José Carlos Ferreira – Brasil
José Carlos Ferreira é um homem dividido. Vive em Portugal, ainda que parte do seu coração esteja disperso pelo imenso litoral brasileiro. O que motiva deslocações regulares, não só para concluir a tese de doutoramento em engenharia do ambiente na área do turismo sustentável, mas também para alimentar a sua alma de viajante.
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O sorriso é um fiel companheiro das palavras, apesar da seriedade dos temas que motivam o seu trabalho de investigação. O encontro fortuito foi motivado pela audição do sotaque luso em pleno resort ecológico no meio da floresta amazónica. E ganhou logo força pela curiosidade de José Carlos em perceber o impacto ambiental que essa unidade hoteleira teria na natureza. “Nenhum”, foi a resposta confiante do gerente. Estava dado o mote para a amena cavaqueira, seguindo o olhar exigente de quem escolhe fazer férias ecológicas.
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“Tudo começou num congresso em Florianópolis, em 2004”, explica-nos. “A beleza do país, a simpatia do povo e a excelência da investigação desenvolvida pelas universidades brasileiras” foram as razões que pesaram para José Carlos Ferreira decidir desenvolver aqui o seu projecto de doutoramento. Isso e “outros projectos de investigação na área dos impactos urbanos nas zonas costeiras” motivaram o crescimento das milhas na sua conta de passageiro frequente da TAP e da TAM.
A Amazónia era um sonho antigo. “Sempre tive o desejo de visitar a grande selva”, diz, com um brilho nos olhos. “Tendo em consideração a sensibilidade e a fragilidade dos ecossistemas da Amazónia e consciente do impacto negativo que um turista pode provocar, procurei uma unidade hoteleira que garantisse o menor impacto possível.” E foi na Bolsa de Turismo de Lisboa que conheceu o responsável pelo marketing de um hotel de selva, ecológico, que lhe apresentou uma “proposta com as condições certas para conhecer o pulmão verde do planeta”.
É já antiga a ligação de José Carlos ao mar e às questões ambientais. E foi até uma das razões que o levaram a fazer a licenciatura em Geografia Física e Planeamento Regional, bem como um mestrado em Geografia Física e Ambiente. Agora chegou o doutoramento em Engenharia do Ambiente, prestes a concluir. “Obviamente que este interesse académico está ligado a um interesse que tenho pelas questões ambientais desde longa data”, explica.
“O turismo no Brasil é uma actividade que se encontra em grande expansão e podemos considerar que está numa fase muito jovem. As pressões para o desenvolvimento de resorts, especialmente na zona costeira, levaram a que se cometessem muitos erros, com impactos ambientais muito negativos sobre os ecossistemas costeiros. Conscientes destes problemas, os responsáveis políticos e os empresários têm feito um esforço no sentido de desenvolverem empreendimentos ecologicamente responsáveis e socialmente justos. Cada vez mais vemos projectos de turismo com equipamentos que respeitam a ecologia do local onde se instalam e apelam à capacidade de integração das populações locais.”
Segundo o investigador, foi positivo descobrir que “o desenvolvimento deste tipo de empreendimentos na selva é controlado por um plano de ordenamento e gestão turística numa perspectiva de sustentabilidade”. Desde logo, porque “são cumpridas as leis ambientais e os princípios de sustentabilidade” exigidos pelos órgãos governamentais (IPAAM – Instituto de Protecção Ambiental do Estado do Amazonas e da SEMMA – Secretaria Municipal do Meio Ambiente). “Assim, foi possível usufruir da selva amazónica reduzindo a minha pegada ecológica como turista.”
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Por Paulo Portugal
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