Benamôr – Em busca do tempo perdido

on Feb 1, 2020 in Embarque Imediato | No Comments

A Benamôr é a mais antiga empresa de cosmética portuguesa. Tem nova vida, frescura e propósito. Os seus produtos são perfeitos para este mês em que celebramos São Valentim.

“É uma das receitas mais antigas do mundo da cosmética, anterior só o creme Nívea, que é de 1923”, diz Pierre Stark enquanto segura a icónica bisnaga art déco do creme de rosto Benamôr. Esta nasceu em 1925, ideia de um boticário misterioso que criava pomadas à base de ingredientes naturais, todos portugueses, da rosa ao limão, do aloé vera ao óleo de amêndoas, que vendia na farmácia, depois numa perfumaria na Rua Augusta, em Lisboa, e mais tarde por todas as drogarias do país. As avós usavam Benamôr e a sua cliente mais ilustre, a rainha D. Amélia (1865-1951), deu nome ao Rose Amèlie, o creme de rosto que Pierre tem agora na mão e que, tal como o creme de mãos e o creme muito gordo para o corpo, nunca saíram de circulação. O laboratório e fábrica Nally ficavam no número 189 do Campo Grande, 200 trabalhadores produziam muitos outros cremes, perfumes, maquilhagem, e sim, existiu um blush e até um bronzeador que foi um sucesso.

 

Natureza

Pierre sabe do que fala. Filho de um dermatologista, esteve 20 anos na gigante L’Oréal nas áreas de desenvolvimento de produto, marketing e gestão de mercados. Veio para Portugal em 2002 e conheceu a sua mulher, passando a viver entre Lisboa e Paris. Uma noite, num jantar, a amiga Catarina Portas, empresária das lojas A Vida Portuguesa, falou-lhe de “um creme de mãos incrível que quase ninguém conhecia, era o alantoíne”. Foi investigar e descobriu “uma história fascinante”, testou-o em diferentes países e na sua exigente Paris: “Além de ser atraente visual e emocionalmente, tinha grandes capacidades cosmetológicas e a funcionalidade que faz as grandes marcas. Não precisava de grande autoridade, nem de formação para ser aconselhado, só podia ser um sucesso. E foi.” Comprou a empresa em 2015 com Filipe Serzedelo e a marca foi relançada no ano seguinte com 16 produtos nas suas fórmulas originais, isto é, 90% de ingredientes naturais, sem óleos minerais ou derivados de petróleo, mantendo um mínimo de conservantes. “Os nossos produtos são vegan excetuando os que contêm extrato de ovo e cera de abelha natural.” E as bisnagas de alumínio, criadas em 1927, sofisticaram-se para o mercado seletivo, mas o seu fornecedor continua a ser português e o mesmo desde 1936. “O alumínio, além de preservar as qualidades é o mais reciclado na história da cosmética, é muito interessante.”

Na loja recém-inaugurada na LX Factory, onde conversámos, as plantas convivem com os produtos num luminoso cenário industrial, é o lugar certo para a nova área de refill e reciclagem de embalagens de 500 mililitros. O cliente enche a sua garrafa e deixa a anterior, que regressa à fábrica. Se for viajar, também tem tamanhos de viagem. “Esta é uma zona de pessoas criativas e modernas, sensíveis ao discurso ecológico”, por isso nada é deixado ao acaso. Cada uma das lojas da nova Benamôr “tem uma ligação cultural e simbólica com Lisboa”: na Rua dos Bacalhoeiros é mais familiar, onde se compram sabonetes ao peso, a do bairro do Príncipe Real é toda cor de pele, como uma “uma bombonière inspirada na rainha [D. Amélia]”.

 

Memória

Hoje são oito receitas e cerca de 50 produtos divididos por várias linhas que cresceram e até inspiraram a Companhia Portugueza do Chá a criar sabores para cada uma das famílias olfativas, de venda exclusiva em loja. A Benamôr também se encontra em perfumarias de confiança como a Perfumes & Companhia, onde “são das linhas mais pedidas”, e em bons armazéns como El Corte Inglés ou o Printemps e em concept stores como a Merci, em Paris. Neste momento está em 15 países, “nos principais europeus e nos Estados Unidos”, e a loja online que abriu em 2019 já representava 5% das vendas no Natal. “A tendência de marcas históricas de grande qualidade é mundial, as pessoas querem voltar às coisas em que confiam, é o ato de comprar baseado em valores e tradições de autenticidade, generosidade e honestidade, e a sofisticação Benamôr vem daí. As marcas alternativas com história são muito poucas, uma marca com esta longevidade é muito única. E o facto de os produtos serem concebidos à mão testemunha este cuidado, as bisnagas são enchidas à mão, é uma técnica incrível. E as pessoas que o fazem são, muitas vezes, os netos dos funcionários antigos.”

Esta qualidade vintage faz boa parte do caminho. “Percebi a conversar com os clientes que transmitimos um sentido de propósito, as pessoas que compram Benamôr têm a sensação de estar a contribuir para qualquer coisa, e as pessoas estão à espera disso de nós, mais do que de qualquer outra marca. Adoro esta analogia do ‘Ben’ – de bem-estar, este estado físico e moral que também vem da sensorialidade dos produtos – criar uma ligação que faz sentido” com “amor”.

benamor1925.com

 

por Patrícia Barnabé

Arquivos

Números

70 /// trabalhadores

600000 /// unidades produzidas em 2019

15 /// países de exportação

25% /// faturação em exportação

€1500000 /// faturação em 2019

Doçuras

A nova linha Nata alude aos famosos pastéis de Belém portugueses. “O mundo da cosmética e da pastelaria são muito próximos em termos de produção e de imaginário. Em Portugal é forte esta tradição de pastelaria que junta açúcar e ovos, que sempre foram usados na cosmética pela proteína e fortes qualidades de regeneração”, explica Pierre Stark. O creme é sensorial, cheira a baunilha e canela.

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