Archaeopteryx, o belo

on Nov 1, 2019 in Aterragem | No Comments

A história não se repete, mas rima” é um dito atribuído a Mark Twain. Talvez estas palavras se alarguem a todos os empreendimentos humanos. A invenção do avião com motor relegou o voo planado para o esquecimento… até as proibições entre as guerras levarem ao seu ressurgimento na Alemanha. Aí, a paleta de técnicas e recursos dos pilotos foram aumentando, do aproveitamento do vento sobre dunas e pequenas elevações à descoberta das térmicas – massas de ar quente que se elevam do solo – e aos gigantescos sistemas de ondas de montanha. Com esta progressão também evoluíram as máquinas, mais rápidas, aerodinâmicas… e pesadas e caras. E o homem do voo à vela, ao olhar com fascínio cegonhas, águias e albatrozes, de novo se pôs a pensar… na simplicidade das coisas. Apareceram assim as técnicas e planadores para explorar o mundo da “micro-sustentação” (microlift), fora do alcance dos planadores tradicionais. O microlift, presente nos turbilhões mais pequenos da atmosfera, disparidades de velocidade nas interfaces das massas de ar, precisa de máquinas próprias para ser aproveitado: planadores leves, de baixo carregamento alar, capazes de voltas apertadas e com maior eficiência aerodinâmica que as asas delta e parapentes. Um quasi-regresso aos inícios do voo à vela…

O Carbon Dragon, de Jim Maupin – primeiro voo em 1988 – transformou-se, nas mãos de Gary Osoba, no pioneiro do microlift. As experiências de Gary mostraram como era possível usar um leque de técnicas variadas para aproveitar ao máximo a energia escondida na atmosfera, mantendo-se no ar horas a fio enquanto outros tinham de descer nas suas máquinas desenhadas apenas para os grandes movimentos das massas de ar. Piloto extraordinário, Gary desbravou o caminho prático do planeio dinâmico e criou um nicho no mundo dos exploradores do ar.

E assim ouvimos a história a rimar… entre os planadores de microlift, o Archaeopteryx, nascido na Suíça é feito em carbono e pode ser lançado a pé, por corda-elástico, guincho, rebocado por avião ou, desde 2014, com motores elétricos. Desenhado por Roger Ruppert em 1998 na Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique, voou pela primeira vez em 2001. A progressão técnica da construção é notória entre as duas máquinas, a repetição cíclica do inevitável progresso… e custo. Comum a ambas é o sentimento e características desta forma de voo: a capacidade de sentir os movimentos do ar. Sendo a estrutura da aeronave uma extensão do piloto, permite-lhe surfar o invisível e aproximar-se um pouco da perícia de milhafres e albatrozes, mestres do esforço mínimo de se manterem no ar.

 

por Ricardo Reis

Arquivos

Albatroz!

Omicrolift vem aproximar ainda mais o voo à vela do mundo das aves. Para isso requer, além de planadores apropriados, a maestria de técnicas não usuais no voo clássico de planador, daí a sua pouca expressão ainda dentro da comunidade dos exploradores do ar.

DIY

A família Maupin já não vende os planos do Carbon Dragon, mas ainda é possível encontrá-los na internet, tal como uma pequena comunidade de construtores. Alternativamente, o site Nest of Dragons lista mais de 74 modelos, 59 dos quais de descolagem a pé.

nestofdragons.net

Archaeopteryx

160 kg /// peso máximo

54 kg /// peso vazio

57 km/h /// velocidade de cruzeiro

28:1 km/h /// taxa de planeio

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