José Rivas Rey – espanhol

on May 1, 2010 in Um Olhar Estrangeiro | No Comments

Nasceu em Lugo, na Galiza, e é catedrático de física na Universidade de Santiago de Compostela. Em 2005, veio para Braga liderar o novo Instituto Ibérico de Nanotecnologia. José Rivas Rey mudou-se para o Minho, mas é como se permanecesse em casa.

Há muito anos, quando ainda era aluno do ensino secundário em Lugo, na Galiza, Espanha, José Rivas Rey deslocou-se ao Porto com outros colegas para participar numa homenagem à grande poetisa galega Rosalía de Castro (1837 – 1885). Foi a sua primeira viagem ao nosso país. Nessa altura, o Minho e Portugal ainda eram terras distantes, apesar da proximidade cultural e geográfica com a Galiza e Espanha. Havia fronteiras e ditadura em ambos os lados, e o desígnio das duas regiões, na verdade dos dois povos, cumpria-se para lá dos Pirenéus e do Atlântico, na aventura da emigração. Era o tempo das “viúvas de vivos”, cantado por Rosalía de Castro: “Este parte, aquele parte / e todos, todos se vão. / Galiza, ficas sem homens / que possam cortar teu pão (…).”

Com os anos, as visitas de José Rivas tornaram-se mais frequentes. Mas o momento que mudou a ligação ao Minho deste professor catedrático de física na Universidade de Santiago de Compostela deu-se apenas em 2005, quando os governos de Portugal e Espanha o escolheram para liderar o Instituto Ibérico de Nanotecnologia (INL), cuja sede fica em Braga, no coração da região minhota. “Uma honra”, confessa.

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José Rivas tem um vasto currículo na área da nanotecnologia (que em termos genéricos consiste na construção, com precisão, de novas estruturas à escala molecular) e magnetismo, com ligações a vários laboratórios espanhóis e internacionais, inúmeras distinções científicas e académicas e algumas patentes já registadas. Porém, o INL é o projecto científico da sua vida e a ambição é transformar este laboratório numa “potência no campo da nanotecnologia à escala global”. A área de intervenção incidirá, principalmente, na nanomedicina, ambiente, controlo de qualidade alimentar e nanoelectrónica e os planos prevêem que possa vir a empregar 200 cientistas de todo o mundo. “O Instituto Ibérico de Nanotecnologia começou em 2008 a estabelecer as suas primeiras colaborações com centros de investigação e universidades da Europa, Ásia e América. Este ano, a partir do Outono, queremos ter quatro ou cinco grupos de trabalho a começar a fazer investigação em Braga”, diz José Rivas.

Na sua opinião, “a região do Norte de Portugal dispõe de uma excelente base educativa e tecnológica” e o “ INL nasceu, portanto, numa envolvente privilegiada da região do Minho com a intenção de promover o fortalecimento da cooperação de excelência e a investigação aplicada numa área emergente e com aplicações em muitos sectores industriais”. A médio prazo, o desejo é “atrair investimento e empresas, incluindo a criação de novas spin-offs que fomentem o desenvolvimento industrial de Portugal e de Espanha”, sublinha o catedrático galego, dizendo-se convencido que o laboratório “contribuirá para que o Norte de Portugal se converta numa região altamente competitiva e se destaque pela qualidade da sua investigação e inovação”.

José Rivas mudou-se para Braga, mas não se sente um emigrante. “Claramente não. Aqui tratam-me com uma educação e uma delicadeza excelentes. Creio que o facto de falar galego me facilita muito as coisas. Consigo comunicar-me com fluidez e isso permite aproximar-me mais à cultura, a Portugal e às suas gentes”, diz. As similitudes do Minho com a sua Galiza também ajudam: “Gosto do verde, dos campos e do terreno sinuoso povoado de casas tradicionais. Também me agrada a sua proximidade ao mar e à natureza, com a serra do Gerês a um passo”.

De resto, diz gostar muito da implantação geográfica de Braga, que está também perto de tudo: “Do mar, da natureza, do aeroporto e de outros enclaves urbanos, como Porto, Guimarães ou Barcelos”. Aprecia igualmente o “ambiente jovem e universitário que se respira nas suas ruas”, e o “centro urbano, bonito e vivo, com uma catedral magnífica e uma série de lojas tradicionais onde é fácil descobrir pequenos tesouros”.

Encontra apenas um senão no clima húmido do Noroeste. “Apesar de ter nascido na Galiza e de estar muito familiarizado com a chuva, reconheço que o tempo nesta região é por vezes duro”. E lamenta também o trânsito nas horas de ponta. “Em certas alturas, Braga parece uma cidade asfixiada pelos automóveis”. É por isso que, quando se lhe pergunta qual seria o roteiro que indicaria a um estrangeiro interessado em conhecer Braga, José Rivas elimina o carro. “Aconselhava-o a estacionar o veículo e a lançar-se a passear e a admirar o centro histórico que rodeia a Sé. Recomendar-lhe-ia que visitasse as pequenas lojas desta zona, interagindo abertamente com as gentes de Braga, e que tomasse um bom café nas suas esplanadas. Qualquer hora é boa para este passeio”.

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Por Pedro Garcias

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