Gonçalo Ribeiro Telles – 24 Horas em Lisboa

on Apr 1, 2010 in 24 horas em... | No Comments

Com o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles comprove que em Lisboa tudo o que luz é ouro. Apanhe a boleia e viaje pelos miradouros, colinas e jardins desta cidade que é “uma obra notável”. Palavra de apaixonado.

Defensor da “paisagem como arte colectiva”, Gonçalo Ribeiro Telles é um dos primeiros ecologistas portugueses. A uma profícua carreira enquanto arquitecto paisagista, juntaram-se cargos tão importantes como o de secretário de Estado do Ambiente, e o de ministro de Estado e da Qualidade de Vida. Figura notável das questões do ordenamento do território e do uso da terra em Portugal, é professor catedrático jubilado da Universidade de Évora, desde 1976, onde desenvolveu as licenciaturas em Arquitectura Paisagista e Engenharia Biofísica. A sua visão trouxe a Portugal, e também às antigas colónias, um rol de obras notáveis, entre elas os magníficos jardins lisboetas: Amália Rodrigues e Fundação Calouste Gulbenkian, que projectou em conjunto com António Viana Barreto.

Por Maria Ana Ventura

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Passeata matinal
“Moro onde cresci, numa aldeia de Lisboa, que é a zona das ruas de São José, da Fé e do Carrião, junto à Avenida da Liberdade. A minha rotina diária começa por ali, com um pequeno-almoço na pastelaria Deguimbra, a que se sucede uma romaria pelo bairro, passando de loja em loja a cumprimentar velhos vizinhos e amigos. Sigo para o Chiado, parando na Brasileira e na Igreja das Chagas, datada de 1542. Depois desço à Baixa para admirar a estátua de D. José I, na Praça do Comércio, uma das belas estátuas equestres da Europa”.

Pastelaria Deguimbra
Rua de São José, 210
+351 21 354 3604

Brasileira
Rua Garrett, 120
+351 21 346 9541
Todos os dias, 08h – 02h

Igreja das Chagas
Rua das Chagas, 4

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Cidade luz
“Lisboa histórica tem a qualidade de estar envolta por esse cenário magnífico que é o estuário do Tejo.” E se o rio é o protagonista, a luz da capital é a prima donna. “Nesta cidade extraordinariamente diferente, pode-se saltar de cenário em cenário com uma coesão que é dada pela luz abundante. Por isso procuro lugares onde possa desfrutar do melhor dos dois, como sejam os vários pontos de vista e miradouros: o da Graça, de São Pedro de Alcântara ou da Senhora do Monte.”

Miradouro da Graça
Largo da Graça

Miradouro de São Pedro de Alcântara
Rua de São Pedro de Alcântara

Miradouro da Senhora do Monte
Rua da Senhora do Monte, Graça

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Em câmara lenta
“Em Lisboa só ando a pé ou de transportes públicos. Os eléctricos e ascensores tão característicos oferecem ao passageiro uma grande benesse: viajam a uma velocidade contemplativa, para melhor apreciar a variedade de cenários.” Até Julho vai encontrar nos ascensores do Lavra, da Glória e da Bica e no elevador de Santa Justa – considerados desde 2002 monumentos nacionais – o projecto Arte em Movimento, que mostra intervenções dos artistas Alexandre Farto, Susana Anágua, Vasco Araújo e Susana Mendes Silva.

Eléctricos e ascensores
www.carris.pt/pt/servicos
€1,40

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Sabores ribeirinhos
“O almoço deve ter por companhia os amigos, o rio e a luz. E, deve, de preferência, dar-se num restaurante ‘humano’”. Por isso, uma opção a considerar é rumar até Belém. Na rua Vieira Portuense a oferta sobeja. O Rolhas, um restaurante típico com deliciosas propostas tradicionais, revela-se um tiro certeiro.

O Rolhas
Rua Vieira Portuense, 42
+351 21 364 5894
12h – 15h e 19h – 22h
Encerra às quintas

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História da Arte
“Cada museu tem o seu encanto mas, a destacar um, terá de ser o Museu Nacional de Arte Antiga, cujo espólio mostra a nossa continuidade artística.” Instalado no belíssimo palácio de Alvor, edifício datado do século XVIII, o museu tem vista panorâmica sobre o rio e é ladeado por jardins. O seu maior apelo está no facto de reunir o mais significativo espólio da arte portuguesa dos séculos XIV a XIX, fulcral para entender a história da arte nacional.

Museu Nacional de Arte Antiga
Rua das Janelas Verdes, 9
+351 21 391 2800
www.mnarteantiga-ipmuseus.pt
Terça, 14h – 18h; quarta a domingo, 10h – 18h

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Vista larga
Entre as muitas áreas verdes lisboetas, o jardim do Torel tem um lugar especial na lista de predilectos. Originário de uma quinta do início do século XVIII, situado no alto de uma das sete colinas de Lisboa, junto do elevador do Lavra, tem uma bela panorâmica da cidade, em especial sobre a Baixa de Lisboa e o rio, a colina de São Roque e o Príncipe Real.

Rua Júlio de Andrade
Todos os dias, 07h – 19h

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