10 Básicos de Bogotá

em Jul 1, 2014 in 10 Básicos | No Comments

Pegue-se no dia a dia de uma moderna metrópole, atirem-se-lhe uns pozinhos de perlimpimpim e eis a capital da Colômbia. O realismo salta à vista. Em imponentes arranha-céus que parecem anões aos pés dos Andes, nos passos apressados dos seus milhões de habitantes, noutros tempos que já lá vão. A magia, essa descobre-se! Nas fachadas das paredes centenárias da Candelária, em oásis floridos polvilhados pelo imaginário das borboletas, na sensualidade mestiça da cultura, no exotismo sofisticado da comida, na religiosidade caribenha das igrejas e na pequena poesia de que são feitos os gestos e as palavras deste povo. Os colombianos são o espelho e a alma de um país diverso que se encontra a cada esquina em Bogotá. “Aqui hay un poco de toda Colombia”, dizem eles. Deve ser por isso que, nas ruas, há lamas a cruzarem-se com o Transmilenio, índios de gravata e um permanente aroma a café.

Magia

 

1. Mágica

Raul diz que os pensamentos são azuis como as margaridas; Don Guillermo afirma a pés juntos que toda a gente tem uma folha de vida; Selma explica, com os grandes olhos índios abertos, que uma floreira solitária é isso mesmo, a casa de uma só flor. E no alto de um telhado de Bogotá, a silhueta de um poeta recortada em contraluz, conta-nos uma história de amor. Não admira que García Márquez seja o mago colombiano e universal das letras. Na alma deste povo talhado a escopro na cordilheira andina, herdeiro de espanhóis, de africanos e de índios, que leva no corpo o ritmo do Caribe e um imaginário que vai da costa atlântica à costa do Pacífico, o dia a dia é para embrulhar em pequena poesia, sonhos, metáforas e mitos. Seja no emaranhado de ruas de uma metrópole com mais de oito milhões de habitantes, seja nos parques verdes, cafés, bares, restaurantes, galerias e centros comerciais da Bogotá cosmopolita, nas paredes estampadas com graffitis e nos portões centenários do bairro histórico de La Candelaria, ou no alto do Cerro de Monserrate.

Que le vaya bien, dizem eles. E os militares, armados com metralhadoras, levantam o dedo em sinal de ok, sorrindo. A gentileza e simpatia dos colombianos, a sua paixão pela vida e pela pátria, quase nos faz esquecer os complicados anos de guerrilha civil e as altas taxas de criminalidade que, há não muitos anos, faziam deste um lugar perigoso. Nada disso é hoje realidade. Bogotá respira ao ritmo de um país em que o crescimento económico e a paz levam o nome de esperança, e é uma excitante cidade moderna onde negócios, cultura e lazer se misturam com o imponente legado histórico e étnico. “Colombia? El riesgo es que te quieras quedar”, dizem eles.

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2. Histórica

História

Bogotá, ou Santa Fé de Bogotá, foi fundada em 1538 pelo espanhol Gonzalo Jiménez de Quesada, que, depois de conquistar o território aos índios muíscas da tribo Bacatá, ali construiu doze choças e uma igreja. A cidade foi crescendo e adquirindo importância, sobretudo a partir de 1717, quando os espanhóis a designaram sede do vice-reinado de Nova Granada, fazendo história em 1810, ao ser palco da primeira declaração de independência contra o domínio colonial espanhol. Só em 1819, os independentistas, comandados por Simón Bolívar, tomaram Bogotá, designando-a capital da Grã-Colômbia (império sonhado por O Libertador e que até 1831 agregou os atuais Colômbia, Equador, Panamá e Venezuela). Seguiram-se tempos conturbados em que estalaram várias revoltas até que, em 1948, se deu o mortífero Bogotazo, de onde nasceram alguns dos grupos de guerrilheiros que fizeram da Colômbia um país sem rei nem roque, entregue ao narcotráfico e à criminalidade. Mas depois da vitória de Álvaro Uribe nas presidenciais de 2002, a paz tem vindo a ser negociada. Quem hoje chega a Bogotá encontra uma trepidante metrópole, um centro comercial, industrial e cultural que faz dela a sexta cidade mais atrativa da América Latina no que respeita a investimento.

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3. La Candelaria

La Candelaria

O alegre centro histórico de Bogotá coincide em grande parte com o bairro conhecido por La Candelaria. E será aqui, entre ruas estreitas e empinadas, entre praças e casarões coloniais de cores ocre que serviam de poiso à aristocracia crioula e espanhola, entre pequenos cafés, lojas de souvenirs e hotéis-boutique, teatros, igrejas e museus, que o visitante ocasional vai sentir o pulso da capital. Para absorver bem o espírito de La Candelaria, terá que estar atento aos detalhes. Às portas de madeira com os brasões de família onde ainda cheira a Velho Continente, às janelas ornamentadas, às varandas, às placas evocativas da história e das personagens históricas da cidade. Mas também aos sinais das várias épocas e estilos arquitetónicos e, principalmente, às pessoas. Dos rolos e cachacos (os naturais de Bogotá) à população mais jovem, arty e hipster, que segue as tendências do remoinho cultural.

Esta espécie de puzzle anacrónico, ou pluritemporal, faz de La Candelaria o centro emblemático quer da cidade velha, quer da moderna. Comece pelo coração, a Plaza Bolívar, e depois deixe os seus sentidos guiarem a navegação entre esta praça, a pitoresca Plaza Chorro del Quevedo e a Piazoleta del Rosario. Perca-se, encontre-se e saboreie as ruas impregnadas de tempo, de museus, de igrejas, de graffitis, de dia a dia e dos aromas sensuais do café.

Arte urbana

As paredes de Bogotá rivalizam com as das grandes cidades mundiais em graffiti. São desenhos gigantescos que ocupam muros e paredes e onde cabe tudo. Da ironia política e social, a letras de músicas, de auto-retratos a 3D, incluindo obras assinadas pelos grandes nomes mundiais da arte urbana, como é o caso do português VHILS.

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4. Cultural e boémia

Museu do Ouro

Há 58 museus, 45 teatros, 62 galerias de arte, 19 bibliotecas e variadíssimas salas de espetáculos. Não espanta pois que, com tal dinâmica, Bogotá seja conhecida como “a Atenas sul-americana”. E merecidamente. Eis uma seleção dos lugares e acontecimentos imperdíveis (para nós).

 

Museu do Ouro

Não é apenas porque possui uma das maiores coleções de objetos pré-hispânicos do mundo que vale a pena passar aqui umas boas horas. A visita é uma viagem à cultura e modo de vida dos povos autóctones, contada através de mais de 50 mil peças em ouro, outros metais, cerâmica, pedra, osso, concha, madeira, têxteis e até múmias. Além das salas que retratam os ciclos do metal, as dedicadas às pessoas, à simbologia e à cosmologia são uma autêntica lição de antropologia.

www.banrepcultural.org/museo-del-oro

Museu Botero

Conhecido mundialmente pelas suas “gorditas”, o colombiano Fernando Botero tem aqui uma montra para as 208 obras que doou ao Banco de la República. 123 são da sua autoria e 85 são assinadas por grandes mestres como Picasso, Chagall, Dali, Renoir, Matisse, ou Bacon.

www.banrepcultural.org/museo-botero

Manzana Cultural do Banco de la República

Deste complexo, que ocupa um quarteirão em La Candelaria, fazem parte (além do Museu Botero) a excelente biblioteca Luiz Ángel Arango, com uma sala para concertos, o Museu de Arte del Banco de la República e a interessante Casa de la Moneda.

www.banrepcultural.org/

Festival Ibero-americano de Teatro

Realiza-se de dois em dois anos (o último foi em abril) e é o evento teatral mais famoso da América do Sul, reunindo a nata das companhias mundiais.

www.festivaldeteatro.com.co

Mais cultura

A lista nunca mais acaba, mas vale a pena visitar também o Museu Nacional, o Museu de Arte Colonial, o Museu de Arte Moderna, a Igreja de Santa Clara, o Teatro Colón e o Maloka (centro interativo de ciência e tecnologia).

 Movimento sexy

A vida noturna é agitada, variada e dura até de manhã. Ponha um ritmo qualquer a tocar, seja salsa, rumba, reggaetown, hip hop ou electro e é ver rolos, cachacos e hipsters a abanarem-se como se não houvesse amanhã. Toda a gente dança e toda a gente dança bem. Em La Candelaria aposte no salsero clube Quiebra Canto. Na mais sofisticada zona Rosa (ou T) espreite o La Villa, o Armando Records ou o Maroma. Outras opções incluem o Le Coq, ao ar livre, o Theatron, de música electrónica, e o Radio Berlin, para after-hours.

