24 Horas em Lisboa – Raquel Varela

on Apr 1, 2019 in Embarque Imediato | No Comments

Raquel Varela faz o roteiro da revolução de 1974 na capital portuguesa.

História do Povo na Revolução Portuguesa (Bertrand e, em inglês, Pluto Press) e 25 de Abril – Roteiro da Revolução (coautoria, Parsifal) são dois dos muitos livros da historiadora. Foi responsável científica das comemorações oficiais dos 40 anos da revolução democrática de 25 de Abril 1974, que pôs termo a 48 anos de ditadura, e este ano é curadora da exposição em Oeiras que assinala o 45º aniversário do golpe. Coordena o Grupo de Investigação de História Global do Trabalho da Universidade Nova de Lisboa, entre outros cargos internacionais. Podemos vê-la todas as semanas no programa televisivo de debate O Último Apaga a Luz, na RTP.

raquelcardeiravarela.wordpress.com

::

Quartel do Carmo

Largo do Carmo

“Ao quartel da Guarda Nacional Republicana no Largo do Carmo, onde está sitiado o chefe do governo, Marcelo Caetano, e outros membros do executivo, chegam ao final da manhã as tropas chefiadas pelo capitão Salgueiro Maia. Os carros blindados saem com os governantes depostos. O repórter televisivo Adelino Gomes narra, eufórico: ‘É um momento histórico, embora o tempo seja ainda curto para que se comece a escrever a história, três minutos depois de ter acontecido…’.”

::

Emissora Nacional

Rua do Quelhas, 2

“Frederico Morais e Luís Pimentel foram os capitães com a missão de ocupar a Emissora Nacional (EN), a estação de rádio do Estado. Às 10h do dia 25 a EN difunde um dos comunicados das Forças Armadas, seguidode canções de Zeca Afonso e Léo Ferré. A rádio teve um papel central no sucesso do golpe. Às 22h55 do dia 24 a Rádio Alfabeta colocara no ar a canção ‘E Depois do Adeus’, de Paulo de Carvalho. Era o sinal para as tropas avançarem. A segunda senha, o tema ‘Grândola, Vila Morena’, de Zeca Afonso, foi emitida na Rádio Renascença.”

::

Chiado

Rua da Misericórdia, 95-125 \\\ Largo Trindade Coelho, 21

“A censura vigorou em Portugal durante toda a ditadura. No dia 26 de Abril, toda a área do Chiado e envolvente era um mar de pessoas. Alguns alvos: as sedes de A Época, jornal do regime, do partido único Ação Nacional Popular e dos serviços de censura. Os manifestantes atiram pedras, invadem e retiram papéis e jornais, a que pegam fogo. Um dos objetivos era verificar se estavam escondidos dois agentes da polícia política.”

::

Rua António Maria Cardoso

“A população dirige-se também para a sede da PIDE/DGS, a polícia política, na Rua António Maria Cardoso, 20. Antes de se renderem, os agentes atiram indiscriminadamente sobre as pessoas. Matam Fernando Luís Barreiros dos Reis (24 anos), Francisco Carvalho Gesteiro (18), José Guilherme Rego Arruda (20) e José James Harteley Barnetto (37).”

::

Quartel da Pontinha

Estrada da Pontinha – Rua Regimento de Engenharia 1, Pontinha

“No dia 24, por volta das 22h, Otelo Saraiva de Carvalho, um major com 37 anos – comandante operacional do golpe que deporá o regime –, chega ao Posto de Comando das Forças Armadas, um barracão pré-fabricado a norte de Lisboa, no Regimento de Engenharia 1 da Pontinha. É daí que dirige todas as operações que levam ao fim da ditadura.”

::

Praça do Comércio

“A mais conhecida coluna do golpe militar foi comandada pelo capitão Salgueiro Maia. A sua função foi atrair para a Praça do Comércio as unidades afetas ao regime. Antes das 6h, entra em Lisboa e toma ali posição. Três pelotões enviados para defender o Ministério do Exército põem‑se às ordens dos revoltosos.”

::

Castelo de São Jorge

“No dia 27 nem todos se tinham rendido. A Polícia Militar cerca o Castelo de São Jorge, que estava à guarda da Legião Portuguesa (LP), organização paramilitar do regime. Às 13h, as forças são dominadas. Pelo país, várias sedes da LP foram atacadas.”

Arquivos

+ 25 de Abril

1 /// Comemorações

Oeiras, a 20 quilómetros de Lisboa, foi elemento central dos acontecimentos de Abril de 74. Aqui viveram e vivem muitas personalidades ligadas à revolução; muitas reuniões clandestinas preparatórias da revolução nesta cidade; e a Prisão do Forte de Caxias representa uma das mais graves expressões do regime ditatorial. Omunicípio celebra com uma vasta programação.

::

2 /// Exposição

A exposição Quando Mudamos um País, Ele Muda-nos com Ele, organizada pelo município e com curadoria de Raquel Varela, estará no Centro Cultural Palácio do Egipto até 26 de Maio. O enfoque é na génese e consequência do 25 de Abril no país e localmente.

::

3 /// Livro

Será lançado o livro A Revolução dos Cravos em Oeiras, um guia inovador pelos principais lugares históricos revolucionários do concelho.

cm-oeiras.pt

web design & development 262media.com

A UP Magazine colocou cookies no seu computador para ajudar a melhorar este site. Pode alterar as suas definições de cookies a qualquer altura. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização.