me sentar nos degraus – no verão, entre as cinco e as seis da manhã, no inverno entre as sete e as oito – e ver como, a cada minuto, a luz muda. O nascer do dia sobre Lisboa é inacreditável.”

X – Monte Agudo
“Miradouro notável de Lisboa. Entra-se pela Rua da Penha de França, anda-se cem metros e entra-se por um portão para um jardim, ou melhor, para uma pequena floresta, em socalcos, com uma vista fabulosa sobre a cidade.”

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6 – OBRAS POR DELFIM SARDO

Lisboa é feita de pequenos segredos e mistérios. Ao contrário de outras cidades, que possuem, na monumentalidade das suas praças, as obras, estatuária e arquitetura que marcam o seu caráter, Lisboa é feita de pequenos largos e pátios, de mistura social e de cruzamentos culturais. As obras de arte têm de ser procuradas dentro dos museus. O nosso percurso passa por alguns dos museus de arte mais significativos de Lisboa.

I – Painéis de São Vicente, 1470 – 80 (Nuno Gonçalves)
Museu Nacional de Arte Antiga
A obra de referência do Museu Nacional de Arte Antiga é também a obra de arte que mais tinta fez correr na História da Arte em Portugal. De complexa interpretação, trata-se de um conjunto de seis painéis onde estão representadas 60 personagens. Resultado de uma encomenda de D. Afonso V ao pintor da corte, a obra destinou-se provavelmente a comemorar as conquistas do Norte de África e ser colocada na Sé de Lisboa, no altar dedicado ao santo padroeiro da cidade, São Vicente. É a primeira grande obra da pintura portuguesa.

II – Sagrada Família e Doadores, 1505 (Vittore Carpaccio)
Museu Gulbenkian
Obra-prima de Carpaccio, é uma das chaves para a compreensão da transição entre a Idade Média e o Renascimento num dos pintores que atravessaram os dois mundos. Exemplar do rigor das escolhas de Calouste Gulbenkian, faz-nos sentir uma compulsão para ir a Veneza ver os Carpaccios de San Giorgio de Schiavonni.

III – Diana, 1780 (Houdon)
Museu Gulbenkian
A obra que pertenceu a Catarina da Rússia é uma das peças fundamentais da escultura francesa do século XVIII. A nudez da deusa foi causa de escândalo, mas a delicadeza e a graça do movimento, coreografado como num bailado, fazem da escultura uma obra notável.

IV – Santo Agostinho (Piero de la Francesca)
Museu Nacional de Arte Antiga
A obra-prima de Piero de la Francesca tem tido uma enorme atenção. Realizada para o altar da igreja da sua terra natal, Borgo San Sepolcro, foi recentemente apresentada, juntamente com as restantes seis pinturas do altar, na Frick Collection, em Nova Iorque.

V – Estudo Proun 1A (Lazar Lissitzky)
Museu Berardo
A peça histórica do artista russo é o primeiro estudo para o projeto que foi o Espaço Proun, que apresentaria quatro anos mais tarde em Berlim. Momento significativo do cruzamento entre arte e arquitetura, o pequeno desenho de Lissitzky é uma das obras fundamentais das vanguardas russas.

VI – Tentações de Santo Antão, c. 1500 (Hieronymus Bosch)
Museu Nacional de Arte Antiga
As Tentações são outra das peças do MNAA que, só por si, justifica uma visita. A tradição diz que a pintura, uma das mais extraordinárias representações do caos do mundo com que se confronta o santo ermita, pertenceu a Damião de Goes. Embora essa proveniência não esteja confirmada, a obra exala uma surpreendente modernidade no caráter ostensivo, irónico e trágico da sua iconografia.

VII – Kultur, 1962 (Joaquim Rodrigo)
Museu do Chiado
Um dos mais surpreendentes artistas portugueses da segunda metade do século XX, Joaquim Rodrigo foi também silvicultor – e um dos engenheiros responsáveis pelo Parque de Monsanto, em Lisboa. O seu conhecimento da natureza constituiu uma importante matriz para a sua teoria da pintura, que reduziu a quatro cores, correspondentes às cores da terra fértil. A obra Kultur é um dos primeiros momentos da afirmação do artista, numa composição carregadas de referências autobiográficas.

VIII – Salto, 1985-6 (Julião Sarmento)
Museu Berardo
A meio da década de 1980, a obra de Julião Sarmento foi estruturando alguns dos elementos que o fazem um dos artistas portugueses mais reconhecidos internacionalmente. A divisão da pintura em campos que incluem imagens de várias proveniências, a forte carga sexual e a remissão para o cinema estão aqui condensadas, num processo de regresso à pintura, após uma década em que utilizou principalmente o filme e a fotografia.