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5. Religiosa

Iglesia de La Candelaria

Seja qual for a sua religião, prepare-se para se benzer! Não precisa de ser católico, mas vai precisar de toda a devoção para fazer a rota das igrejas. São 28 templos com interesse patrimonial, dos quais destacamos algumas das igrejas do centro histórico, como a Catedral Primada, La Candelaria, San Ignácio, San Agustín, El Carmen e San Francisco. A iconografia local e uma espiritualidade contaminada pelos espíritos do passado valem a visita. Além disso, por estas paragens, as praças e os adros de igreja continuam a ser uma espécie de observatório sociológico. Vendedores de pequenas coisas, políticos de trazer por casa, famílias sorridentes, meninas com vestidos de folhos, reformados a atirarem milho aos pombos, executivos a dizerem mal dos pombos, freiras com guarda-sóis e simples gente anónima, passando continuamente e persignando-se com fé.

 

Santuário do Senhor Caído de Monserrate

É um dos ex-líbris da cidade sendo visitado por peregrinos vindos de todo o mundo. Como fica a 3152 metros de altitude é um miradouro esplendoroso com vista para a cidade e para os Andes. Vá a pé, de funicular ou de teleférico, mas vá. Nem que seja para se sentir no topo do mundo e abrir os braços com a liberdade de um condor.

www.cerromonserrate.com \\\ Ida e volta funicular e teleférico: €7

Catedral de Zipaquirá

A apenas 50 quilómetros da capital fica uma das maravilhas da Colômbia: uma catedral de sal subterrânea. O imponente templo foi inaugurado em 1995 no interior de uma mina de sal que já era explorada pelos índios muíscas. A 180 metros de profundidade, destacam-se a Via Sacra, a Cúpula, as colunas, a grande cruz de 16 metros de altura, as estátuas de sal e as naves que representam o nascimento, a vida e a morte. Em termos de experiência, faça por sentir a mística muito própria do lugar. Há atividades, concertos acústicos e missas ao domingo ao meio-dia.

www.catedraldesal.gov.co \\\ €9

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6. Verde

Verde

A cor e os aromas das frutas e das flores frescas nas ruas, os diferentes matizes de verde nas encostas da cordilheira andina e os mais de mil parques, jardins e humedales, fazem da capital uma cidade com clorofila. Deixam-na respirar. Coberta por um lago há milhares de anos, a savana de Bogotá conserva ainda 14 pequenos ecossistemas importantíssimos: os humedales. Nesta espécie de lagos pantanosos, encontra-se fauna e flora tipicamente andina, incluindo 153 espécies de aves, 81 famílias de invertebrados, 12 espécies de mamíferos e quatro de répteis e anfíbios. A lição de botânica centra-se no Jardim José Celestino Mutis, mas o trabalho de campo pode ser feito nos açudes, lagoas e plantações de flores dos arredores da capital.

 

Jardim Botânico José Celestino Mutis

Além do trabalho de preservação das espécies, os jardins e estufas são um mostruário da fascinante flora endémica da Colômbia, país onde abunda a biodiversidade.

www.jbb.gov.co

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7. Gulosa

Gula

Em matéria de sabores, de mistura fina e de identidade, Bogotá – e a Colômbia em geral – não fica atrás dos seus fashionistas vizinhos peruanos ou brasileiros, que andam nas bocas do mundo. Literalmente. Seja com as criações inspiradas no que vem da terra, exótica e sumarenta, seja aproveitando os saberes indígenas e as tradições coloniais, sem perder de vista a contemporaneidade das texturas e outras modernices gastronómicas. Crioulo, mestiço, afro-hispânico, diverso, criativo, cosmopolita, escolha os seus paladares e viaje por um mundo recheado de arepas, de empanadas, de papas criollas, de arequipes, de patacones, de ajiacos e de sumos de frutos tão deliciosos que nunca mais os vai esquecer. Já experimentou lulo ou guanábana?

 

Casa Vieja

Cozinha franca e tradicional para se deliciar com especialidades nacionais e regionais como o ajiaco (uma sopa com carne), as arepas (espécie de panquecas de milho recheadas com queijo, guacamole, feijões ou carne), os patacones (parecidos, mas à base de banana), a bandeja paisa (misto de carnes) ou um delicioso arroz de coco.

Bistronomy

Vale a pena dar uma volta pela bonita zona colonial do bairro de Usaquén, onde, entre outros restaurantes famosos, fica este Bistronomy. Ambiente informal e cozinha de bom nível, com receitas criativas inspiradas em sabores locais e mundiais.

El Cielo

Toda uma experiência sensorial, como se o mago Gandalf fosse o chefe de serviço. Num bonito jardim interior, ocorrem misteriosas explosões, fenómenos criogénicos, poções olfativas e outras brincadeiras com os paladares, sem perder de vista o rigor da cozinha de autor do chefe Juan Manuel Barrientos.

