Fuga para o campo com muito descanso e bom gosto, bem perto de Odemira.
Nasceram agora os primeiros marmelos”, diz orgulhoso Pedro Franca Pinto quando atravessamos as planícies alentejanas feitas de nuances quentes. No Craveiral, que fundou com João Canilho e Luís Capinha no coração litoral, tudo cheira a natureza e verdade. Pedro é advogado especializado em turismo e empresas, mas “sempre quis ser produtor de gado e agricultor”, por isso fundou a Belong (belonggrowingandtasting.pt). Há cerca de oito anos, encontrou este pedaço de terra na Costa Vicentina, perto de São Teotónio, Odemira, e convidou o João e o Luís a juntarem-se à aventura; viajantes curiosos e estetas assumidos, estes deixaram grandes empresas na publicidade e nas telecomunicações para se dedicarem ao turismo de qualidade. Começaram a receber pessoas em soft opening em julho, por isso andam todos de mangas arregaçadas.
O primeiro grande encanto do Craveiral é a sua natureza em bruto. O mato é deixado espontâneo, sem a higienização do relvado, e daqui a nada veremos florescer um pomar de abacateiros, laranjeiras, ameixeiras e figueiras, entre outras, e a horta estará viçosa. Pensada para servir o restaurante, que conta com uns conselhos sábios do grande mestre alentejano José Júlio Vintém (escusado será descrever a delícia dos peixinhos da horta, do bacalhau com broa, da açorda de perdiz com ostras ou do arroz de espargos e espinafres). Em breve haverá um centro de interpretação da natureza, com um circuito de plantas locais, para todos usufruírem e aprenderem, e está a ser recuperado “o charco mediterrânico que permite que as aves migratórias aqui fiquem temporadas para nidificarem”. “Se na arquitetura se diz ‘criar cidade’, nós queremos criar vida rural, ser uma quinta e convidar as pessoas a conhecerem o processo de A a Z, mas também fazê-lo à volta do Craveiral e integrarmos a comunidade.”
São, de facto, uns anfitriões incansáveis. Logo ao pequenoalmoço, local, bio e cuidado – atenção aos bolos frescos que saem todos os dias da cozinha! –, não se espante se os vir a fazer pizzas a lenha e grelhados no jardim, ou a levar os miúdos a andar a cavalo. “Somos assim, é muito orgânico”, diz-nos Pedro. “Combinámos fazê-lo? Não, por isso se nota a entrega.” É uma verdadeira experiência de acolhimento. “Queremos mais relacionarmo-nos com quem vem cá do que ter tudo perfeitinho. Lidar com as pessoas como se estivéssemos com amigos”, explica. Recebem-nos na sua casa que tem 38 pequenas casas – entre estúdios, T1 e T2 e lofts, – e abraçam loners e casais (adoramos a modernidade do núcleo dos adultos, onde criança não entra), muitas famílias e grupos de amigos. Aqui todos são recebidos de braços abertos e encontram sossego: há a piscina exterior e interior, ginásio, sauna e banho turco, só razões para ficar, mas o mar fica ali ao lado, na Zambujeira e no Carvalhal. “Alguns check-outs vão-se estendendo e acabam em jantar! Tempo para estar connosco é o lema: autenticidade, pertença, não de uma forma moralista, mas individualista. Queremos que se sintam mesmo bem e cada pessoa seja como é.” Por fim, apostaram sem medos na qualidade e o bom gosto é evidente. Também há frigoríficos Smeg e camas Hästens, mas o design é do melhor made in Portugal: mobiliário DAM e Wewood, iluminação Exporlux, eletrodomésticos Meireles e Flama, exteriores Sachi e Lona, entre os tradicionais objetos domésticos nacionais. Nada falta aqui. Quando ao jantar, a mesa cheia, levantamos juntos o copo de medronho, ouvimos José Júlio: “Para que os nossos cães não fiquem sem dono!”, e rimos em uníssono para brindar à vida.
Craveiral Farmhouse, M501, São Teotónio \\\ craveiral.pt \\\ A partir de €130
por Patrícia Barnabé \\\ fotos Ana Paula Carvalho
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