XIX – Festa da Ascenção na Praça de S. Marco, c. 1775 (Guardi)
Museu Gulbenkian
Uma das obras mais conhecidas do pintor de Veneza, representa a Festa della Sensa em Veneza, transformando a cidade num palco. O dramatismo do céu vale a visita ao museu.

X – Entrada, 1917 (Amadeo de Souza-Cardozo)
Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian
Amadeo é o maior pintor do modernismo português. Nesta pintura do ano anterior à sua prematura morte estão reunidas as características da complexidade do seu trabalho: a imagem fracionada, a memória do cubismo, a introdução de texto. Amadeo foi uma vítima colateral do isolamento português durante o Estado Novo, não tendo a sua obra sido adquirido para o Museu Nacional de Arte Contemporânea. A sua recuperação foi efetuada pela Fundação Calouste Gulbenkian, que possui o maior espólio do pintor.

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7 – MÚSICA POR ALEXANDRE CORTEZ

A musicalidade de Lisboa, com os seus sons únicos, tem reflexo na oferta cultural da cidade. Herdeira da diáspora das suas gentes, que traziam melodias de lugares distantes, a capital portuguesa é mulata nos ritmos africanos, fala português na irmandade brasileira e põe toda a alma na sua canção, o fado. Para além desta identidade, nos clubes, bares e esplanadas ouvem-se os sons da contemporaneidade, do jazz à world music, passando pelas novidades das pistas de dança. Alex Cortez, baixista da mítica banda Rádio Macau é o nosso cicerone.

I – Hot Club – Escola de Música, Concertos
“O Hot Club é uma escola de jazz por onde passaram os melhores músicos do país. Recheado de história e de histórias, por ali já se ouviram os melhores jazzistas de todo o mundo. Lembro-me, por exemplo, de um memorável concerto que juntou Charlie Haden com Carlos Paredes. Sendo também um ótimo espaço para iniciados, faz parte do vocabulário de qualquer amante de jazz que se preze.”
Praça da Alegria, 48
+351 21 346 0305
www.hcp.pt

II – Fábrica Braço Prata – Livros, Concertos, Exposições
“Um local multifunções. Percorrendo as suas diversas salas, podemos ler e comprar um livro, ver performances, teatro e espetáculos musicais, e beber um copo num ambiente tranquilo. Esta antiga fábrica de Lisboa é um polo que traz à zona oriental da cidade alguma agitação em torno da cultura.”
Rua da Fábrica de Material de Guerra, 1
+351 96 551 8068
www.bracodeprata.net

III – Clube Ferroviário – Clube, Concertos
“O Clube Ferroviário tem uma das mais espetaculares vistas de Lisboa. Um amplo espaço na cobertura e uma excelente programação musical fazem dos fins de tarde neste clube uma paragem obrigatória. Regularmente oferecem-nos também bons concertos com artistas nacionais e estrangeiros.”
Rua de Santa Apolónia, 59
+351 21 815 3196
www.clubeferroviarioblog.com

IV – Flur – Loja de Música
“Uma cidade tem música, ou tem músicas. Não só para melómanos, recomenda-se vivamente uma das últimas ‘lojas de discos’ da cidade. Aqui ouve-se de tudo, da música portuguesa contemporânea ao mais recente e especializado nicho de mercado. Aconselhado por especialistas.”
Av. Infante D. Henrique, Armazém B4, Santa Apolónia
+351 21 882 1101
www.flur.pt

V – Ler Devagar – Livros, Concertos
“Ler Devagar, recomenda-se sempre. Para ler e consultar vá até esta livraria, que é das mais bonitas de Lisboa. Tem um excelente catálogo e é sempre um momento bem passado, seja a ler poesia ou a procurar um livro que nos deixou água na boca. Tem muitos acontecimentos, lançamentos e também conversas e debates. Sempre à volta de um bom livro.”
Rua Rodrigues Faria, 103
+351 21 325 9992
www.lerdevagar.com

VI – Musicbox – Concertos, Clubbing
“O Musicbox é um palco de Lisboa. Por ali se ouve a melhor das músicas da atualidade. Das últimas tendências das pistas de dança à música que faz desta cidade multicultural uma das mais vibrantes da Europa. Um clube imprescindível.”
Rua Nova do Carvalho, 24
+351 21 343 0107
www.musicboxlisboa.com

VII – Onda Jazz – Restaurante, Bar, Concertos
“Alfama não é só fado. O Onda Jazz apresenta um programa diversificado de músicas do mundo, onde a tónica é dada em tons de jazz. Um espaço de fusão em que músicos de diferentes origens se cruzam com frequência dando origem
a inspiradas jam sessions.”

VIII – Lounge – Bar, Concertos
“O Lounge está longe de ser um pequeno bar. É muito mais do que isso. Com uma excelente programação de DJs oferece-nos ainda concertos que se instalam no espaço, sendo difícil distinguir os músicos do público. Seguramente um dos mais interessantes pequenos clubes de Lisboa.”
Rua da Moeda, 1
+351 21 397 3730
www.loungelisboa.com

XIX – Lux – Concertos, Clubbing
“O Lux é talvez a mais cosmopolita das discotecas de Lisboa. Para além dos concertos, pelos seus três pisos passam alguns dos melhores DJs europeus e no último andar, a céu aberto, pode-se desfrutar os primeiros raios de sol do dia que transformam o rio Tejo num imenso mar de prata.”
Av. Infante D. Henrique, Armazém A, Cais da Pedra a Santa Apolónia
+351 21882 0890
www.luxfragil.com

X – Galeria ZDB – Concertos, Artes Plásticas
“É uma galeria, um clube de música e um espaço onde se respira um ambiente arty. A ZDB já faz parte do circuito obrigatório para quem gosta de estar a par do que de melhor se faz no meio artístico mais alternativo.É sem sombra de dúvida um ex-líbris do Bairro Alto e uma das mais vibrantes galerias de arte de Lisboa.
Rua da Barroca, 59
+ 351 21 343 0205
www.zedosbois.org

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8 – 10 PRATOS POR DUARTE CALVÃO

A gastronomia de Lisboa tem alguns pratos emblemáticos, como as pataniscas, a meia desfeita, os peixinhos da horta, as iscas com elas, o bife à Marrare ou a torta de laranja. Segundo Duarte Calvão, jornalista especializado em gastronomia, quando o domingo foi eleito dia de descanso, as hortas eram a praia dos lisboetas, tendo grande influência na restauração, tal como as carvoarias trazidas pelos galegos. Mas Lisboa é também uma cidade cosmopolita onde abundam as comidas do mundo com ênfase para a cozinha africana e indiana, herança da sua vocação marinheira.

I – Bacalhau Cozido com Grão
“Para degustar o chamado “fiel amigo” é no restaurante João do Grão. Um espaço centenário fundado por galegos onde se pode usufruir da atmosfera típica de Lisboa. Apesar da idade, o espaço mantém-se com grande serenidade, sem fazer cedências ao que podia ser atrativo para o turista. O bacalhau vem com o jardim – cebola, alho, salsa e colorau – e com ovo cozido. Continuamos no vinho tinto.”
João do Grão
Rua dos Correeiros, 222-226
+351 21 342 4757

II – Pastéis de Massa Tenra
“No Pap’Açorda os pastéis são muito bem feitos. O recheio de carne fica granulado e não em pasta, o que obriga a mastigar. Este espaço é um belíssimo exemplo de que a cozinha típica portuguesa pode ser apresentada com requinte. Não é preciso ir a tascos para comer boa cozinha portuguesa. O vinho tinto continua a ganhar.”
Pap’Açorda
Rua da Atalaia, 57
+351 21 346 4811

III – Iscas com Elas
“Com boina e avental, o taberneiro André Magalhães fez questão de seguir uma receita muito antiga. As iscas – fígado de porco – são cortadas muito fininhas, feitas com baço raspado e vinagre. O prato vem com batata cozida, as “elas”, e deve ser acompanhado por um copo de vinho tinto.”
Taberna da Rua das Flores
Rua das Flores, 103
+351 21 3479418
www.atabernadaruadasflores.pt

IV – Prego do Lombo

“Um dos melhores pregos do lombo da cidade pode encontrar-se na Cervejaria Ramiro. Depois de uma boa mariscada, termina-se com um prego excelente, que cai muito bem. Neste caso já se bebe uma imperial, que se acompanha com o típico pires de tremoço.”
Cervejaria Ramiro
Av. Almirante Reis 1
+351 218 851 024
www.cervejariaramiro.pt

V – Sardinhas Assadas
“A época para comer sardinhas vai normalmente de junho a setembro. É um prato que precisa de ambiente. O Lautasco, em Alfama, tem a atmosfera ideal para uma sardinhada. Um pátio com uma latada, simpático, sem carros. A sardinha é acompanhada com batata cozida e não deve faltar a saladinha de pimentos assados. Um prato que associamos aos Santos Populares e aos dias quentes de verão. Rega-se com vinho tinto.”
Lautasco
Beco do Azinhal, 7 A
+351 21 886 0173