Central Cevicheria

Uma surpreendente variedade de ceviches de peixe, polvo ou camarão em outras tantas misturas e combinações.

Andrés DC

A carta é maior do que o Livro de Pantagruel, mas a fama tem razões que a razão desconhece e este espaço kitsch com glamour, aninhado num centro comercial da Zona T, virou moda. Conte com música alta, tom de festa e comida cara, mas justa e saborosa.

La Mina

O ambiente é requintado e de bom gosto e o serviço excelente. Têm fama quer os melhores bifes da cidade, quer as lagostas a saber a mar. Lista de vinhos com mais de 350 entradas.

Gaira

Pertence ao famoso músico Carlos Vives e junta o melhor da culinária costeira com música tropical ao vivo. Saboreie uma boa parrilla e rodopie pela sala ao som da cumbia, dos porros e dos mapales.

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8. Trilogia de experiências

Experiências

Bogotá? Claro que sim! Mas este gigantesco país que ocupa uma área equivalente a Portugal, Espanha e França juntos e cuja diversidade é espantosa, tem muito mais para ver e oferecer. Das múltiplas possibilidades (turismo de natureza, cultural, de aventura ou de sol e praia) e combinações possíveis, sugerimos-lhe um roteiro complementar em que estão em destaque o património histórico e paisagístico.

 

Cartagena das Índias

Bela, romântica e lendária. Fundada pelos espanhóis em 1533 na costa do Caribe e cobiçada por piratas como Francis Drake, é um museu ao ar livre. Pequenas ruas de mansões coloniais, varandas cobertas por buganvílias, velhas catedrais e animadas praças, fazem do casco viejo um universo de descobertas. Conselho: deite fora guias e mapas e flane pela cidade ao sabor do vento. Em Bocagrande e El Laguito, mais a sul, ficam os empreendimentos turísticos da moda e a uma hora de barco de distância, as exóticas Islas del Rosario, em cujos corais e areias finas poderá passar um memorável dia de praia.

Paisage Cultural Cafetero

Num deslumbrante cenário natural, a Colômbia tradicional junta-se aos aromas do café para nos proporcionar uma viagem desenhada à medida dos cinco sentidos. Não perca na UP de setembro a reportagem sobre este mágico passeio a uma paisagem que é Património da Humanidade.

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9. Gabo

Gárcia Márquez

A criação é um poder dos deuses, mas há homens que se atrevem e que assim entram na galeria dos imortais. Gabriel García Márquez (Aracataca, Caribe colombiano, 1927 – Cidade do México, 2014) inscreveu o seu nome nessa galeria com um romance genial, Cem Anos de Solidão (1967), obra maior da sua criação: o realismo mágico. Nele, as histórias passam-se num mundo paralelo, em que o irreal e o estranho se misturam com o quotidiano, em que o sensorial faz parte da perceção do real. Literatura fantástica, do maravilhoso, assim lhe chamaram, encontrando espaço para aí encaixarem outros nomes grandes das letras sul-americanas como Jorge Luis Borges ou Julio Cortázar. Gabo, como é carinhosamente tratado pelos compatriotas, ganhou o Nobel da Literatura em 1982 e tornou-se um dos autores mais lidos do século XX muito por causa das sete gerações da família Buendía, os heróis de Cem Anos de Solidão. De estudante de Direito a jornalista, observador sociológico com justa causa, Gabo deu-nos novas leituras para o mundo visto a partir dessa complexidade que é o ser humano. Por Portugal passou como jornalista no verão quente, pós-revolucionário, de 1975, e levou consigo a impressão de que, em Lisboa, que descreveu como “a maior aldeia do mundo”, “toda a gente fala e ninguém dorme”. Não é de admirar o seu interesse pela capital portuguesa nos idos revolucionários dos anos 70. Grande parte da sua obra, de O Outono do Patriarca a O General no seu Labirinto, fala da solidão do poder e das vítimas do poder. Ficcionista de gabarito, Gabo entendia que a melhor das narrativas era mesmo a realidade, mas ao cruzar-se com a história de um ditador tropical (Salazar), a quem sucedia um general de monóculo (Spínola), num país “obrigado a sentar-se de sapatos rotos e casaco remendado na mesa dos mais ricos e sofisticados do mundo”, estavam reunidos os ingredientes do realismo mágico dos seus livros.

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10. Um dia no campo

Um dia no campo

Deixamos a metrópole, entrando aos poucos num colorido mundo rural. Por nós passam camiões ora folclóricos, ora high-tech, vilas de beira de estrada, plantações de flores, estufas, lagos e barragens, a ponte de Boyacá (onde se deu uma das batalhas da independência), verdes paisagens de longo fôlego. É já noite quando chegamos a Vila de Leyva, povoado parado no tempo onde o empedrado das ruas e o branco das paredes ressoam as vozes do passado. Declarada monumento nacional em 1954, a vila foi preservada e respira uma tranquilidade que impregna os pequenos hotéis rurais, as lojas turísticas, as sacadas e pátios floridos e os restaurantes da praça central (a maior da Colômbia), onde jantamos à média luz com música salerosa. No dia seguinte, acordamos para a glória dos campos e para um dos pontos altos desta viagem. Um passeio a cavalo até aos Poços Azuis, quais amazonas, perscrutando o deserto no horizonte. Seguimos depois para Ráquira – pitoresca vila conhecida pelo artesanato – onde almoçamos, imediatamente antes de nova experiência: o workshop de cerâmica numa oficina campestre. Postas as mãos na massa – o barro – eu fico com a certeza (já suspeitava) de que não nasci para estas artes. Concentro-me na magnífica paisagem de montanha e tiro notas para a posteridade. A cada um as suas virtudes. A da Colômbia é ser um país surpreendente que se transforma a cada esquina. Realmente mágica!

 

Por Patrícia Brito fotos Raquel Castro e Patrícia Barnabé

A UP agradece a colaboração da Proexport e de Diana Caicedo na realização desta reportagem e a boa vontade e paciência da nossa excelente guia, Marisa Fonpibon, e do nosso motorista, Don Julio.

Arquivos

Orientação

A metrópole cresceu num eixo norte-sul. No norte ficam os bairros residenciais chiques e as multinacionais, e no sul, as casas da classe média e os subúrbios pobres. O sistema de ruas é alfanumérico, dividindo-se em calles e carreteras.

Clima

Estendendo-se por um gigantesco planalto das terras altas dos Andes, a cerca de 2600 metros de altitude, Bogotá tem uma temperatura média de 14 ºC ao longo do ano. Agasalhe-se e prepare-se para a chuva. Aqui, nunca se sabe. O que se sabe é que devido à altitude há quem se sinta mareado inicialmente, mas é coisa para passar num dia ou dois.

Ciclorutas e TransMilenio

A circulação alternativa de matrículas resultou na duplicação do investimento das famílias em carros, mas as ciclovias, cuja invenção se credita aos colombianos, são cada vez mais utilizadas (cerca de 2 milhões de ciclistas por semana). Aos domingos fecham-se algumas das artérias principais para que a população possa esticar as pernas. Pedalando, correndo, fazendo ioga, capoeira, ou estendendo-se ao sol nos vários parques. Outro projeto futurista é o TransMilenio, sistema de transporte público inspirado na Rede Integrada de Transporte da cidade brasileira de Curitiba.

À Letra

A melhor oferta gastronómica da capital encontra-se em variedade e quantidade nos bairros conhecidos como Zona G (para gourmet), Zona T (ou Rosa), Zona M (la Macarena, no centro), Parque da 93 e Usaquén. É nestes lugares com alma latino-americana e tiques hipster que ficam restaurantes, cervejarias e bares com conceito, lojas de design e de marcas internacionais, shoppings e galerias. Para algo completamente diferente, a comida de rua é boa e barata.

Vai um cafezinho?

Sim. Café. Em cada esquina, a toda a hora, em todas as ocasiões, até na veia em casos extremos. O café colombiano é excelente (o melhor do mundo nos cafés suaves) e os colombianos são completamente viciados neste estimulante natural que é uma das matérias-primas, a par das flores, das frutas e das esmeraldas, mais exportadas pelo país. Se o quiser com leite, peça um perico.

A cartagena de García Márquez

É uma rota literária por Cartagena, com direito a áudio-guia, e propõe um circuito pelos locais mágicos e misteriosos (ou do quotidiano) referidos nas obras de Gabo. O percurso foi uma iniciativa do irmão do Nobel da Literatura e inclui, entre outros pontos, a casa do escritor, que serviu de cenário para a residência de Fermina Daza em O Amor nos Tempos de Cólera, o jornal onde García Márquez iniciou a carreira jornalística ou o largo onde Sierva Maria, de Do Amor e Outros Demónios, é mordida por um cão.



Centro Cultural Gabriel García Márquez

É um dos poisos de eleição de Bogotá. Um espaço multidisciplinar onde a cultura, a leitura, a arte, a arquitetura e a gastronomia encontram uma voz comum, homenageando o escritor. Suba ao terceiro piso para uma perspetiva diferente de La Candelaria.

Calle 11, 5-60, Bogotá

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