As águas quentes de Goiás

on Aug 1, 2017 in Bagagem de Mão | No Comments

O Brasil tem vários corações, e este é certamente um dos mais procurados. Rio Quente e Caldas Novas reúnem as melhores condições termais do país e ficam num lugar inesquecível.

 

Nessas terras do sul de Goiás, o que a montanha separa, as águas quentes unem. Localizadas nas extremidades da Serra de Caldas Novas, as cidades de Rio Quente e Caldas Novas, a 160 quilómetros de Goiânia, veem sua atração turística mais famosa surgir de até mil metros de profundidade. Em outras palavras, o turismo na região acontece sobre o maior lençol hidrotermal do mundo, com águas que ultrapassam os 40 graus centígrados e alimentam piscinas, parques aquáticos e áreas de lazer em hotéis bem estruturados.

Caldas Novas é a versão urbana da região, endereço do turismo de massa e com tarifas mais econômicas, cuja população de quase cem mil habitantes vê chegar, anualmente, quatro milhões de visitantes. Do outro lado da serra as águas termais e o turismo seguem em ritmo lento até hotéis de padrão mais elevado que veem o rio Quente passar no quintal de casa. Na pequena Rio Quente, de apenas quatro mil habitantes, tudo é em meio à natureza. Anualmente recebe 1,6 milhões de turistas.

As águas da região começaram a atrair forasteiros na primeira década do século XX, quando os poços minerotermais de Caldas Novas eram procurados por suas propriedades medicinais que aliviavam dores reumáticas e curavam problemas de pele. À época foram identificadas 23 fontes de águas quentes às margens do Córrego das Lavras. A lista de indicações terapêuticas inclui, entre outros, tratamentos hormonais, cura de alergias e alívio do cansaço. O turismo se acentuou com a inauguração da nova capital do país, Brasília, em 1960, quando a população recém-chegada para ocupar o centro do Brasil começou a buscar opções de lazer nos arredores.

 

Explorando

Tudo começa no cenográfico (e ainda pouco explorado) Parque Estadual da Serra de Caldas Novas. Fica na serra que separa as duas cidades, uma área de mais de 12 mil hectares que se eleva em forma de platô, cujas encostas dão acesso a cachoeiras escondidas entre rochas como a do Paredão e a Cascatinha. Vista do alto, essa elevação montanhosa de 1049 metros se parece com uma cratera, cujo formato alimentou por décadas a lenda de que as águas quentes da região viriam de um vulcão. Mas o que se sabe hoje é que escorrem por veios rochosos, descem a níveis profundos e se encontram com minerais que, após reações químicas, retornam ao solo em forma aquecida.

Se, lá em baixo, os complexos aquáticos impressionam pela estrutura de lazer, é do alto da Trilha da Seriema que o viajante se dá conta do potencial natural da região. Com 11,4 quilómetros de extensão (e, infelizmente, aberto por enquanto apenas para ciclistas), essa trilha tem vista para todo o Rio Quente Resorts, o empreendimento mais famoso da região, a partir do Mirante da Pousada, numa plataforma que se debruça sobre a boca de um cânion que rasga a Serra de Caldas Novas. Ninguém se importa se a praia de água salgada mais perto dali fica a 1300 quilómetros. E se não tem praias, a região turística das Águas Quentes tratou de inventar algumas delas.

A mais famosa é a do Cerrado, cujo nome é uma homenagem ao bioma em que Goiás está inserido. Localizada no Hot Park, com 25 mil metros quadrados e areia fina, é uma piscina com nove tipos diferentes de ondas, rodeada por coqueiros. É considerada a maior praia artificial de águas quentes naturais do planeta. As dimensões por ali são tão exageradas que o local abrigou, no último mês de junho, o projeto social A Maior Aula de Natação do Mundo, evento com alunos da rede pública de escolas da região e que aconteceu, simultaneamente, em mais de 20 países, em prol da segurança aquática de crianças de todos os países. O Hot Park é abastecido por águas naturalmente quentes e correntes.