VI – Mergulho no Mar
“Podemos encontrar este prato no restaurante Belcanto, de José Avillez. Falamos de um robalo escalfado a 540C na água de abrir os bivalves. É um prato magnífico que tem vários admiradores e que é um dos mais interessantes criados em Portugal. Põe em evidência a qualidade do nosso peixe. O robalo fica num ponto fantástico. Deve acompanhar-se com um vinho branco leve e fresco.”
Belcanto
Largo de São Carlos, 10
+351 21 342 0607
www.joseavillez.pt/#/pt/belcanto

VII – Sorvete de Cacau
“Este sorvete é feito com 100% de cacau. É doce, muito cremoso, mas não leva leite nem natas. Tem um sabor espetacular e simboliza a nossa presença nos vários sítios do mundo. É um sorvete fantástico.”
Claudio Corallo
Rua Cecílio da Sousa, 85
+351 91 495 1610
www.claudiocorallo.com

VIII – Pastel de Nata
“Há vários tipos de pastéis de nata em Lisboa. Mas os da Pastelaria Aloma, em Campo de Ourique, ganharam o concurso de melhor pastel de nata pelo segundo ano consecutivo numa prova cega. A massa tem que estar crocante e, para apreciar a qualidade do pastel, é melhor comê-lo frio. O recheio tem que estar cremoso e não pode ser excessivamente doce. O pastel de nata tem o tamanho perfeito para se comer em duas dentadas. Na primeira, sente-se o impacto da combinação de ingredientes, na segunda tem-se a confirmação do que nos pareceu tão bom. Para mim o casamento perfeito é com café, mas pode ser acompanhado com um cálice de vinho do Porto ou de vinho da Madeira.”
Pastelaria Aloma
Rua Francisco Metrass, 67
+351 21 396 3797
http://pastelarialoma.blogspot.pt

XIX – Ussuzukuri
“São fatias finíssimas de peixe lírio dos Açores ou de pregado sobre uma cama de gelo picado. Este prato é acompanhado com molho ponzu, uma delicada combinação de molho de soja e sumo de citrinos, e por daikon, o nabo japonês. O prato pede saké frio. Se por um lado tem esta característica de partilha, por outro faz brilhar o peixe português. Uma criação do casal Anna Lins e Paulo Morais, unidos na vida e na cozinha do Umai.”
Umai
Rua da Misericórdia, 78
+351 96 727 1281
http://restauranteumai.blogspot.pt

X – Empadas de Galinha
“As empadas de galinha do Salsa e Coentros são consensuais. A massa é irrepreensível e o recheio de galinha, com bocadinhos de chouriço, casa com o resto na perfeição. O Salsa e Coentros é uma excelente amostra da cozinha transmontana e alentejana. Infelizmente, temos poucos restaurantes regionais em Lisboa. Tenho pena que não haja um bom restaurante algarvio ou beirão.”
Salsa E Coentros
Rua Coronel Marques Leitão, 12
+351 21 841 0990
www.salsaecoentros.com

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9 – 10 LOJAS POR CATARINA PORTAS

As lojas fazem parte do ADN das cidades e revelam muitas das peculiaridades dos seus habitantes. Aberta ao mundo há mais de 500 anos, Lisboa tem um apurado instinto comercial e as suas montras refletem a história da cidade, a que se juntam os tiques e modas da globalização. Das grandes marcas internacionais aos produtos que fazem parte da identidade do país, pelas ruas há de tudo um pouco. Descubra algumas das mais carismáticas guiado por Catarina Portas, a CEO da marca A Vida Portuguesa, cujas lojas, em Lisboa e no Porto, vendem o que de melhor se faz em Portugal, desde sempre.

I – Retrosaria
“A Rosa Pomar é uma das minhas heroínas. Historiadora, dedicou-se às artes têxteis e aqui, na sua Retrosaria de primeiro andar (e também online), além de vender tecidos estampados brilhantemente escolhidos no mundo inteiro, comercializa as lãs de diversas raças de ovelhas portuguesas, que tem vindo a lançar, e divulga tudo o que sabe em workshops sempre esgotados. Preciso e precioso, como o livro Malhas Portuguesas que acabou de editar.”
Rua do Loreto, 61, 2ºdto
+351 21 347 3090
www.retrosaria.rosapomar.com
Terça a Sábado, 10h – 19h

II – Luvaria Ulisses
“Será a mais pequena loja da cidade mas também uma das suas grandes maravilhas. Desde 1925 vende apenas luvas – mas que luvas! Ao balcão, calçando as peles macias e coloridas, somos as elegantes do Chiado de outros tempos. Imperdível.”
Rua do Carmo, 87
+351 21 342 0295
www.luvariaulisses.com
Segunda a Sábado, 10h – 19h

