Fortaleza por 100 euros
Explorar a cidade cearense durante quatro dias com um orçamento limitado foi o desafio proposto a Philipe Roiseman. O aventureiro brasileiro pôs a mochila às costas, fez de tudo um pouco e ainda comprou passadeiras para a cozinha…
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DIA 1
Quando desembarquei no Estado do Sol, não encontrei o dono da casa. Pode parecer estranho, mas ao chegar à capital do Ceará chovia e havia nuvens. No entanto, a terra do escritor José de Alencar ainda nos reservava muitas surpresas. Do Aeroporto Internacional Pinto Martins, seguimos de táxi até ao nosso albergue (9,75 euros por noite). A primeira caminhada foi pela praia que leva o nome da heroína de um dos livros de Alencar, Iracema. Tida como o berço da história de Fortaleza, está repleta de casarões antigos, onde são visíveis as influências que restam das invasões holandesas ocorridas no século XVII. Muito bem localizada, a área da praia tornou-se um dos lugares mais agitados da vida noturna da cidade. Os bares pipocam de badalações à noite e é fácil achar lugares para comer bem por bom preço. Vale a pena uma caminhada à beira-mar.
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DIA 2
Após uma reconfortante e energizante noite de sono, tomámos o pequeno-almoço no albergue e partimos para um dia na praia. O sol resolveu aparecer. Fomos até à Praia do Futuro. Com barzinhos bem equipados, areia branca e artesanato local oferecido por vendedores ambulantes, pudemos ainda tomar uma caipirinha e provar o marisco. Prepare-se para comer muito. Os mariscos, pescados nas cercanias, desfilam num rodízio interminável. Uma dose grande de lagostas fica por 8,50 euros. Voltando para o albergue, depois de um relaxante banho de mar, fizemos a habitual confraternização social com os outros hóspedes e resolvemos aproveitar a noite em terras cearenses. O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é, atualmente, o principal espaço cultural de Fortaleza, com museus, teatros, cinemas, bibliotecas e planetário, numa zona de belo casario totalmente restaurado, em cores vibrantes. Cercado por bares, além das sempre bem-vindas caipirinhas, tivemos a oportinudade de provar o localmente famoso chopp de vinho. Uma mistura que, à primeira vista, não apetece, mas cujo sabor diferente acaba por nos conquistar pelo exotismo. Aproveite para pedir pratos locais. Carne seca com mandioca por exemplo. Como a comida é forte, aconselho juízo na degustação. A noite não custou mais de 15 euros, incluindo as bebidas.
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DIA 3
Com os amigos feitos no albergue fomos para a Praia das Dunas, igualmente linda, onde fica o delicioso Beach Park, um grande parque aquático com inúmeros toboáguas (tobogãs de água), muitas piscinas e até um rio artificial. É caro. Cobram 30 euros pela entrada com direito a um dia inteiro de actividades aquáticas, entre as quais o “Insano” que é o mais alto toboágua do mundo, com 41 metros de altura, recorde registado no Guiness Book. Devido aos gastos contidos, abdicamos de comprar o bilhete, mas pudemos usufruir de parte do equipamento do parque: bares charmosos com confortáveis mesas sob os coqueirais. Contento-me com um mergulho no mar e com um passeio pelas areias brancas sob o céu repleto de kites coloridos. O povo nordestino é muito acolhedor, por isso a noite foi agradável, com muitos risos e vinhos da região de São Francisco. Foi uma parceria luso-brasileira que tornou o Nordeste brasileiro num grande produtor de vinhos de qualidade. O investimento em investigação e tecnologia tornou possível a plantação de vinha na latitude do paralelo 8, próximo do equador, onde jamais se imaginou ser possível produzir vinhos de qualidade. São ótimos e recomendo uma degustação do produto avaliado favoravelmente pela respeitada crítica inglesa Jancis Robinson. Experimente pelo menos o Rio Sol Branco, que vai bem com o clima e o marisco. A Avenida Beira Mar está cheia de bares e restaurantes agradáveis (alguns bem sofisticados) com comidas locais e internacionais. Aliás, não se faz outra coisa em terras nordestinas que não seja comer. Uma gastronomia cheia de nuances, cheiros e temperos. Recomendo uma visita ao La Casa.
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DIA 4
Nenhuma visita a Fortaleza seria completa se faltasse uma ida ao Mercado Central. Artistas e artesãos produzem peças em tecido, madeira, vidro, coco, as famosas garrafinhas com multicoloridos desenhos em areia e muito mais. Os preços são baixos: comprei um belo jogo de passadeiras para a minha cozinha por menos de 6 euros. Outro bom lugar para se adquirir artesanato é a Feirinha da Beira-Mar, na avenida com o mesmo nome. O humor cearense é conhecido no Brasil todo. Há vários bares e casas de espetáculo com apresentações estilo stand-up-comedy com os grandes nomes locais. Nada caro e vale muito a pena (5 euros, que por vezes dão direito a uma caipirinha). O lema da cidade de Fortaleza é a palavra em latim “fortitudine” que significa força valor e coragem, características visíveis no simpático povo. Fui-me embora de Fortaleza, ansioso por um retorno… mas aí, com um pouquinho mais de euros no bolso, pretendo ir até Jericoacoara, uma paradisíaca praia, antiga aldeia de pescadores, que fica a 300 km de Fortaleza.
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por Philipe Roiseman
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