Kumiko Tsumori, japonesa

on Sep 1, 2012 in Embarque Imediato | No Comments

Kumiko Tsumori é japonesa de Osaka, mas traz na alma um género musical tipicamente português: o fado. Nos últimos anos, Kumiko tornou-se presença habitual nas casas de fado lisboetas e até já editou dois álbuns.

“O fado faz parte de mim. Tal como Amália Rodrigues canta no tema ‘Foi Deus’, ‘eu sinto que a alma cá dentro se acalma nos versos que canto’. Só quando comecei a ser fadista encontrei o meu lugar no mundo.” Realmente, só uma afinidade tão especial pode explicar porque tem sido o fado o destino de Kumiko Tsumori há quase dez anos. A descoberta de um género musical tipicamente português deu-se ainda no Japão: “Fui incentivada a cantar fado por um amigo meu que estava a aprender a tocar guitarra portuguesa com o músico António Parreira. Mal ouvi alguns fados, apaixonei-me logo. Foi uma revelação”.

A partir de dezembro de 2003, Kumiko começou a participar em espetáculos de bares e restaurantes portugueses no Japão. A artista ainda se recorda da primeira vez em que cantou fado em público: “Apesar de já ter alguma experiência em teatro e de estar habituada a expor-me em cima de um palco, estava mesmo nervosa e a minha pronúncia não era lá muito boa. Além disso, as pessoas ficaram surpreendidas por ver e ouvir uma japonesa a cantar fado. Mas não foram as únicas. No início, a minha família também reagiu com admiração ao descobrir que eu tinha alma fadista, porque é um tipo de música que praticamente nenhum japonês conhecia”. Kumiko admite que o fado é ainda um género pouco divulgado no Japão, embora já conte com admiradores. Para a artista, este desconhecimento geral sobre fado é apenas um exemplo das “barreiras” que separam os dois países: “No Japão, há muitos preconceitos sobre Portugal, que têm que ser derrubados. A maioria das pessoas continua a relacionar Portugal com futebol. Praticamente, os únicos portugueses conhecidos são o Eusébio e o Cristiano Ronaldo. Mas o inverso também acontece. Em Portugal, é frequente perguntarem-me se os japoneses comem sushi todos os dias!”.

Kumiko visitou o nosso país pela primeira vez em maio de 2005. A estadia em Portugal, interrompida constantemente por viagens ao Japão, fez com que a fadista conseguisse encontrar parecenças entre os dois países: “O estado de espírito de ambos os povos é bastante semelhante. Tanto os portugueses como os japoneses são reservados, simpáticos e serenos. Mas é claro que também há diferenças. No Japão, a pontualidade é sagrada. É raro um concerto começar atrasado, algo que em Portugal já é mais comum”. A permanência em solo português também tem sido essencial para a sua carreira, e Kumiko é presença assídua em várias casas de fado lisboetas, nomeadamente no Velho Páteo de Sant´Ana: “Já tive boas e más experiências no Velho Páteo. Nos primeiros espetáculos, havia clientes que se riam de mim e da minha pronúncia. Isso abalava-me muito. Mas, felizmente, contei sempre com o apoio do senhor António Parreira, meu mentor e amigo, da Dona Rosalina, a proprietária do Velho Páteo, e de alguns colegas que diziam para não desistir. Eles ajudaram-me a entender que não importa ser estrangeira, porque a minha alma pertence ao fado”. Entretanto, Kumiko editou dois álbuns totalmente compostos por fados: Flor (2007) e Cheira a Lisboa (2009). A artista destaca o último trabalho, já muito influenciado pela sua experiência em Portugal: “O segundo CD tenta transmitir o ambiente de uma casa de fados tipicamente lisboeta. Todos os temas que canto são fados que aprendi no Velho Páteo de Sant´Ana. Este álbum também foi importante para mim, porque pude trabalhar com guitarristas portugueses que tanto admiro, como António Parreira e Guilherme Carvalhais”.

Como o destino de Kumiko vai certamente passar pelo nosso país, a jovem fadista aperfeiçoou os seus conhecimentos em português na Faculdade de Letras de Lisboa: “Embora tenha gostado de aprender uma nova língua, ainda hoje tenho algumas dificuldades. Afinal, no Japão, temos um alfabeto e uma gramática que nada têm a ver com o idioma de Portugal. Mas tenho-me esforçado imenso, porque acho que vai valer sempre a pena combater estas barreiras linguísticas. Quero aproximar-me cada vez mais de Portugal, um país que tem estado de braços abertos para receber a minha arte”.

Por Igor Garcia Pires

Arquivos

Fascínio por Lisboa

“Lisboa é a minha cidade portuguesa favorita. Quando a visitei pela primeira vez, fiquei logo encantada com o seu sol deslumbrante e com as paredes muito brancas das casas. É claro que também adoro o Bairro Alto, principalmente as casas de fado.”

Iguarias portuguesas

“A gastronomia de Portugal é fantástica! Os pastéis de Belém são deliciosos, e adoro outros petiscos, como pipis, pão com chouriço e cataplana, um prato algarvio que até já sei fazer!”

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