Gago Coutinho aos 150

on Dec 1, 2019 in Aterragem | No Comments

A Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, em 1922, impressionou de tal forma a retina popular que os aviadores portugueses Sacadura Cabral e Gago Coutinho, seus protagonistas, foram reduzidos a este feito único, eclipsando o que adicionaram a tantas outras áreas, exemplo de larga visão e ação. 150 anos após o nascimento de Carlos Viegas Gago Coutinho fica a oportunidade de ir além da sombra projetada pelo rasgo cósmico que uniu, pela primeira vez nos ares, Portugal, Cabo Verde e Brasil – uma celebração que pode ser testemunhada na excelente exposição Gago Coutinho – Viajante | Explorador no Museu da Marinha, em Lisboa, até 24 de Maio.

Gago Coutinho entrou para a escola naval aos 17 anos, impedido de estudar engenharia na Alemanha por falta de recursos. Em 1898 iniciou os seus trabalhos de geógrafo, palmilhando África e Timor. Em São Tomé traçou assertivamente o Equador no Ilhéu das Rolas. No continente, clarificou fronteiras, como a de Angola com o Congo ou a de Moçambique. Aí mostra a sua capacidade de inovação e rigor: da tomada do pulso às estrelas com o sextante, ao uso do sinal horário trazido pelo cabo do telégrafo para garantir a precisão. Homem simples e arguto, deixou tiradas imortais, como a resposta à pergunta sobre como tinha atravessado África a pé: “Como havia de ser? Com as botas rotas, para a água sair mais à vontade, porque, para entrar, entrava sempre.”

É em África que trabalha com Sacadura Cabral e, com este, se interessa pelas coisas do ar ao ler os feitos de pioneiros como Santos-Dumont. É a semente que o levará a olhar o problema da navegação aérea com Sacadura e culminará na famosa travessia. O resultado? Além do feito épico, o sextante que hoje leva o nome dele (solução sua ao desafio de observação dos astros a bordo do avião) e o corretor de rumos (para ter o decaimento devido aos ventos), ferramentas essenciais para levar com segurança um avião de A para B e um passo para abrir as futuras rotas aéreas transatlânticas. Rotas que ele já via com aviões quando eram ainda os Zeppelins os únicos a levar passageiros pelo Atlântico. Homem de ideias próprias, nunca deixou de falar e agir como pensava. Incidiu também nova luz sobre os feitos dos portugueses nos Descobrimentos juntando conhecimento da ciência náutica às hipóteses históricas. Geógrafo, navegador, historiador, inventor, desportista, foi um dos maiores vultos da ciência e técnica em Portugal.

ccm.marinha.pt

Arquivos

Dimensões escondidas

Para melhor conhecer o almirante para além da travessia, recomenda-se a obra de Rui Miguel da Costa Pinto, Gago Coutinho – O último grande aventureiro português (Eranos, 2014), biografia que analisa o explorador.

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Lusitânia 100

Recordar, para inspirar o futuro e unir os que falam português, é a missão da associação Lusitânia 100, focada na memória da Travessia Aérea do Atlântico Sul, um feito de ousadia e técnica em português. A associação propõe-se refazer o voo de 1922 no seu centenário, entre outras iniciativas culturais comemorativas.

lusitania100.pt

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