Albufeira – O homem do leme

on Jun 1, 2010 in Fim-de-Semana Perfeito | No Comments

Mar à vista, comida gourmet e os benefícios de um spa 5 estrelas marcaram o ritmo deste fim-de-semana passado com o músico Zé Pedro, da banda Xutos & Pontapés, em Albufeira. Antecipando o Verão no Algarve, desfrutámos momentos de sonho na companhia de um dos ídolos da música portuguesa.

Se existe uma celebridade acessível em Portugal, é o guitarrista dos Xutos & Pontapés. Apesar da fama que o faz ser reconhecido por onde passa, o músico adora conversar com os fãs, como comprovámos em Albufeira. Zé Pedro já lá tinha estado, pois desde criança passa férias no Algarve: “Costumava ficar com a família na Pensão Sol, na Praia da Rocha. Até que o meu avô comprou um terreno e construiu uma casa em cima da falésia, na Praia do Vau”.

Quando o convidámos para passar este fim-de-semana, Zé Pedro estava prestes a iniciar mais uma digressão e tinha acabado de chegar do Festival de Música de Coachella, na Califórnia. Por isso, precisava de uns diazinhos de relax à beira-mar, mais do que uma boa razão para o levarmos para o Hotel Real & Spa Santa Eulália. Este belo resort, com acesso directo à praia e uma das melhores paisagens de Albufeira, é um dos musts da hotelaria algarvia.

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Nas ondas com golfinhos

O programa começa na Marina de Albufeira. Inspirado no tema dos Xutos “O Homem do Leme”, Zé Pedro, de guitarra em punho, sobe a bordo de um veleiro e sonda o horizonte. “E uma vontade de ir nasce no fundo do ser…”. A letra da música é apropriada, pois vamos fazer um passeio cheio de adrenalina numa lancha semi-rígida da Dreamwaves. Durante cerca de 2 horas, cortamos velozmente as ondas. Informações e curiosidades vão sendo dadas pelos guias (Renato e Fábio): “Ali fica a casa de férias do Cavaco Silva” (presidente da República), mais adiante “o hotel do Figo” (o futebolista Luís Figo). As rochas têm formações engraçadas. Uma parece o Arco do Triunfo, outra “o Yellow Submarine dos Beatles”. Há também as escarpas onde garças reais vão acasalar ou onde se aninha o falcão peregrino, a ave mais rápida do mundo.

Ao entrar na Gruta da Catedral, Zé Pedro grita para ouvir o eco e, quase ao mesmo tempo, o vento de Levante aproxima do litoral um grupo de roazes corvineiros. Os golfinhos, que andam à caça de polvos, nadam junto ao barco. Assobiamos para os chamar e vemo-los brincar a poucos metros de distância, sempre aos pares, porque é época de proteger as crias. Por instantes, somos crianças maravilhadas com as suas acrobacias.

O passeio acaba na maior gruta do Algarve, por baixo do farol do Carvoeiro, perto de Benagil. Passámos pelas praias de São Rafael, Coelha, Galé, Armação de Pêra, Marinha e Carvalho, além da dos Pescadores, cartão-postal de Albufeira. Zé Pedro, todo despenteado, com o nariz vermelho do sol e um grande sorriso no rosto fala por todos: “Foi superdivertido!”.

Almoçamos na esplanada do restaurante do hotel que funciona sob coordenação do chefe Fernando Fonseca. Além de elogiar o menu – em especial uma entrada de “mil folhas de queijo” com suaves camadas de cogumelos –, Zé Pedro fala sobre música e viagens. Em 31 anos de carreira dos Xutos, já esteve em Macau, Brasil, Estados Unidos, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Cabo Verde… Acha que o melhor público é o de Toronto, no Canadá, onde existe uma enorme comunidade de emigrantes portugueses. Mas o maior que já teve, “fora de casa”, foi em Luanda, Angola, num concerto para 30 mil pessoas. “Nasci na Lapa, em Lisboa, mas como o meu pai era oficial militar, viajei sempre muito. Passei a parte inicial da minha vida em Timor e a primeira cidade que vi, com 6 anos, foi Hong Kong. Fiquei extasiado! Mais tarde, com 18 anos, fiz inter-rail e conheci os principais países da Europa. Apesar do meu país favorito ser Portugal, ainda há um que espero conhecer em breve, a Grécia.”

Massagem musical

A tarde está tranquila. No Sea Lounge, Zé Pedro vive uma experiência inédita, entregando-se nas mãos do terapeuta Nuno Martins. Angelina Diegues, chefe do spa, explica-nos a massagem aborígene, induzida pela melodia de dois instrumentos ancestrais, que levam a um relaxamento profundo e reparador. O didgeridoo, usado pelos indígenas da Austrália há 1500 anos, tem um som penetrante. Já a kalimba é um instrumento africano de som mais doce e efeito embalador. Zé Pedro confessa que se sentiu “meio hipnotizado”, num estado de quase inconsciência.

O luar espalha-se pelo céu quando paramos na estrada para admirar o castelo de Paderne, um dos redutos arqueológicos do concelho de Albufeira (século XII), a caminho do Sítio do Cerro do Ouro. O Restaurante Xerém recebe-nos de modo intimista, com um surpreendente cardápio em que os sabores e aromas da tradicional gastronomia algarvia ganham um toque de modernidade pelas mãos do chefe Ezequiel Viegas.
Bem diferente é o almoço do dia seguinte, no Clube de Pesca de Albufeira, que está a abarrotar. Apesar dos olhares e acenos dirigidos ao nosso convidado, as pessoas dão-lhe espaço para saborear a refeição preparada pelo chefe José Encarnação. À saída, toda a equipa do restaurante se reúne para pedir autógrafos, abraços e beijinhos. O músico emociona-se quando um casal de clientes, fã dos Xutos, conta que o filho de 11 anos se chama Zé Pedro em sua honra.

Al-Buhera : o castelo do mar

Percorremos o centro antigo de Albufeira, cuja arquitectura faz justiça à história da vila, fundada por romanos e tomada por árabes em 711. Foram os mouros que lhe deram o nome de Al-Buhera, que significa Castelo do Mar. Arcos como o da Travessa da Igreja Velha, chaminés recortadas e as açoteias, típicos terraços algarvios no topo das casas, fazem parte do legado árabe, que convive harmoniosamente com os símbolos cristãos. Estes são predominantes desde que, em 1249, D. Afonso III procedeu à reconquista da cidade. Bom exemplo disso é a bonita Igreja de Sant’Ana (século XVIII), cuja fachada é encimada por um conjunto de volutas barrocas.

A paisagem urbana mudou muito desde que, a partir dos anos 60, se desenvolveu o sector turístico na região e Albufeira se encheu de hotéis, restaurantes, lojas e bares, sendo hoje um ponto de referência para turistas portugueses e estrangeiros.

Ao final da tarde, paramos em Almancil para provar “O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo”, que em todo o Algarve só se encontra na Ícon, por obra e graça da arquitecta Ana Borges de Castro, a criadora de um retiro com facetas múltiplas: é loja, galeria de artes, salão de chá e local de convívio.

Reconfortado, Zé Pedro prepara-se para pisar o palco do Teatro Municipal de Faro que serve de residência à Orquestra do Algarve. Ao sair, espera-o mais uma surpresa: um carro especial da frota Exquisite, com motorista privado e champanhe a bordo, disponível para o transportar no melhor estilo rock star até ao próximo destino.

Jantar no requintado Hotel Vila Joya. Eis o único pedido feito por Zé Pedro à UP. Estava ansioso para experimentar as iguarias confeccionadas pelo chefe austríaco Dieter Koschina e ficou feliz pelo anfitrião nos ceder uma das concorridas mesas do célebre restaurante com 2 estrelas Michelin. Apesar da figura elegante, Zé Pedro é o que se chama “um bom garfo”. Ao longo de mais de três horas, deliciou-se com cada item do extenso menu de degustação.

A dada altura, depois de lhe terem servido uma porção de natas ácidas com ostras e caviar imperial (produto da cozinha molecular), Zé Pedro arriscou definir a situação como “uma experiência orgástica”. E depois de agradecer à equipa, sugere: “Vamos pedir mais uma estrela Michelin para este restaurante”.
Fazer o check-out no Hotel Santa Eulália é quase doloroso. Zé Pedro garante que de boa vontade ficaria por ali mais uns tempos e é convidado a voltar quando quiser. O mar de Albufeira ficará assim à espera do nosso “homem do leme”.

Grande Real Santa Eulália Resort & Hotel SPA
Praia de Santa Eulália, Albufeira
+351 289 598 000
www.hoteisreal.com

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por Moema Silva

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