Outro endereço de sucesso é a Bird Land, um viveiro com cerca de 300 animais do Cerrado, como arara, tucano, macaco-bugio e até cervo, todos resgatados de situações de maus-tratos, confinamento ilegal ou tráfico. O visitante pode interagir com os animais, acompanhado por um guia. Para ver tudo isso a seus pés, sem pressa e com vista panorâmica do complexo, a parada seguinte é a Mega Tirolesa, uma descida de 1,1 quilómetros sobre o parque.

A experiência mais impressionante é o mergulho em um lago onde visitantes não credenciados fazem batismos com cilindro, acompanhados de um guia. A seis metros de profundidade e em águas com mais de 30 graus, o visitante é conduzido por um mundo de jardins flutuantes de plantas que se movimentam com o balanço lento daquelas águas, entre rochas esculpidas e peixes de águas doces como o pirarucu. O lago possui também estátuas e até um naufrágio de um barco, colocados para fins turísticos. A experiência é como flutuar sobre um cenário mágico.

Do lado de fora fica o Eko Aventura Park, uma vastíssima área com atrações de aventura como trilhas, passeios de quadriciclo, rafting no rio Quente (com temperatura média de 32 graus) e dois circuitos de tirolesa com 100 e 200 metros de extensão cada um. Mas a fama da região vem do tradicional Parque das Fontes, um complexo com oito piscinas de pedras alimentadas por 18 nascentes de águas quentes que brotam do interior do resort e são renovadas a cada 20 minutos.

 

Temperaturas várias

Já na vizinha Caldas Novas, a 28 quilómetros, o lazer acontece em mais de 300 piscinas termais, em parques aquáticos e em hotéis. A dez quilômetros do centro fica o Náutico Praia Clube. Às margens do lago Corumbá, o parque tem também passeios em barco nessa área artificial, formada pela construção da Hidrelétrica Corumbá em 1989. Quem fica no polo hoteleiro de Caldas, no bairro Turista I, as opções são o Water Park e o Clube Privé, com toboáguas, piscinas de ondas e brinquedos molhados. Tudo como deve ser na região: com águas sempre quentes. Outro clássico é o diRoma Acqua Park, cuja atração mais famosa é um toboágua que sai do interior da réplica de um vulcão, a 25 metros de altura e com 35 metros de extensão. O parque possui também uma rampa com 12 pistas de toboágua paralelas, por onde a tocha olímpica desceu na Olimpíada que aconteceu no Brasil em 2016.

Fora dos parques, a temperatura se eleva agora no corpo dos visitantes, a mais de 40 graus de teor alcoólico. Na Cachaçaria Vale das Águas Quentes a produção não tem a mesma fama das bebidas de Minas Gerais ou da histórica Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, mas a cachaça que chega às garrafas é produto encorpado e amadurecido por oito anos em barris de carvalho que ficam numa cenográfica fábrica aberta para visitas. O local é conhecido também pelo sorvete de rapadura, servido entre bolachas e com cobertura de melaço, e pela produção de licores artesanais com frutos do Cerrado como o pequi, murici, jenipapo e mangaba.

goiasturismo.go.gov.br \\\ caldasnovas.go.gov.br \\\ turismorioquente.tur.br \\\ hotpark.com \\\ nauticopraiaclube.com.br

 

texto e fotos Eduardo Vessoni 

Arquivos

Onde ficar

O Rio Quente Resorts existe há mais de 50 anos e tem oito hotéis com mais de 1200 opções de apartamentos, incluindo o cinco estrelas Cristal. Fora do complexo, o bairro Esplanada abriga opções como o Veredas do Rio Quente e o Giardino Suítes. Mas é em Caldas Novas que estão as opções mais econômicas. O Ecologic Ville Resort surpreende com estruturas como a piscina semiolímpica e uma Área de Preservação Permanente. Já o complexo diRoma é uma cidade dentro da cidade, e o Thermas diRoma Hotel é conhecido pelas 15 piscinas e parque aquático infantil. Em área mais central, o turista conta com seis empreendimentos. Destaca-se o imponente Privé Riviera Parque, considerado o maior hotel de águas termais do Brasil.

diroma.com.br \\\ cvaq.com.br \\\ veredasrioquente.com.br \\\ rioquenteresorts.com.br \\\ vivencehoteis.com.br \\\ grupoprive.tur.br

 

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