Joseph Costa

on Sep 1, 2014 in Aterragem | No Comments

American Eagle Joseph Costa

“Tire-se o homem da sua terra mas não se tira a terra do homem.” Um dos últimos pioneiros da aviação, emigrante português e quiçá o último a intentar um dos grandes raids solitários, é disso prova. Joseph Costa (1909-1998), emigrado da Madeira, ainda criança, para os Estados Unidos, guardou em si essa ligação à terra natal. Estabelecido em Corning, a cidade do vidro, tinha o fascínio do voo, adquirido ao observar as aves na sua terra natal. Foi o primeiro em Corning a obter a licença de aviador, aos 20 anos. Começou então a ganhar a vida operando uma pequena pista durante o verão e a trabalhar na fábrica de vidro no inverno.

No princípio dos anos 30, apesar da Grande Depressão, viviam-se tempos excitantes na aviação, com quebra de recordes de velocidade, grandes travessias e prémios generosos aos intrépidos aviadores. Contagiado pelo espírito da época, Joe planeou atravessar o Atlântico, unindo EUA e Portugal de avião. Com um amigo, compra um Loockhed Vega e o projeto galvaniza a pequena cidade. Um espetáculo de variedades e um baile ajudam a financiar as modificações necessárias ao avião, batizado Crystal City.

O início da Guerra Civil Espanhola leva o governo americano a interditar o voo direto para Portugal, mas, sem se deixar derrotar, Costa decide descer para a América do Sul, chegar ao Brasil e daí voar para Portugal. E assim, em novembro de 1936, Joe saiu de Corning para Miami. Uma grande chuvada obriga-o a aterrar em Jacksonville. No troço seguinte, para San Juan, em Porto Rico, uma fuga de combustível fá-lo aterrar em Santo Domingo, na República Dominicana. Caído no meio de uma revolução, passa a noite na prisão. Liberto no dia seguinte –  era mais prático para todos que ele desaparecesse rapidamente –  despacha-se a vedar a fuga com uma barra de sabão e um lenço. A reparação a sério será feita em San Juan. Seguem-se, sem história, Georgetown, Guiana e Belém, no Pará. Ao sair de Belém, a perspetiva de estar perante o último troço antes do Rio de Janeiro leva-o a descurar a segurança, não verificando todo o avião, como era seu costume. De noite alguém roubou o combustível do tanque auxiliar e Joe fica a seco sobre a selva brasileira. Ao aterrar de emergência, um monte de cupim destrói o trem de aterragem. Joe sai ileso mas é o fim do Crystal City. O ruído levou um conjunto de habitantes de Serra, vila perto do rio São Francisco, ao seu encontro. A língua portuguesa criou um laço imediato entre todos e com eles recuperou o motor do avião. No Rio de Janeiro desperta a admiração das autoridades brasileiras, que custearam a sua viagem até Corning, onde teve uma recepção de herói. Joe Costa foi o último dos grandes aviadores de raids, uma época encerrada com o despontar da Segunda Guerra Mundial.

 

Por Ricardo Reis

Arquivos

Corning

Fica no caminho dos que vão da Big Apple até às Cataratas do Niagara. Aí opera a Costa Flying Service – a mais antiga empresa do ramo em operação no estado de Nova Iorque – fundada por Joseph e hoje nas mãos do seu filho. Do restauro e venda de aviões à publicidade aérea e aulas de voo – muitos ganharam aí as suas asas – o convite ao turista é reservar um passeio aéreo. Além do maravilhoso cenário da região, visto do ar, tem a oportunidade de contactar com um pedaço vivo da história da aviação.

Curiosidade

O Lockheed Vega de Costa pertenceu inicialmente à empresa Statoil, onde era pilotado pelo pai do astronauta Buzz Aldrin, companheiro de Neil Armstrong na viagem à Lua em 1969.


Lockheed Vega

Velocidade cruzeiro 265 km/h

Motor P&W Wasp de 450 cv

Peso 2000 kg

Veja o filme de um Lockheed Vega restaurado a voar em: http://www.flyingmag.com/pilots-places/pilots-adventures-more/video-vintage-lockheed-vega-flies-again

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