III – A Vida Portuguesa
“A aposta era simples: juntar num mesmo espaço produtos, marcas e fábricas portuguesas com história, tradição e manufatura. Num lugar que foi um achado, um antigo armazém centenário, com marcas de vida e de história. Ainda há quem se confunda sem saber se está num museu, mas não, esta é uma loja que hoje atrai visitantes do mundo inteiro e vende o melhor que fazemos.”
Rua Anchieta, 11
+351 21 346 5073
www.avidaportuguesa.com
Segunda a Sábado, 10h – 20h; Domingo, 11h – 20h

IV – Claudio Corallo
“O Claudio Corallo, italiano a viver em São Tomé, é o rei do chocolate artesanal alternativo. Planta uma diversidade extraordinária de espécies de plantas de cacau e café e faz com esses frutos da natureza coisas mágicas: cacau quente, pepitas, bombons e chocolates – é experimentar o de flor de sal e pimenta. Pequenina e escondida, esta loja é um dos melhores segredos lisboetas.”
Rua Cecílio de Sousa, 85
+351 21 386 2158
www.claudiocorallo.com
Segunda, 14h30 – 19h30; Terça a Sábado, 10h – 20h

V – Paris em Lisboa
“São as madeiras trabalhadas, a ordem reinando sobre todas as coisas, dois andares com o melhor do têxtil de casa, português, mas também o estrangeiro. Gosto da Paris em Lisboa porque de todos os grandes armazéns do Chiado – que arderam no incêndio de 1988, ou que continuam a arder mercê das marcas-iguais-em-todo-o-lado –, este foi o que ficou das minhas memórias. Requinte, e não luxo, que é coisa nova e rica, é aqui.”
Rua Garrett, 77
+351 21 342 4329
www.parisemlisboa.pt
Segunda a Sábado, 10h – 19h

VI – Conserveira de Lisboa
“Desde os anos 30 que a Conserveira de Lisboa é uma marca diferente: encomenda as suas próprias receitas aos melhores fabricantes de todo o país e nestas latas só entra peixe fresco e pescado em águas portuguesas. A loja é toda uma montra imensa e minuciosa de uma das grandes especialidades portuguesas. Cavala, petingas, ventresca de atum e ovas de sardinha são as minhas favoritas.”
Rua dos Bacalhoeiros, 34
+351 21 886 4009
www.conserveiradelisboa.pt
Segunda a sábado, 09h – 19h

VII – Silva Joalheiros
“Não sei passar pelo Largo Camões sem prender os olhos nas montras da Ourivesaria do Sr. Silva, figura de esmero e generosidade extraordinárias. Joias antigas são uma das especialidades desta casa que já as vende também para museus e coleções. Um dia, quando for crescida, se me der para princesa, é aqui que virei às compras.”
Largo Camões, 40
+351 21 342 6320

VIII – Tabacaria Mónaco
“Desde finais do século XIX que a Mónaco vende jornais e tabacos, portugueses e estrangeiros, no Rossio, numa loja estreitinha que é afinal um corredor sumptuoso. Rafael Bordalo Pinheiro concebeu toda a decoração, dos fios telefónicos com andorinhas pousadas, ao teto onde elas voam no céu. Foram as primeiras andorinhas que assinou, duma mania que se tornou nossa.”
Praça Dom Pedro IV, 21
+351 21 346 8191
Segunda a Sexta, 09h – 19h; Sábado, 09h – 14h

XIX – A Carioca
“Há anos que compro aqui o café, Palace ou Presidente, meio quilo máquina de êmbolo, por favor. E empregados experientes mergulham a medida nos grãos, a máquina antiga mói ruidosamente, o cheiroso é fechado no saco prateado. Toda uma cerimónia que me encanta (quais cápsulas, qual carapuça!). Guloseimas, chás e todos os apetrechos completam a oferta da antiga e reluzente Carioca.”
Rua Misericórdia, 9
+351 21 346 9567

X – Deli Delux
“A despensa mais aprazível da cidade é o Deli Delux. Mercearia internacional, charcutaria e uma garrafeira invejável já fazem do Deli o melhor lugar da cidade para gulosos e gourmets. Mas a beleza do espaço, a cafetaria e a sua esplanada sobre o rio, com um copo de vinho e uma tábua de queijos, rematam um dia feliz. Tranquilo e perfeito.”
Av. Infante D. Henrique Armazém B Loja
+351 21 886 2070
www.delidelux.pt
Terça a Sexta,12h – 24h; Sábado, 10h – 24h; Domingo, 10h – 20h

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10 – O LISBOETA BEM TEMPERADO POR CLARA FERREIRA ALVES

A partir dos bairros da cidade a escritora e cronista Clara Ferreira Alves faz um retrato bem humorado dos lisboetas, acrescentando sal e pimenta ao sabor dos alfacinhas.

