Alba Baptista – A star is born

on Jan 1, 2020 in Embarque Imediato | No Comments

Alba Baptista é um dos mais recentes casos de sucesso de atores de Portugal em Hollywood. Entre a fantasia da série Warrior Nun, o cinema independente nacional e grandes produções europeias, ninguém consegue tirar os olhos dela.

A primeira vez que a vimos em cinema ainda era adolescente. Foi em Leviano, de Justin Amorin, estreado em 2018 mas filmado há uns tempos. Alba Baptista era uma ninfa com uma trágica aura à la Lolita. Daí até a chegar a protagonista de Warrior Nun, série da Netflix que inaugura na próxima primavera, não foi apenas um passo, mas a consagração desta atriz de 22 anos que tem uma vertigem tão imediata como merecida. É raro alguém ter uma cinegenia destas, uma impressão na câmara tão forte… Alba tem isso, mas também a capacidade de transformação: entre conseguir convocar uma fragilidade de menina em Caminhos Magnétykos, de Edgar Pêra, ou a sensualidade em Flutuar, curta-metragem de Artur Serra Araújo.

Tudo terá começado com um momento “mágico”: “Sim, daqueles que não se explicam. Foi na curta-metragem Miami, de Simão Cayatte, há cinco anos. Foi um daqueles momentos em que um ator está em cena e sente-se a cem por cento. Nessa sequência esqueci onde estava. De repente, ouvi ‘Corta’ e voltei para mim, olhei à minha volta e pude sentir essa vibração. Foi mesmo aí que pensei que era para aquilo que tinha nascido. Nem sempre esses momentos acontecem em cinema, é raro…”, responde, em Lisboa, numa das suas paragens enquanto não é chamada para cumprir ações promocionais de Warrior Nun por todo o mundo.

 

Magia

A fama é algo com a qual sabe que terá de lidar e está longe de lhe tirar o sono. Nesta altura, com um pé em Hollywood e outro em Portugal, está preocupada sobretudo em ganhar mais experiência, ela que frequentou a escola de atores ACT, em Lisboa, enquanto começava a ser chamada para papéis em telenovelas. “No começo tinha uma certa ingenuidade perante a indústria do cinema. Olhei para estas experiências como algo que poderia fazer-me evoluir e nunca quis impor uma responsabilidade sobre mim. Por exemplo, houve uma altura em que nem consegui acabar o curso e escolhi trabalhar. Seja como for, senti sempre que fui evoluindo. A teoria não se aplica muito bem a mim, senti sempre que ficava demasiado construída, ou seja, quando entrava em cena fazia o que era suposto e não aquilo que sentia. Não sou uma atriz que goste de estudar, prefiro sempre sentir, reagir no momento”, faz questão de vincar.

Atriz com graça de cinema, talvez atinja o seu ponto mais alto em Patrick, drama psicológico de Gonçalo Waddington, a estrear neste primeiro trimestre por alguns países da Europa. Interpreta uma jovem que regressa a Portugal para se reencontrar com o primo, um rapaz cuja identidade está no limbo, após ter sido raptado em criança e atirado para o mundo nojento da pornografia pedófila. Tema duro e tratado com uma sensibilidade à flor da pele. As cenas com Alba e o ator luso-francês Hugo Fernandes têm uma insólita carga de perturbação.

Atriz com graça de cinema, talvez atinja o seu ponto mais alto em Patrick, drama psicológico de Gonçalo Waddington, a estrear neste primeiro trimestre por alguns países da Europa. Interpreta uma jovem que regressa a Portugal para se reencontrar com o primo, um rapaz cuja identidade está no limbo, após ter sido raptado em criança e atirado para o mundo nojento da pornografia pedófila. Tema duro e tratado com uma sensibilidade à flor da pele. As cenas com Alba e o ator luso-francês Hugo Fernandes têm uma insólita carga de perturbação, melhor”. Provavelmente, por esse desprendimento, afirma que a experiência do cinema acaba por lhe dar uma sensação de poder fugir da regra: “O que mais retiro do prazer de representar é a esquizofrenia, não é essa coisa de depois poder ficar a olhar para mim no ecrã, antes pelo contrário: o cinema é a possibilidade de poder esquecer-me de mim e ser embalada. Pode parecer piroso, mas, para mim, é isso o que é a magia. Por outro lado, um bom ator é também aquele que é um bom colega: quero sempre que o outro brilhe para me dar algo.”

 

Maturidade

O glamour, as sessões de fotografias, as passadeiras vermelhas e as mordomias de uma estrela já estão a acontecer. O ano passado, com Caminhos Magnétykos, deslumbrou no Festival de Roterdão e com Patrick, no de San Sebastián. Agora, com Warrior Nun vem uma exposição que terá consequências ainda mais globais. Alba sorri mas prefere nem pensar muito nisso da fama de Hollywood e sabe que não vai ficar prima-dona: “Hoje tenho a maturidade e o centro para perceber que isso da fama não é nada! São apenas momentos que não me afetam para ser melhor ou mais válida.”

Neste ano de 2020, haverá oportunidade para irmos ao cinema e apanhá-la também em Nothing Ever Happened, de Gonçalo Galvão Teles; Fátima, de Marco Pontecorvo, grande produção internacional sobre as “aparições” da Virgem Maria em 1917 em Portugal; e Campo de Sangue, de João Mário Grilo, a partir do romance homónimo de Dulce Maria Cardoso. Mas é em streaming que vamos ver os seus golpes na série Warrior Nun. “Foi aí que descobri algo que não conhecia em mim: a capacidade para ser líder e conseguir aguentar muito sobre os meus ombros”.

fb.com/albabaptistaoficial

 

por Rui Pedro Tendinha /// foto Kenton Thatcher

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Hollywood está apaixonada pela nova geração de actores portugueses. Joana Ribeiro é um dos nomes do elenco de Infinite, blockbuster de ficção científica com Mark Wahlberg, e Daniela Melchior é uma das protagonistas de The Suicide Squad, aposta forte da Warner, com Margot Robbie, Taika Waititi e John Cena.

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