24 Horas em Lisboa – Paula Cosme Pinto

on Sep 1, 2013 in Embarque Imediato | No Comments

A jornalista Paula Cosme Pinto leva-nos ao mundo da canção de Lisboa, celebrando o passado e o presente através de uma caminhada repleta de história. Silêncio, que se vai contar o fado!

 

Paula Cosme Pinto

São Bento, em Lisboa, é o seu berço. Nascida em 1984, Paula Cosme Pinto vem de uma família de músicos e cresceu no meio de tertúlias, ensaios e longas noites em casas de fado. O avô, Martinho d’Assunção, é uma grande referência nacional da viola clássica. Já ela, licenciou-se em produção e pós-produção audiovisual e ingressou depois no curso de formação geral de jornalismo do Cenjor. Atualmente nos quadros do semanário Expresso, escreve também no blog A Vida de Saltos Altos, que teve direito a edição em livro. Da autora pode ainda ler Os Segredos da Maleta Vermelha – dedicado à sexualidade feminina. Em paralelo, e para dar vazão ao seu vício de viajar, criou os Lisbon Fado Tours. É assim que a encontramos, pelo bairro de Alfama, entre as figuras típicas, os poemas, as tascas e as vozes dos fadistas, verdadeira contadora de histórias. Uma homenagem à carreira do avô, em forma de documentário, encontra-se em fase de arranque.

www.facebook.com/lisbonfadotours

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 A voz

Amália Rodrigues

“É uma casa que fez parte da minha infância. Foi onde Amália Rodrigues viveu, e aqui passei muitas tardes. Hoje é um museu que vale mesmo a pena visitar para conhecer o universo da nossa diva, que era também um palco de tertúlias com grandes poetas. Para além disso, o espaço está repleto de obras de arte!”

Fundação Amália Rodrigues
Rua de São Bento, 193
+351 21 397 1896
www.amaliarodrigues.pt
Terça a domingo, 10h – 13h / 14h – 18h

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O segredo está na grelha

“Um spot secreto do pessoal do fado. Arraçado de tasca, neste restaurante come-se um peixe grelhado maravilhoso, fresco e barato. Os donos são uns castiços e fazem questão de ter nas paredes fotografias de fadistas, entre elas um retrato da minha família.”

Devagar Devagarinho
Travessa Larga, 15
+351 21 013 7982

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Para mais tarde recordar

guitarra portuguesa / portuguese guitar

“Aberta desde abril, é uma loja muito pequena com souvenirs ligados ao fado. Tem uma mistura bem engraçada do passado e do presente, desde postais, quadros e malas com Amália, a artigos de design contemporâneo. Os discos são quase todos da fadista e existem também edições muito especiais em vinil.”

Tudo Isto é Fado
Rua da Madalena, 69
+351 21 887 1197

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Matiné no bairro

“Um clássico do fado vadio! Na tasca original, muito pequenita, na Graça, aos sábados e as domingos à tarde, acontece uma autêntica matiné de fado. Das 16h às 20h, vai lá parar o mundo e reúne-se tudo o que é amadores aspirantes a fadistas. A maravilhosa Laura é uma entusiasta, puxa pelo pessoal e tem boa mão para uns ricos pastéis de bacalhau.”

Tasca do Jaime

Rua da Graça, 91
+351 21 888 1560

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Património imaculável

Fado portraits

“Partindo da Rua do Capelão, na Mouraria, esta exposição ao ar livre é uma viagem ao universo do berço do fado. Aqui nasceram a dona Argentina Santos e o rei Fernando Maurício. Fotografias fabulosas, impressas em madeira e penduradas nas paredes, homenageiam os fadistas com uma ligação forte com o bairro. Um trabalho da fotógrafa britânica Camilla Watson, que tem o seu atelier na Mouraria e desenvolve atividades com a comunidade local.”

Retratos do Fado – Um tributo à Mouraria
Mouraria
www.camillawatsonphotography.net

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Quando Lisboa anoitece

“O ponto de encontro de fadistas de todas as gerações. Era a antiga capela de um prédio em Alfama, de famílias muito ricas. O interior é todo em azulejo e a acústica fabulosa. Sugiro uma ida ao Mesa de Frades depois do jantar para comer um petisco ou beber um copo e ouvir grandes vozes do fado de Lisboa como Ricardo Ribeiro e Camané.”

Mesa de Frades
Rua dos Remédios, 139 A, Alfama
+351 91 702 9436
www.facebook.com/mesadefradeslisboa

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Castiço q.b

“Para quem gosta de ficar a pé até às tantas. O Nelo é um ícone lisboeta para os boémios fora de horas. Não abre antes da uma da manhã e, por aqui, encontram-se os castiços que gostavam de ser fadistas, os consagrados e os taxistas. Tem petiscos, e se quiser comer um pica-pau às quatro da manhã este é o lugar certo.”

Nelo
Rua do Telhal

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A Severa

Casa da Severa

“Já há muitos anos que a Mouraria não tinha casas de fados. Esta casa foi onde, em tempos, a nossa mítica Maria Severa Onofriana (imortalizada por Júlio Dantas) viveu e fez o Conde de Vimioso perder-se de amores. Reza a lenda que cantava o fado muito bem. Aberto recentemente, é um local de petiscos com noites de fado vadio de quinta a sábado.”

Casa da Severa
Largo da Severa, 2/2B, Mouraria
+351 21 886 0165
www.casadasevera.pt
Terça a domingo, 16h – 2h

por Manuel Simões

Arquivos

Cinco bairros com poemas de fados

1 – Alfama
"Alfama não cheira a fado, cheira a povo, a solidão. Cheira a silêncio magoado, sabe a tristeza com pão.” (Ary dos Santos)

2 – Madragoa
“Uma saudade do mar tem seu monumento em Lisboa. Velho bairro popular, sombrio e vulgar que é a Madragoa” (João Bastos)

3 – Alcântara
“És bairro amado, não tens luxo disfarçado, trabalhas, ganhas o pão. E apenas porque trabalhas, o teu povo tem medalhas na palma de cada mão” (Frutuoso França)

4 – Mouraria
“Ai Mouraria, dos rouxinóis nos beirais, dos vestidos cor-de-rosa, dos pregões tradicionais” (Amadeu do Vale)

5 – Bairro Alto
“Bairro Alto de Lisboa, cenário das madrugadas, abrigo de quem perdoa as noites abandonadas” (Helder Moutinho)

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