Não existe um tipo de lisboeta porque o lisboeta é bairrista, mais, é regionalista, e a região pode não ser maior do que o passeio da rua onde mora. À distância de um grito: “ó, vizinha, deixo-lhe aqui estes restinhos de peixe frito para o gato, são umas espinhas que nós não comemos”, a que se segue a resposta da vizinha, à distância de um murmúrio: velha dos diabos, come-as tu, queres é dar-me cabo do bicho, trinca- espinhas é a tua filha! Ou de um grito sonoro: Obrigado vizinha, mas o gato não come espinhas; come carapaus inteirinhos e dados por mim, comprados à menina Felícia! Peixe fresco! É isto o bairrismo, na sua circunscrição mais limitada, uma linguagem de alto risco de travessa para beco, algures num bairro mourisco. E duvida-se que exista um tipo de lisboeta, justamente porque o lisboeta é um tipo impossível de isolar e identificar em laboratório. Quase toda a gente nascida em Lisboa é gente que descende de gente nascida em outro lugar. A Baixa dantes estava cheia de galegos (quando era Baixa) e os galegos nem são de outro lugar, são de outro país. Espanhóis que gostavam de ser portugueses, louve-se a excentricidade.

Retomando o pensamento, o lisboeta gostava de se identificar como alfacinha, porque isso lhe dava uma unidade civilizacional de território. O alfacinha tem caído em desuso mas nada impede que o recuperemos para efeitos de apuramento de categorias e manias. O alfacinha subdivide-se em bairros. Muitos bairros para uma cidade pequena, mas em junho, por alturas das Festas da Cidade, andam à trolha para ver quem tem a Marcha vencedora. Desfilam na Avenida de Liberdade perante as entidades e autoridades, vestidos de sedas e lantejoulas, cantam uma modinha nada e criada no bairro e ganham um concurso. Os bairros disputam-se amavelmente. Nem todos, só os bairros típicos, porque existem em Lisboa bairros sem identidade, arredados do centro histórico, com torres e prédios altos, jardins com máquinas de exercício físico (se pusessem uma na Mouraria era logo roubada e vendida na Feira da Ladra!), passeios largos e garagens. Bairros onde ninguém se conhece e ninguém passa cartão a ninguém, refugiados nos condomínios e nos carros. Nestes bairros, como nos condomínios privados de luxo, as pessoas estão destinadas a nunca se encontrarem, nem nos elevadores, para não ficarem aborrecidas da falta de privacidade. Vivem uma existência à parte da vida da rua e do café da esquina, do Gomes da papelaria que vende o Euromilhões e da Dra. Adelina da farmácia que vende medicamentos fiados aos reformados. Naqueles bairros que anunciam a periferia, consome-se em takeaway e serviço ao domicílio. Ninguém sabe quem lá vive, com exceção do nosso melhor amigo.

Os bairros típicos e castiços são definidos pela linguagem e a arquitetura. Temos o alfacinha da Lapa, o de Chelas (que não é a mesma coisa), o das Avenidas Novas, o de Alfama (que tem má fama), o de Campo de Ourique, o da Almirante Reis (que é uma rua de má fama entre os altos seletos do Areeiro e os baixios étnicos da Mouraria, com os Anjos e Arroios no meio), o do Bairro Alto e Príncipe Real (que é um jardim com meia dúzia de ruas com muitíssimo boa fama) e o do Castelo. O de Alfama e os da Almirante Reis são “pintas”, reminiscência do “pinta-fatelas”. Os pintas estão a um palmo do vocabulário da antiga malta dos bairros da lata, e falam a rosnar, comendo as sílabas e num tom de ameaça, embora sejam do género cão que ladra não morde. O tipo de Alfama veste pijama aos domingos, ouve relatos de futebol na varanda e dá de comer ao pardal, cuspindo insultos aos jogadores e ao treinador. Dantes batia na mulher mas isso acabou, está velho demais para ginásticas. Tem medo que a mulher lhe bata. Sinal dos tempos. Odeia políticos, “todos uns comilões”, nutre uma secreta saudade da ditadura, quando “andava tudo direitinho”. Ao contrário do pinta de Alfama, o pinta de Chelas está à beira da criminalidade, conhece os putos da droga e os traficantes, e “não se mete cá em aventuras, cada um na sua, que não faço mal a ninguém”. E não faz. O pinta da Almirante Reis, que ele pronuncia como uma palavra só, almranreije, dá-se com todos, prostitutas e traficantes, africanos e chineses, europeus e asiáticos, e passou de um racismo incipiente e desconfiado a uma espécie de Nações Unidas ambulante. Começou a estimar as mornas e come muamba aos domingos. É um resto arqueológico do império português, e cobiça na sombra as formas redondas das morenas de Angola.

O habitante do Castelo, entalado entre a Porta de Martim Moniz e a Sé, vive afogado em turistas a partir de abril, é como viver dentro do postal ilustrado. O que lhe vale são os jacarandás em flor e a vista do casario derramado no rio.

Campo de Ourique é um bairro decente, é um protótipo de bairro decente, com os seus empregados de escritórios reformados, as velhotas que vão à missa (sempre aos domingos) e os velhotes que ainda leem jornais nos cafés. Apesar das tentativas de o tornar um bairro fino, Campo de Ourique resiste às modas e ainda se ouve de vez em quando alguém pronunciar-lhe o nome como dantes: campedórique! Paredes meias com a Rua Maria Pia e a legião de traficantes e vidas de heroína sem heróis, Campo de Ourique tem a dignidade do lisboeta bom, alguém que aprecia os jardins, os animais, os passeios limpos, os outros. A vida arrumada. Em Campo de Ourique viveu Pessoa. Outro bairro existe assim, o da Graça, debruçado à janela a ver o Tejo.

Na Lapa, o bairro carregado de palácios e palmeiras, embaixadas e seguranças, vive e procria o lisboeta chique, com pergaminho e herança de família. É um bairro com um terço da vida dos mouriscos, uma espécie de antiguidade clássica vista em todas as ruínas imperiais. Bairro da aristocracia e da burguesia ilustrada, como a da família de Os Maias, de Eça de Queiroz. Respeita-se a tradição, praticam-se as boas maneiras. Os restaurantes, quase todos na vizinha Madragoa, a Lapa popular, servem como se deve. Com classe.

Nas Avenidas Novas, antiga periferia da cidade inchada, vivem ainda alguns exemplares de betos, descendentes dos antigos queques. Os queques, como os betos, são burguesia emergente, com um sotaque específico com muitas vogais fechadas e consoantes mudas, pronunciado sem abrir os lábios. É o oposto do gutural de Alfama. Os betos têm dinheiro e um dia, se puderem, compram na Lapa. Os verdadeiros betos da Avenida de Roma, filhos dos queques, adoram a Avenida de Roma, que para eles é Londres, Paris e Nova Iorque. Como eles dizem, tem de tudo.

Lisboa é igual, tem de tudo. “Há de tudo como na farmácia”, diz o de Alfama. Ou será o de Campedórique?

Arquivos

10 Mistérios / Marina Tavares Dias

Olisipógrafa, jornalista e fotógrafa. Passou pelo Diário Popular, Expresso e Diário de Lisboa, onde se foi revelando a sua queda para os assuntos ligados à capital. Hábil com as palavras, cedo revelou talento para combinar investigação rigorosa com escrita fluida e cativante. O seu primeiro livro Lisboa Desaparecida (volume 1) foi lançado em 1987 e arrecadou o prémio Júlio Castilho para melhor livro sobre a cidade. Seguiram-se oito volumes deste mesmo título – essencial para os apaixonados por Lisboa – e muitos outros como Lisboa Antes e Agora, Lisboa Misteriosa, Lisboa nos Passos de Pessoa, O Rossio Pelos Olisipógrafos, História do Elétrico da Carris ou Os Cafés de Lisboa.

10 Ruas com história / José Sarmento de Matos

Olisipógrafo. No seguimento de formação em História e História da Arte, tem-se fixado no estudo de edifícios e conjuntos arquitetónicos de Lisboa, com atenção à problemática urbanística da cidade. Esse trabalho tem-se corporizado em diversas obras já publicadas, quer sobre edifícios ou conjuntos concretos, quer de reflexão sobre a história da cidade, como no caso de a Invenção de Lisboa. Tem acompanhado como conselheiro patrimonial entidades públicas e privadas em intervenções em imóveis históricos e integrado programas de reabilitação urbana. Colabora com vários meios de comunicação social.

10 Espaços verdes / Gonçalo Ribeiro Telles

Defensor da “paisagem como arte coletiva”, é um dos primeiros ecologistas portugueses. A uma profícua carreira enquanto arquiteto paisagista, juntaram-se cargos como o de secretário de Estado do Ambiente e o de ministro da Qualidade de Vida. Incontornável nas questões do ordenamento do território em Portugal, é professor catedrático jubilado da Universidade de Évora. A sua visão trouxe a Portugal obras notáveis, entre elas os magníficos jardins lisboetas Amália Rodrigues e Fundação Calouste Gulbenkian, que projetou com António Viana Barreto. Este ano foi galardoado com o prémio Sir Geoffrey Jellicoe, que é uma espécie de Nobel da arquitetura paisagista.

10 Arquitetuas / Barbas Lopes Arquitetos

Patrícia Barbas e Diogo Lopes trabalham em parceria desde 2003 tendo montado atelier em 2006. Dos projetos já realizados, ou em curso, fazem parte edifícios públicos e privados, arquitetura de interiores, design de exposições e colaborações com prestigiados arquitetos como Peter Märkli. Com Gonçalo Byrne concluíram recentemente a reconversão do Teatro Thalia, em Lisboa. Nomeados para os prémios de Design e Mies van der Rohe 2013. Alguns dos trabalhos da Barbas Lopes Arquitetos foram publicados em revistas internacionais como a Casabella, a Icon, a Blueprint, a Wallpaper e a Bauwelt.

http://barbaslopes.com

www.oficinamadeinlisbon.com

10 Ângulos / João Botelho

Nasceu em Lamego, mas há muito que veio para Lisboa. Mais alfacinha do que alguns nados e criados na cidade, cineasta a tempo inteiro e ilustrador de vez em quando, João Botelho tem uma filmografia versátil tendo adaptado para cinema algumas pérolas da literatura portuguesa: A Corte do Norte, A Terra Antes do Céu (documentário) e Quem És Tu? (prémio Mimo Rotella da Bienal de Veneza). João fez também o que muitos julgavam impossível, O Filme do Desassossego, baseado na obra de Bernardo Soares – um dos muitos heterónimos de Fernando Pessoa. Botelho prepara-se agora para filmar Os Maias, de Eça de Queirós.

Obras de Arte / Delfim Sardo

Aveiro,1962. Doutorado em Arte Contemporânea, é Professor do Colégio das Artes e da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Presidente da Associação Internacional de Críticos de Arte/Portugal. Foi o comissário geral da Trienal de Arquitetura de Lisboa 2010. Desde 1990 que se dedica à curadoria de arte contemporânea, bem como à ensaística sobre arte. Entre 2003 e 2006 foi diretor do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Foi fundador e diretor da revista Pangloss. Entre 1997 e 2003 foi consultor da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1999 foi o comissário da Representação Portuguesa à 48ª Bienal de Veneza.

Música / Alexandre Cortez

Músico, empresário, programador, editor e professor, nasceu em Coimbra em 1961, mas a alma é lisboeta. Das várias formações musicais a que pertenceu destacam-se os Rádio Macau, o Palma's Gang, os Wordsong e os Social Smokers, tendo ainda colaborado com Jorge Palma e Sérgio Godinho, entre outros. Enquanto programador passou por lugares como o bar Johnny Guitar ou a Casa dos Dias de Água, sendo mais recentemente sócio e programador do Musicbox e do Povo, no Cais do Sodré, e um dos mentores do Festival Silêncio. Na área da edição, criou a editora Transformadores (com 30 CDs editados).

10 Pratos / Duarte Calvão

Nasceu em Lisboa, mas a família é transmontana. Entre os 13 e os 22 anos viveu no Rio de Janeiro. Formou-se em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Entre 1999 e 2009 foi jornalista do Diário de Notícias, dando conselhos e sugestões de boa vida. Atualmente, é coordenador do Projeto Gastronomia, da Associação de Turismo de Lisboa, sendo também diretordo festival Peixe em Lisboa. Escreve no blog http://mesamarcada.blogs.sapo.pt, colaborando ainda nas revistas Stratosphere e Comer.

10 Lojas / Catarina Portas

Lisboa, 1969. Tornou-se jornalista em 1989, trabalhando n’O Independente, Marie Claire e Diário de Notícias e mais tarde na RTP e na SIC, como autora de diversos programas de televisão. Como jornalista, recebeu os prémios Gazeta/Revelação e Revelação/Clube Português de Imprensa, em 1990. Entre 2007 e 2009, assinou a crónica “Feira da Ladra” no jornal Público. É autora de dois livros e um documentário. Em 2004, lançou a marca Uma Casa Portuguesa e a marca A Vida Portuguesa em 2007. Em 2009, inaugurou em Lisboa os Quiosques de Refresco. A revista britânica Monocle incluiu-a na sua lista anual das 20 figuras a nível mundial que “merecem um palco maior”.

O lisboeta bem temperado / Clara Ferreira Alves

Jornalista e escritora, fez crítica literária e foi editora e redatora principal do semanário Expresso, onde mantém uma coluna semanal. Dirigiu a Casa Fernando Pessoa e a revista Tabacaria. É uma das comentadoras do programa Eixo do Mal, no canal SIC Notícias, e membro do júri do Prémio Pessoa. Membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra, sua alma mater.

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