A Abelha Rainha dos drones

on Oct 1, 2019 in Aterragem | No Comments

Tendo entrado recentemente no léxico comum, a palavra “drone” não é, porém, de uso recente, nem deve a sua existência ao ruído insectoide do crescente enxame de brinquedos voadores dos últimos Natais…

Temos de ir até ao Reino Unido, nos anos 30, quando a firma De Havilland juntou a fuselagem de um DH.60 Moth Major com as asas de um DH.82 Tiger Moth e criou… “a” Queen Bee (Abelha Rainha). Com o propósito de servir de alvo aos futuros artilheiros britânicos, a Queen Bee era controlada por rádio – ou podendo ser, pilotada – e tinha vários sistemas automáticos inovadores para auxiliar a sua operação. Operação onde, aliás, o objetivo era “falhar” o avião, apontando à sua passagem, permitindo a sua reutilização. Por isso a Queen Bee tinha um sistema de aterragem automático, engajado na proximidade do solo. Não era incomum encontrar uma destas “abelhas” num campo, após ter saído do alcance do rádio… à espera de combustível para regressar à “colmeia”. O sistema de controlo rádio funcionava com um telefone de disco, em que cada número era uma função (esquerda, direita, aumentar motor…). Os ailerons eram mantidos na posição neutra e apenas os lemes de direção e profundidade atuados à distância. A Queen Bee teve grande sucesso e foi em sua homenagem que se adotou a palavra “drone” – zangão – para designar este tipo de aeronaves.

A Queen Bee foi o primeiro “drone” recuperável e multimissão, mas a história do controlo remoto de objetos voadores começa no século XIX, quando, em 1849, o exército austríaco tentou bombardear Veneza com balões. O sistema não funcionou e o povo de Veneza acabou por sair à rua aplaudindo o espetáculo de fogo de artifício involuntário proporcionado pelos seus vizinhos. Hoje, o potencial explosivo dos drones é primariamente económico, em aplicações civis como a inspeção de ativos, agricultura, logística e serviços. O tempo dirá que frutos nascerão desta polinização cruzada e crescente entre a miniaturização eletrónica, digitalização e operação aérea.

Algumas Queen Bees conseguiram chegar ao dia de hoje. Destas, a Queen Bee com matrícula LF858, voa ainda – com piloto – em festivais aéreos, carinhosamente mantida pelo autodenominado “grupo de apicultores voadores” – o Beekeepers Flying Group – em Henlow, Inglaterra.

 

por Ricardo Reis

Arquivos

Tiger Moth

O Tiger Moth, como o T6 e o Chipmunk, foi um dos grandes professores do ar. Mas, ao invés destes, a sua carreira foi bem mais diversa, trabalhando como avião de turismo, táxi aéreo, demonstração, ambulância, etc. Dos 8868 Tigers produzidos, 91 foram fabricados na OGMA, em Alverca. O Museu do Ar possui vários exemplares, que podem ser visitados em Sintra e Alverca.

Norma Jean

Foi após uma sessão fotográfica de David Conover na fábrica de modelos rádio- -controlados, a Radioplane Company, em que trabalhava, que uma certa Norma Jean decidiu começar uma carreira de modelo… e assim nasceu Marilyn Monroe.

Queen Bee

Alcance

480 km

167 km/h

828 kg

web design & development 262media.com

A UP Magazine colocou cookies no seu computador para ajudar a melhorar este site. Pode alterar as suas definições de cookies a qualquer altura. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização.