Andreea Magdalina, romena

on May 1, 2020 in Embarque Imediato | No Comments

É uma ativista do feminino na indústria musical entre os EUA e a Europa, e celebra Lisboa.

Tomamos o pequeno-almoço num café de jovens franceses tornados lisboetas. Andreea conta-nos como deixou a Roménia para estudar Media & Comunications na Universidade de Westminster de Londres, aos 19 anos, e ficou por lá sete. Aventurou-se em start-ups, uma delas o Mixcloud, streaming popular entre melómanos que a fez mudar-se para Los Angeles em 2014, “quando a cena musical borbulhava”. Era para ficar cinco meses, ficou cinco anos, apaixonou-se e casou, a Califórnia tinha “espaço e ar fresco”. A Mixcloud cruza música e tecnologia, e “luta pela representação feminina e diversidade em geral, [um défice que] em 2010 foi reconhecido como um problema”. Nos eventos tecnológicos era das poucas mulheres na sala, “os nerds ficavam contentes por nos ver, são superprogressistas”, e juntou-se ao grupo Women in Tech; mas a indústria da música “é mais competitiva, política, messy e injusta, e quando era a única mulher, e era quase sempre, sentia-me pequena ou como se não estivesse ali. Ainda pensei que seria por ser jovem ou romena, com o meu sotaque acham sempre que sou stripper ou nanny”, ri-se. “O sucesso é sempre difícil para as mulheres, o sistema patriarcal está lá, subliminar, não precisas de sentir a violência na pele.”

Um dia chegou a casa e decidiu: “OK, this is it, I’m done with this bullshit”. Convidou 20 mulheres para fundar a Shesaid.so, uma comunidade feminina na indústria da música. Tinha 25 anos e embateu com algum ceticismo: “Primeiro, é natural que as artistas não queiram ser marcadas para tocar num festival só porque são mulheres; depois, na altura, o feminismo ainda era visto como radical, o que nunca foi o caso.” Até porque é igualitário na sua definição: “Temos embaixadores homens, para muitos este sistema também não é deles. Sonho viver num mundo em que possamos todos trabalhar colaborando, tratados de forma igual, baseados no talento.” O Shesaid.so “é para todos, it moves the world”. Começou por fazer reuniões para partilhar experiências, ideias, contactos, oportunidades de trabalho. “Sentirmos que não estamos sozinhas, as mulheres nunca foram habituadas a juntar-se. Se só há um lugar na sala, tens de competir. Repara como os desportos ditos femininos são individuais, não nos foi incutido um sentimento de equipa, tivemos sempre de fazer tudo por nós, sozinhas. Eu própria.” E foram crescendo “como cogumelos.” Numa semana já eram 120 e cinco anos depois têm 15 representações pelo mundo e Andreea é speaker convidada.

 

Paixões portuguesas

Em outubro passado escolheu Portimão, no Algarve, para a primeira reunião internacional da Shesaid.so, cerca de 200 mulheres que “esperavam por isto há 30 anos”, conta. “Yeah, preciso de uns dias para processar, houve magia no ar. Por muito incrível que a tecnologia seja, nada substitui o contacto direto, o genuíno.” Escolheu Portugal porque estava curiosa: “Já tinha ouvido falar, estou a pensar voltar à Europa e estava na minha ideia”, sorri. Começou por gostar de Portimão: “Foi bom porque é pequeno e as pessoas permanecem juntas porque não há muito que fazer. Tem uma onda descontraída, o centro é super-cute com lojas antigas e restaurantes tradicionais, seguro, nada estranho acontece se andas na rua de madrugada. O tempo parece ter parado, mas ideias progressistas como o empoderamento feminino ainda precisam de ser abraçadas. Depois há o som do mar, que nos relaxa e nos muda.”

Subiu até Lisboa com a mãe e o irmão, e depois o marido juntou-se à “Lisbon adventure”. “Até agora, estou a adorar Portugal.” Ficou no bairro de Santos/Madragoa, “o meu pequeno universo lisboeta”: “Estava à espera que fosse mediterrânico, nunca pensei que fosse compacto, as ruas tão estreitas, tem uma urban vintage vibe com um pouco de conto de fadas. E [Lisboa] é muito genuína e moderna, jovial e cheia de potencial, graças aos jovens que trabalham nas áreas da tecnologia e na indústria criativa. De uma maneira geral, há um bom sentido de design, as pessoas na rua têm sentido de moda. O lado moderno de Lisboa lembra mais Copenhaga do que Madrid. Se calhar aplica-se só à nova geração; ou só tive oportunidade de o experienciar desta forma, mais uma razão para voltar!” Fora do centro, Sintra lembra-a um pouco a Roménia, “as casas, o verde, a atmosfera mística, os castelos. Mas a Roménia não é tão bonita arquitetonicamente como Portugal, tenho de dizer, mas temos palavras parecidas, o mesmo sentido de família e de comida e de prazer. E as pessoas mais velhas também têm uma simplicidade e bondade que se percebe nos seus rostos”.

shesaid.so

 

por Patrícia Barnabé

Arquivos

She loves so

Esteve nas praias de Portimão e foi até Lagos “absolutamente lindo, com as suas grutas marítimas e a costa sinuosa”; Porto Covo, “onde tive o melhor jantar, no Zé Inácio, comida incrível”. Em Lisboa adorou a Churrasqueira da Paz, “onde comi o melhor frango grelhado da minha vida”, diz. Para comer leve adorou o Fauna & Flora e elogia o Village Underground, “definitivamente o meu lugar favorito em Lisboa, superinovador: cowork, restaurante, concertos.”

Zé Inácio \\\ Rua Vasco da Gama, 38, Porto Covo

Churrasqueira da Paz \\\ fb.com/churrasqueiradapaz

Fauna & Flora \\\instagram. com/faunafloralisboa

Village Underground \\\ vulisboa.com

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